Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

DO PIERRE DISTRAÍDO, AO PAPÃO NUCLEAR

Bo Bartlett, Rocket Roberts, Walmsley

 

Dizem-na energia limpa, alternativa privilegiada à obtida a partir do exaurir de combustíveis fósseis – carvão e petróleo. Entre fusões e fissões nucleares, matéria pouca converte-se em energia muita. O vice-versa existe e conta desde que Einstein avançou com E=mc2. Até na queima dum cigarro, os fumadores recebem dose de radiação do chumbo-210; outra, adicional, provém do decaimento do radão, gás inerte e raro, para polónio-218. A história do nome deste elemento químico tem peso: homenageia o casal Pierre e Marie Curie por via do país de origem, a Polónia. Aliás, o espírito pioneiro nas andanças duma Física e Química novas, foi desgraça conjugal: _ a mulher morre de cancro pela exposição letal a radiações. Entretanto, o marido, Nobel da Física como ela, não resistiu ao atropelamento por uma carruagem na rua parisiense Dauphine em dia tempestuoso. Restam juntos na cripta do Panteão da capital francesa. Também o ilustre par demonstra que os desenvolvimentos científicos, e deles os instrumentos, só matam quando as rodas da fortuna ditam o que lhes é próprio ditar.

 

A viagem do comboio que transporta resíduos nucleares de França para a Alemanha, mediatizada pelos confrontos laborados por ‘extremistas-eco’, deu parangonas por envolver como depósito país ocidental. Quando navios contendo o mesmo rumam a África ou outros lugares igualmente pobres e longínquos do umbigo europeu, os ‘ecologistas de bastão’ ficam quedos. No máximo, publicam uns dizeres e cuidam da vidinha deles. Estão lá para desaconchegos que os afastem da rotina, salvo se há muito não vêm à tona nos noticiários e jornais?!... _ ‘Nã’! Perfilam-se na teoria de quem não aparece esquece.

 

O nuclear, per si, não é um mal. Todavia, carece de respeito como os nevoeiros súbitos para quem sobe ou desce a Estrela, o Gerês, ou contorna ribeiras nas ilhas. Mais ainda pelo diâmetro da (re)acção. C’est tout.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

(O logotipo da Al Jazira é bonito de ver!)

 

 

publicado por Maria Brojo às 10:04
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
23 comentários:
De Veneno C. a 9 de Novembro de 2010
Exageros?
Comecemos pelo 'exaurir'.
Nem muita nem pouca: cada qual na sua medida.
Qual vice-versa? Passar de muita energia a pouca matéria? Em ficção (fixão)?. A fórmula não foi escrita nesse sentido. No cigarro há chumbo radioativo?
(O chumbo-210, cuja meia vida é de 22 anos, emite uma partícula beta e um raio gama para se tornar o bismuto-210)
Qual dose?
Parangonas?
(Artes gráf. Nome de duas variedades de carateres tipográficos de dezoito ou vinte e um pontos)
Nuclear é como nevoeiro? Diâmetro? Plano ou cúbico? Em milímetros ou em quilómetros?

http://www.slideshare.net/guest57e587/geologia-e-uniformitarismo

C'est pas tout! Sin que lo sepas tu!

http://www.youtube.com/watch?v=8VB8z0J_GxM
De Veneno C. a 9 de Novembro de 2010
Para os distraídos (Pedros, Paulos & Cª) o chumbo é mesmo p-e-s-a-d-o e não será o do cigarro o que mais nos incomoda.

Vejam uma 'pequena' lista

http://drashirleydecampos.com.br/noticias/1541
De Maria Brojo a 12 de Novembro de 2010
Veneno C. - por muito que me custe tenho de referir a existência de disparates/erros inscritos no comentário. Acontece. Dá-se o caso de saber do falado. Ainda assim, grata pela intervenção.
De Veneno C. a 12 de Novembro de 2010
Claro. E quem não sabe?

Pode (& deve) sempre corrigir para que não restem dúvidas (por muito que lhe custe?).

http://www.youtube.com/watch?v=I7ADsJNBZsc

http://www.youtube.com/watch?v=5Jo9r1Yl1TU
De António a 9 de Novembro de 2010
densa, a matéria!

dela, porém, irradiam noção e articulação...

os activistas, se bem que umbiguistas, cumprem nobre missão: alguém tem que alertar e manter alerta espíritos indiferentes, pragmáticos, calculistas, etc.

noutras perspectivas:

- a radiação pode ser obscura ou deixar ver claro, pode salvar e matar, destruir e ajudar, porém elevando a fasquia do potencial de impacto sob a acção humana

- aberta a porta à prova provada: a informação, por muito que em quantidade, não é propriamente conhecimento; e, num caso e noutro, ainda há o passo nem sempre buscável quanto mais alcançável do entendimento, que para isso é preciso coração aberto, humildade e compreensão, matéria prima de que é feita afinal a inteligência;

- depois do electrão, do protão, do fotão, do hadrão, do bosão, governo e oposição juntaram-se para criar nova partícula: o p´lintrão!

;_)))


De Maria Brojo a 12 de Novembro de 2010
António - há tempos, era meu objectivo escrever sob o «p'lintrão». Deve ter-me passado o motivo de crónica com tanta actualidade efervescente.

Quanto ao demais: _ Humildade sempre, como é natural a quem na vida faz ou divulga ciência.
De Acúçar C. a 9 de Novembro de 2010
Perguntem ao Charlie

http://www.youtube.com/watch?v=F1T72KYXMik&feature=related
De Maria Brojo a 12 de Novembro de 2010
Açúcar C. - Bem respondido!
De perseu a 9 de Novembro de 2010
Resumindo:que fazer dos residuos?

Apenas falta resolver essa equação,o resto é lirismo dos que que nada sabem de Fisica.

Que teria acontecido se existisem ,esses impecilhos, no tempo de Sir James Wat?

A energia nuclear é tão perigosa como qualquer forma de enegia.

O vento,por exemplo,é uma excelente modo de gerar energia,imagine-se essa potencial energético a uma velocidade,possivel de atingir naturalmente,de 130 nós?
De perseu a 9 de Novembro de 2010
EXISTISSEM !

Desculpem-me,por favor o erro de palmatória.
De Veneno C. a 9 de Novembro de 2010
E acha pequena a equação?
E o que fazer enquanto não se resolve?
Sem lirismo, o que fazem os que sabem muito sobre Física? Dizem sim, mas...
Acha que para tomar essa decisão basta saber muito sobre Física?
Quais impecilhos? Houve outros. Há sempre. Como no Restelo... Como no tempo da 'outra senhora'. Como no tempo do Galileu. É a história do desenvolvimento. Como a Passarola.

E onde se vai buscar o urânio? E como se obtém o que é necessário e a que preço? E de quem se vai depender?

«Além do mais, quatro reactores deixaram de operar durante 2009 e um grande número de outros, tanto no Japão como na Alemanha, não estão em utilização devido a variadas obstruções técnicas. Muito provavelmente, pelo menos 100 reactores, antigos e pequenos, irão fechar entre os próximos 10 e 15 anos.

Durante os últimos 10 anos, os recursos obtidos pelas actividades mineiras apenas satisfizeram dois terços da procura mundial para o combustível nuclear - para 2010, eram precisas cerca de 68 mil toneladas equivalentes de urânio natural. As restantes 20 mil toneladas eram originárias das chamadas fontes de urânio secundárias - principalmente inventários mantidos por empresas de distribuição e governos, combustível nuclear "re-processado" e stocks de urânio empobrecido. A oferta destas fontes irá cair cerca de 10 mil toneladas no final de 2013, quando chegar ao fim o Programa "Megatons para Megawatts" entre a Rússia e os Estados Unidos da América (que recicla o urânio altamente enriquecido das ogivas nucleares russas em urânio com baixo teor de enriquecimento para centrais de energia nuclear).

As actuais projecções indicam que a escassez de urânio nos próximos anos poderia ser evitada apenas se as novas e as existentes minas deste recurso funcionassem de acordo com o estipulado. De facto, as extrapolações da oferta global, que prevêem um aumento na actividade mineira de urânio, são baseadas na ideia de que o Cazaquistão terá capacidade para expandir a sua oferta. Mas, até agora, a mesma cresceu na sua maioria como esperado, de 4.357 toneladas, em 2005, para 8.521 toneladas, em 2008, e para 14 mil toneladas no ano passado.

Mas ainda é preciso esperar para ver se a operação das minas no país pode realmente aumentar ainda para 18 mil toneladas este ano e para 30 mil em 2018. Segundo as mais recentes estimativas da Associação Mundial Nuclear, em Julho, o valor esperado da extracção de urânio para 2010 tinha mesmo descido para 15 mil toneladas.
....
A União Europeia é actualmente a produtora de cerca de um terço da energia eléctrica nuclear do mundo, e estes números indicam que a organização está a caminhar para uma redução na produção de energia nuclear de perto de 20% nos próximos 10 anos. Pode-se ainda esperar que a crise económica internacional não ajude a acelerar a construção das centrais nucleares e de novas minas de urânio.

Ou seja, os verdadeiros factos sobre a energia nuclear são inconsistentes com a possibilidade do seu renascimento em todo o mundo. Pelo contrário, apontam para um contínuo desaparecimento de energia nuclear civil na maior parte dos principais países da OCDE.

Em consequência, parece inevitável que os consumidores de energia, nomeadamente em muitos países ricos, tenham de aprender a trocar as suas preocupações sobre as consequências do aquecimento global num futuro distante pela realidade de escassez energética durante períodos de elevada procura. Tal escassez pode resultar tanto em ofertas caóticas e em quebras de energia como numa política coordenada de racionamento energético.

Na ausência de um restabelecimento da energia nuclear, muitos de nós seremos forçados a reduzir o nosso consumo de energia directo. Esperemos que consigamos aprender a adaptar-nos a um modo de vida mais simples, mas ainda assim satisfatório.

Michael Dittmar é físico na ETH (Instituto Federal de Tecnologia), em Zurique, e trabalha para o CERN (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear), em Genebra.
De Maria Brojo a 12 de Novembro de 2010
Perseu - questões oportunas e lapidares.
De perseu a 10 de Novembro de 2010
´
Oh santinho por favor pare lá com a "desgracia".

Uma pilha atómica pode durar mil anos.

Ainda está muito a tempo de aprender alguma coisita sobre a durabilidade do fornecimento da matéria prima para obtenção de energia nuclear.

Sem melindre nem ofensa.
De Veneno C. a 10 de Novembro de 2010
Sem melindre nem ofensa. Apenas em abono da verdade!

O santinho estará mais desse lado do que deste. Lamentavelmente. Os sucessivos comentários falam disso.

A questão, desgraciadamente não tem a ver com a "desgracia": bate mais no 'lirismo dos que nada sabem de Física' e pretende bater na consciência (?) de quem expele tais 'radiações'.

A questão da sua 'pilha atómica' devia levá-lo a reciclar essas ideologias ;-)

Quer ter a maçada? Leia, medite, conclua. Palpites são giros para outras aplicações menos arriscadas.

http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/nuclear/nuclear.htm

http://www.cfn.ist.utl.pt/pt/consultorio/listA.html

http://lqes.iqm.unicamp.br/canal_cientifico/pontos_vista/pontos_vista_divulgacao2-1.html
De perseu a 10 de Novembro de 2010
Vantagem de ter um licenciatura de EngªMecânica com média final de 18.75 valores.

Vantagem de ter ter sido Oficial Miliciano Piloto Aviador e combatente.

E o Senhor?Já lhe disse uma vez,mas o SR.não aprendeu,só recebo lições de quem saiba mais do que eu.

Sinceramente,não é o seu caso.

Assunto encerrado de uma vez por todas.

Fiz-me entender?
De Veneno C. a 10 de Novembro de 2010
Infelizmente, já se tinha feito entender desde sempre.
Quem puxa desses 'galões'... define-se a milhas!
A sua licenciatura (com alta nota!) deixa marcas de grande falta de rigor e de enorme fantasia.

Assunto encerrado? Isso será o seu hábito (das tropas? 'ok, líder!') Como diz o outro (incluindo o Catita) "A mim ninguém me cala!". Sou pela verdade, contra a arrogância. Abaixo o pedantismo ;-))
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010
"presunção e água benta, cada qual toma a que quer.............", e parece que por aqui existe demasiada!
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010
Veneno C, o comentário como é lógico não é dirigido a si, mas sim ao comentador anterior. Humildade nunca fez mal a ninguém..................
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010
18.75??? Escala de 0 a 20? Ou será na de 0 a 100???? Valores será percentagem?????
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010
Para esclarecimento público:
Oficial Miliciano Piloto Aviador = Burocrático Soldado Condutor Aeroplanista:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
De Anónimo a 10 de Novembro de 2010
Vantagem? Vintagem?
Licenciatura de... soa-me a choco.
Sacada quando, onde, em quantos anos?
E o que fez com ela? Voou? Ficou a dever a retribuição ao património (ou talvez não?).
E que posto é esse de Oficial Miliciano? Aspirante?
Um miliciano, se tivesse a noção da figura que faz ao gabar-se de o ter sido, devia explicar por que razão não seguiu a carreira. E depois, entre mecânica e aviação, o que aviou mais?
Saiba que lições podem vir de todo o lado: de cima e debaixo, da direita e da esquerda, e ainda pricipalmente.
O seu 'sinceramente' é 'pura banha da cobra' e já não deve ter cura.
De António a 11 de Novembro de 2010
a expansão do nuclear para produção de energia eléctrica tem vários limites, um dos quais é a disponibilidade de água: no ano passado várias centrais em França tiveram que parar por falta de caudais para assegurar o correcto funcionamento, isto é, capacidade de encaixe para absorção da água quente proveniente do arrefecimento dos grupos geradores sem desrespeito pelos limites ambientais - que são a sustentabilidade dos ecossistemas e, a final, da vida humana

;-

De Maria Brojo a 12 de Novembro de 2010
António - ao nuclear converto-me devagarinho sob o direito/lei do melhor para o planeta e humanos que o habitam.

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