Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

CULPADA COM REMISSÃO

Colleen Ross

 

Somos indisciplinados. Novidade de truz! Aliás, qualquer dardo contra a estima nacional é lugar comum – não temos elevada estima pelo povo pertença, sem dar conta significar o mesmo atribuirmos baixo valor ao individual. Cada um incluído até pelo tórax inchado de soberba que admite o esmo do maldizer. Escriba incluída. Bem pode a mulher justificar através da sistemática análise crítica a reflexão escrita – não impede cheiro malino a distanciamento do normal português.

 

No assunto e prática que hoje a move no dedilhar das teclas, é culpada sem remissão. Estaciona onde calha se completos os sítios legítimos, assim deixe piscando botões disponíveis. Não conta demorar, certeza antecipada e desmentida se fila/surpresa a retiver. Fica em ânsias. Vem à porta lobrigar se é empecilho ou polícia está visível. Não constando ameaças, permanece na fila. Ouvindo apitos raivosos ou espreitada possibilidade de multa, assegura lugar na procissão, apressa sorriso, pede desculpa e negoceia troca de lugar com o outro condutor, ou implora compreensão ao justo caçador de infracções aos direitos de todos. O costume não lhe tem corrido mal e por isso bendiz o poder de um sorriso, mais desculpas embaraçadas e genuínas, a tolerância dos agentes reguladores.

 

Veio a infractora a saber que num ano a Carris perdeu 900h em imobilizações causadas por outros como ela, pagou 400 euros por cada uma das 1300 interrupções. Depois, há quem maldiga a ineficácia dos transportes públicos por lhe aprazer levar automóvel até ao elevador… A consciência cívica tocou a rebate. Rotulou-se de péssima cidadã. Fez jura de não repetir pelo mais sagrado que a vida lhe dá. Daqui a instantes sai de casa, estacionamento privado aguarda-a. Trabalho cumprido, se uma tela for tentação, ou tem próximo lugar permitido ou andarilha a distância necessária para subir, neste particular, a estima pessoal pela cidadã que é.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:22
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16 comentários:
De António a 21 de Setembro de 2010 às 08:51
bem, invocar o Poeta é sempre condição: que bom ter um dever... e não o fazer!

é praga nacional e dela é também Lisboa a capital

avenida, rua ou travessa, mais faixas que tenha ou por exígua que seja, lá está o mercedão a empatar toda a gente, a multiplicar por 50 ou mais no caso dos transportes públicos em periclitante e involuntária chicane urbana

e vê-se de longe o alienado em muita viatura circundante, desperdiçando o primeiro lugar vago e os seguintes para intentar prantar-se defronte mesmo à loja, repartição, café onde preconiza cumprir a missão relevantíssima com que auto-justifica não andar nem sair de cima, seja passeio ou segunda fila, conquanto o lindo carrinho fique debaixo do braço durante a função

por absoluta negligência na matéria, António Costa lerpa aqui muito voto, reconhecendo-se ainda assim que também não fez pior que a conocorrência, apenas as mesmas exactas promessas vãs de enganar papalvos

agora: resplandecente é "curtir" o 28, ou outro do 5 eléctricos que restam a Lisboa

cautela aos valores, claro está, pois toda a carteira tem o seu predador, por vezes tão subrepticiamente que dá vontade de emoldurar o gesto técnico em programa televisivo de prognósticos pós-resultado, com 3 velhinhos a comentar os ditirambos tácticos da modalidade carteirística em que disputaríamos altos lugares no ranking se houvesse campeonato mundial

mas ó espreitaide: http://fotografares.blogspot.com/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00Z&updated-max=2009-01-01T00:00:00Z&max-results=50

mas ainda quanto à penitência: pois seja sem avé marias ;_)))


De Maria Brojo a 22 de Setembro de 2010 às 14:36
António - texto magnífico do qual me apropriei de parte. E espreitei e saiu crónica graças a si e às amigas do 'amarelo'.
De Veneno C. a 21 de Setembro de 2010 às 11:05
Essa do "Cada um incluído até pelo tórax inchado de soberba que admite o esmo do maldizer" não se aplica a este Veneno. Nem sequer vejo o que está ali o 'esmo' a fazer. Mas rima com mesmo. E a soberba também é uma inchada questão. Ou não?

Não pagou... terá recebido menos. E a perda é de cerca de meio milhão.

No ano passado, autuados 9300 e rebocados 320.
Até finais de Agosto, 5500 e 220. Está na média...
De Maria Brojo a 22 de Setembro de 2010 às 14:33
Veneno C. - 'verdade, verdadinha' pode desfazer o texto feito à vontade que as mais das vezes tomo consciência de minudências ociosas no SPNI largadas por mim com críticas incisivas como as suas e doutros comentadores.

Quanto ao 'esmo' muito está ali a fazer - por ser verdade.
De perseu a 21 de Setembro de 2010 às 11:53
Lá volto eu ao que maia detesto-citações.

Pois nãoé verdade que Roma,quando dominava a Ibéria,não dizia que a tribu Lusitana 'Não governava nem se deixava governar?'

Não quero,nem gosto,da estupida disciplina Germano-Nórdica,mas um pouco de ordem e educação não nos faria mal.
De perseu a 21 de Setembro de 2010 às 12:25
Com desculpas rectifIco:-MAIS-NÃO É-

Obrigado pela tolerancia.
De Acúçar C. a 21 de Setembro de 2010 às 15:08
Pois eu gosto muito de citações:

«Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!» - frase escrita no séc. I ou II a. C. por um general romano em serviço na Ibéria (seria o nosso Sertório?) em carta enviada ao Imperador. A autoria da frase passou mais tarde a ser atribuída a Caio Júlio César.

Os lusitanos são considerados, por antropólogos e historiadores, como um povo sem história por não terem deixado registos nativos antes da conquista romana.

Mas não gosto que, quando se podem analisar causas e tomar medidas, nos fiquemos por estas 'evidências' e não apelemos a outras virtudes que podem fazer de nós uma sociedade cada vez mais sensata. Talvez pudéssemos começar pelo próximo grande momento futebolístico ou pelo 'record' de vendas em telemóveis.

Claro que também não gosto que se diga que é estúpida a disciplina Germânica ou Nórdica. Para que serve termos nós tanta polícia e tanta fiscalização? Pagamos por isso... e somos mal servidos.

Um pouco... não. Ordem (disciplina?) e Educação são essenciais!

De perseu a 21 de Setembro de 2010 às 18:30
Vou mais longe Carissimo:

ORDEM-METODO e DISPLINA.

Democracia?Sim mas MUSCULADA.
De perseu a 21 de Setembro de 2010 às 18:31
DISCIPLINA,obviamente.
Desculpe!
De Acúçar C. a 21 de Setembro de 2010 às 18:46
Obviamente.

A começar na família. Talvez os excessos (as modas), tenham deitado tudo 'às urtigas'.

Pai,
Berlin é linda, as pessoas são muito boas e eu gosto
muito daqui, mas pai, eu estou um pouco envergonhado ao chegar na universidade com meu Ferrari 599GTB enquanto meus professores e muitos dos meus amigos estudantes vão pra escola de trem.
Seu filho,
Nasser

No dia seguinte Nasser recebe a resposta de seu e-mail do pai:

Meu caro e amado filho,
Transferi vinte milhões de dólares americanos para sua conta.
Pare de se envergonhar.
Vá e compre um trem pra você também.




De Maria Brojo a 22 de Setembro de 2010 às 14:27
Perseu - mal nenhum, creio. Andamos precisados como de ar puro para os pulmões.
De -pirata-vermelho- a 21 de Setembro de 2010 às 17:16
mea culpa


mea culpa


vale mais a escrita qu'a meia culpa!

De perseu a 21 de Setembro de 2010 às 18:38
Não temos assim tanta culpa Camarada,nas nossas veias corre sangue quente.
Se assim não fora ainda seríamos Nação?
Basta o que está a acontecer.
Frouxos e burros nunca mais.
Policias em greve?
Meu querido R.D.M.!
De Maria Brojo a 22 de Setembro de 2010 às 14:26
Pirata-Vermelho - a 'meia-culpa' é sempre ridícula. O meu acordo, caríssimo.
De António a 22 de Setembro de 2010 às 00:10
com uma pequenina precisão: remissão é um conceito médico referente a uma evolução favorável da doença, o que pode ser carreado para a conversa na perspectiva do estacionamento abusivo como desvio comportamental porventura sintomático de grave mal

o termo é também usado em direito civil e na actividade geral de expedição, o que talvez tenha menos cabimento na economia da crónica

já onde se refere a infracção, subsumindo a acção ao campo contraordenacional, há uma aproximação e analogia plausível ao processo criminal, pelas noções correlativas de culpa e correspectiva pena, salvo seja

e aqui, poderá falar-se de remição, que é uma forma de redução da execução da pena, nomeadamente a privativa da liberdade, em certos casos substituível por multa ou trabalho comunitário, descontando-se em certa medida os dias de prisão a cumprir, salvo seja

assim, quem sabe se a remissão remete para a remição?

terceiro salvo, neste caso salva, seja

;_)))


De Maria Brojo a 22 de Setembro de 2010 às 14:42
António - vamos a informações precisas.

- remissão
(latim remissio, -onis, restituição, entrega, afrouxamento, brandura, indulgência)

s. f.1. Acto!Ato ou efeito de remitir.
2. Disposição para desobrigar o cumprimento de uma obrigação ou pena. = clemência, indulgência, misericórdia, perdão
3. Acto!Ato de remeter.
4. Acção!Ação de transferir a atenção do leitor ou consulente para outro texto ou outra parte do texto (ex.: remissão de um dicionário)
5. Falta de energia. = fraqueza, frouxidão
6. Diminuição do sofrimento ou do cansaço. = alívio, consolo
7. Med. Diminuição momentânea dos sintomas de uma doença. = remitência
8. Med. Desaparecimento da febre entre os acessos de malária. = remitência
sem remissão: inexoravelmente, impreterivelmente.

Confrontar: remição.

Não confrontei pela pressa.

- remição
(remir + -ção)

s. f.1. Acto!Ato ou efeito de remir ou de se remir.
2. Desobrigação do cumprimento de uma obrigação ou pena. = quitação, resgate

Confrontar: remissão.

Não andei longe, mas o exacto seria desejável. E, agora informada correctamente, escreveria remição.

Obrigada caloroso.

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