Sábado, 9 de Outubro de 2010

QUANDO O GONGO TOCA

Silva Palmeira

 

Tocou o gongo. Dada ordem de partida para nos anúncios dos jornais ou na rede procurar cursos intensivos da língua falada no império chefiado em Pequim. Urge que os muito novos e aqueles ainda longe da condição de reformados, estes, potencial ou efectivamente, unidades produtivas em exercício, aprendam chinês. A necessidade é independente das «baratezas» vendidas nos chineses de bairro - experimentalmente, é conhecido ser, a custo mínimo, satisfeita precisão súbita de lâmpadas, pilhas, fita métrica ou ‘amigos do senhorio’ para dependurar um quadro. Os donos da nova espécie de comércio local desconfiam de quem entra, olham com o nariz empinado, vigiam qualquer cliente como putativo ladrão. Mal falam - o «tugachinês» apenas serve para acumular maquias. É provável que os pregos fiquem torcidos após martelada inicial, que as lâmpadas, brincalhonas, se apaguem dum momento para outro, que a fita métrica jamais volte à caixa depois de esticada vez só. Ou não, porque no bricabraque, como disfarce, há miscelânea de bom e fraude. «Totochina» é jogo a cada dia da 'crise' mais procurado. Depois, há a nacional faceta de ‘contentinhos’: _ Que se danem os cinquenta cêntimos! Tivesse estacionado no Colombo para comprar no AKI o mesmo e gastaria mais pela lata parada.

 

A China, suave mas assertiva na matreirice, dominará o mundo – seja lembrado o gigantismo industrial, como defende a sua moeda e recusa valorizá-la mesmo sob pressão conjunta do euro e do dólar. Os senhores de olhos enviesados, através de deliberados sorrisos, espinha curvada e salamaleques, vendem e crescem mais que os grandes da tradição. Comunistas/oportunistas dominam o povo com ferocidade e presenteiam-no pelo silêncio com ocasionais e inocentes liberdades. Na Praça de Tiananmen estão gravadas provas. Mais houve e há.

 

Desafiar o partido é crime. Dissidentes como o, desde ontem, Nobel da Paz, Liu Xiaobao, tem vida que é testemunho da intolerância comandante. Três vezes prisioneiro por, na essência, defender respeito às directivas internacionais relativas aos Direitos Humanos, somente hoje saberá do prémio pela poetisa sua mulher.

 

As grades não impedem que voe o exemplo de Liu Xiaobao. Podem ser de aço. Bem chumbadas no cimento. Mas o pensar esgueira-se e viaja, incólume, no mundo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:01
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7 comentários:
De adjudicium a 10 de Outubro de 2010
Aprender chines nao eh chinesice nenhuma, agora sem a utopia dos PCTP-ML e quejandos mas por mero interesse economico!
Jah o bom do nobelizado, apoiado por Vaclav Havel e um batalhao de advogados chineses, pode amragar por muitos e bons no gulag do crescimento economico chinoca e no pragmatismo necessario ao controlo puro e duro de 1/6 da populacao mundial sob o jugo do imperio do meio, de que poucos povos se libertaram no passado - Japao, Mongolia, Vietnam... - e a pesado custo!!
Mas é de acreditar e lutar, a China tambem ameacou quando se atribuiu o Premio ao Dalai Lama, que perigoooooo!!!
;_)))

De Maria Brojo a 14 de Outubro de 2010
Adjudicium - belíssimo!

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