Domingo, 28 de Novembro de 2010

A MESMA E A OUTRA

Colecção "Outono nos Parques de Lisboa - 2010"

 

Outra, escreveu ela. Depois, palavra/título no vídeo. A mesma, sempre, como árvore que cresce robusta, jamais renegando a condição que a torna fabulosamente única entre semelhantes. Na coerência da árvore e daquela mulher, começa o deslumbre no caminho abobado por braços esguios e nus. 

 

 

A noite fora de chuva intensa, filtrado o som das bátegas pelos vidros duplicados e estores descidos. Na manhã, havia sol e frio e chão húmido. Convite a sair, peregrinar num parque que não apenas outro de muitos. Exótico nos recantos murados por cactos desafiadores dos anos e dos ciclos rodados. A meio, estranhamente, tronco esculpido em geometrias improváveis. 

 

 

Água cerca. Limitada por ténues fronteiras ao embeber o solo circundante. Nele, pés atrevidos cavam registos por tudo desejarem gravar. E a ave saúda o dia fruindo do espelho reflector e habitat. Com ela nadam folhas de plátanos obrigadas pelo ventar na noite e fatalidade sazonal.

 

 

Margens. Ricas. Gosto propício às aves e a quem delas pretende saber. Primeiro, observadas. Habituadas à curiosidade passante, continuam, sem falsos temores, no lugar. Privilegiam a partilha pelo bem tornado comum onde debicam alimento que ignora diferenças entre espécies. Serenas, continuam o labor e o preguiçar.

 

 

O empedrado, pisado, atropelado por sobejos vegetais, conduz a veredas onde se jogam destinos inesperados e descobertas novas ou que repetem o visto noutros mantos/úteros - cogumelos em bouquet contrastam, enriquecem, a paleta cromática que com os verdes brinca.

 

 

Fosse o meu olhar pintor, da paleta segura pela alma escolheria tons que recriassem o real sem o copiar no estilo ‘lambido’ iniciático. Difícil fugir-lhe pela tirania que a perfeição natural impõe. No entanto, talento educado simplifica formas e utiliza cores distintas do visto. Inventa-as para retratar de modo outro o mesmo que rodeia as gentes.

 

 

Esperado. Fintei o desejo de não arredar dali. Olhei-o de soslaio para desinstalar o imediato como opção primeira do espírito. A disciplina íntima, ajuda a contornar facilidades apetitosas e confortáveis, mas que, é sabido, podem viciar o ler do existente, compulsar atitudes pela falta do gerir. Adiei-o até ao regresso. Conhecia-lhe os detalhes de vezes anteriores e da tela do Ernâni Oliveira que me testemunha, em casa, os passos. Vigiei-o. Despedi-me com a alma feita tela e a tela já feita na alma. 

  

Ernâni Oliveira - acervo pessoal

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Da querida Dobra do Grito, outro vídeo de excelência.

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:31
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12 comentários:
De corrector a 28 de Novembro de 2010 às 12:45
Bonito de ver... mas nada para ficar abobado ;-)

Talvez úteros espantem, associados a mantos... talvez? Outra venha... A mesma fica, e bem, e vai.

Bom domingo ;-)
De Maria Brojo a 1 de Dezembro de 2010 às 20:18
Corrector - Bom final de feriado para si.
De corrector a 1 de Dezembro de 2010 às 23:19
Bem recebido, bastante restaurador!

Boa noite restaurante ;-)

«Fumegantes, as gambas estavam saborosas. Até se podiam comer as cabeças.»
De Dobra a 28 de Novembro de 2010 às 22:22
Obrigada, querida amiga... sempre.
De Maria Brojo a 1 de Dezembro de 2010 às 20:20
Dobra do Grito - juntas na cumplicidade e partilha. Sempre.
De perseu a 29 de Novembro de 2010 às 17:52
Desconhecia que esta crónica tinha algo a ver com uma parte do complexo mecanismo de reprodução feminino.

"Havemos de ser caridosos para com os padecentes de diarreia mental"

Enciclica "Rerum-Novarum"
De corrector a 29 de Novembro de 2010 às 18:44

1- Quanto à encíclica (com acento), seria melhor guardar a 'diarreia mental' para gozos mais à sua classe, como se poderá depreender da sua introdução:

CARTA ENCÍCLICA
«RERUM NOVARUM»
DO PAPA LEÃO XIII
SOBRE A CONDIÇÃO DOS OPERÁRIOS

INTRODUÇÃO

A sede de inovações, que há muito tempo se apoderou das sociedades e as tem numa agitação febril, devia, tarde ou cedo, passar das regiões da política para a esfera vizinha da economia social. Efectivamente, os progressos incessantes da indústria, os novos caminhos em que entraram as artes, a alteração das relações entre os operários e os patrões, a influência da riqueza nas mãos dum pequeno número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto, sem falar da corrupção dos costumes, deu em resultado final um temível conflito.

Por toda a parte, os espíritos estão apreensivos e numa ansiedade expectante, o que por si só basta pa ra mostrar quantos e quão graves interesses estão em jogo. Esta situação preocupa e põe ao mesmo tempo em exercício o génio dos doutos, a prudência dos sábios, as deliberações das reuniões populares, a perspicácia dos legisladores e os conselhos dos governantes, e não há, presentemente, outra causa que impressione com tanta veemência o espírito humano.

É por isto que, Veneráveis Irmãos, o que em outras ocasiões temos feito, para bem da Igreja e da salvação comum dos homens, em Nossas Encíclicas sobre a soberania política, a liberdade humana, a constituição cristã dos Estados e outros assuntos análogos, refutando, segundo Nos pareceu oportuno, as opiniões erróneas e falazes, o julgamos dever repetir hoje e pelos mesmos motivos, falando-vos da Condição dos Operários. Já temos tocado esta matéria muitas vezes, quando se Nos tem proporcionado o ensejo; mas a consciência do Nosso cargo Apostólico impõe-Nos como um dever tratá-la nesta Encíclica mais explicita-mente e com maior desenvolvimento, a fim de pôr em evidência os princípios duma solução, conforme à justiça e à equidade. O problema nem é fácil de resolver, nem isento de perigos. E difícil, efectivamente, precisar com exactidão os direitos e os deveres que devem ao mesmo tempo reger a riqueza e o proletariado, o capital e o trabalho. Por outro lado, o problema não é sem perigos, porque não poucas vezes homens turbulentos e astuciosos procuram desvirtuar-lhe o sentido e aproveitam-no para excitar as multidões e fomentar desordens.

2- Quanto ao ter a ver da crónica, é uma reacção de espanto à referência que a autora "O empedrado, pisado, atropelado por sobejos vegetais, conduz a veredas onde se jogam destinos inesperados e descobertas novas ou que repetem o visto noutros mantos/úteros".

A autora lá saberá o porquê...
De Anónimo a 30 de Novembro de 2010 às 00:13
As mais sinceras condolências, esperando que a sua não seja muito grande---------------------senão, coitado, desfaz-se e depois na pas nada para comentar, pois ficaria incapaz de dizer "amen" diariamente às crónicas da Teresa!!
De Anónimo a 30 de Novembro de 2010 às 00:16
Corrector---não é para si, obviamente, mas para uma pessoinha denominada de Perseu!
De Maria Brojo a 1 de Dezembro de 2010 às 20:21
Perseu - haja paciência.
De perseu a 29 de Novembro de 2010 às 20:42
HABEMOS PADRECA?
De corrector a 29 de Novembro de 2010 às 21:58
Que grande agromante ;-)

Nem consegue ver (pode ser presbíope?) nem a um palmo do nariz ;-)

Altos voos, privilegiado, semi-nobre, semi-galego, semi-com-batente, semi-cristão, semi-lat(r)inista, semi-líder, semi-forcado, semi-tudo, semi-nada.

Aqui deixa de ser semi-... e passa a dar provas de integral caganeira cerebral, para dar lugar ao 'vernáculo bocageano' de diz gostar... :-(

Borrife-se à vontade (com água forte) para ver se lhe sai a bajulice e o ar pestilento que exala. :-(

Do que gosta ninguém deve estar interessado: é mesmo conversa chula, de rabisc(h)ador ou menos...

Pois cague para as vírgulas e acentos (logo mais nos assentos?) porque isso define a sua CLASSE, o respeito pelo rigor e pelas regras (como fica demonstrado). É pena que não o faça também a roçar em arame farpado ou num farto silvado, para ficar sossegado ;-)

Olhe que como 'cagador de sentenças' não vai ter um futuro muito risonho: a crise não se compadece de reles 'engraxadores'.

Entendi-D-Í-S-S-I-M-O!



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