Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

AMOR EM 'TIME-SHARING'

Autores que não foi possível identificar

 

As partilhas quotidianas faltam quando não existe o 'ele-amor' ou família ou amigos que ouvem, analisam, dizem, criticam, dão bordoadas e ajudam a remediar desarranjos informáticos, emocionais e caseiros. Indiferente a proporcionalidade entre eles e elas que precisam da comunicação como fonte de onde corre o repensar/discurso, conquanto especialistas afirmem o género feminino mais dependente da verbalização. Todos apreciam e precisam d’almas abertas sem delas esperarem obrigatório afago nas costas. Constando por sistema o item, desconfiam – ou mentira, lá foi a verdade dar volta ao quintal, ou servilismo malquisto, amizade prezada dele não quer saber ou precisa.

 

Ido um ou dois ajuntamentos, carimbados ou não, ida a meta dos quarenta para procriar e ilusora de velhice rodeada de netos e doce manta sobre joelhos colados, dos almoços/reuniões de família em tempo de liberdade semanal, aceites barrigas e flacidez e envelhecimento comum, uma de três realidades: não existe casal nem paixão tresloucada como toda a paixão deve ser, nem vontade de permanente vida comum.

 

Eles e elas, antes dos quarenta, também depois, vão ficando num ‘vemo-nos quando a semana der’. Desejam amor império. Inexiste, logo, não casam. Não aspiram a procriar infantes loiros e belos, logo, adiam compromisso. Já procriaram, não querem mais querubins, acreditam num amor majestade que um dia chegará e não chegou, não se ajuntam – preferem partilha e o calor e a ternura e acompanhados os malvados ócios solitários, por muitos indesejados, requerem companhia de acordar, jantar e de cama nalguns dias da semana. ‘Vão ficando’ - limbo afectuoso que daí não cresce. Que não é um mal. Que pode ser germe de venturas muitas. De ligações com manta para o melhor e pior.

 

Amor em time-sharing com a individualidade? Talvez, ou sim altivo sem vergonhas encolhidas pelos ditames que foram e enformaram, pela assunção de moralidade que a vigente já não condena.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia de 'Anónimo'

 

publicado por Maria Brojo às 06:28
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
12 comentários:
De António a 28 de Setembro de 2010
espaço à individualidade é sine qua non

e ajudas mil, sem contrapartidas contábeis, mas também sem dependências desnecessárias, para abrir campo ao crescimento mútuo

o mundo à volta é também para viver e incorporar, sem desregra mas também sem abdicação, é um mundo vário e múltiplo, de muitos sóis, luas, estrelas e gente, como nós, mas também diversa e diferente, plena de complementaridades, de valores, movimento e ânimo

manta e jamanta, a voadora, coexistem sempre, queiramos ou não ver, saber e sentir: o que nem sempre podemos evitar, o que nem sempre descobrimos, o que nem sempre temos para dar, o que bem sempre sabemos receber - mas se, acaso ou procura, descobrimos ou temos, porque não dar e receber?

;_)))



De Maria Brojo a 3 de Outubro de 2010
Anónimo - Belíssimo contraponto de um simples ponto.
De Anónimo a 3 de Outubro de 2010
Se lhe meter um [t] fica muito mais endereçado.

Dar e receber é (bom que seja) preciso.
De perseu a 28 de Setembro de 2010
Diria Teresa que no penultimo parágrafo,aliás como em toda a crónica,está descrito o amor maduro,verdadeiro sem as estupidas convenções e regras.
Ouso dizer que não será um amor Magestático,mas sim o amor Imperial,belesa,confiança,verdade e puresa.
De perseu a 28 de Setembro de 2010
Ressalvo:____BELEZA.
De Corrector Ortográfico a 2 de Outubro de 2010
Diria Teresa que no penúltimo parágrafo, aliás como em toda a crónica, está descrito o amor maduro, verdadeiro sem as estúpidas convenções e regras.
Ouso dizer que não será um amor Majestático, mas sim o amor Imperial, beleza, confiança, verdade e pureza.
De Maria Brojo a 3 de Outubro de 2010
Perseu - amores que as vidas embelezam. Amores que o são.
De Anónimo a 28 de Setembro de 2010
Sem 'ele-amor'(?) - e sem outra companhia - falta (com quem) partilhar o dia-a-dia. Como o Adão...

Desarranjos informáticos? Talvez...

Bordoadas? Não estou a ver...

Indiferente a proporcionalidade entre eles e elas...

É como aquela cereja... em time-sharing

Fiquei como o vídeo do marimbador (sem som)

Desolado
De Maria Brojo a 3 de Outubro de 2010
Anónimo - não entendeu. O.K.. Nada de importante. Fique com a cereja e eu com o todo.
De Anónimo a 3 de Outubro de 2010
Olho por olho...
De Leonor a 28 de Setembro de 2010
Que post tão bonito. Amor, ternura, serenidade, partilha, respeito, descoberta, dádiva. E sim, numa consciência mais generosa, porque (já) despojada de ilusões e expectativas que sabemos não ressoarem com as nossas almas nem os nossos corpos.
Parabéns, Teresa. Textos como este ajudam-nos a sermos mais "compassivos" com o tempo que por nós passa e, naturalmente, connosco e com quem mais estimamos.
De Maria Brojo a 3 de Outubro de 2010
Leonor - muito obrigada pela sua visita e comentário.

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