Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

SENTIMENTOS RELES?

G. Boersma, Ross Watson

 

Estudos internacionais provam duas características fundamentais dos portugueses: péssima relação com o tempo e com o sentimento de culpa. O ‘agora’ traduzimos por ‘amanhã’, a culpa é enxotada para quem estiver a jeito. Ambas responsáveis pela reduzida produtividade, pelo desejo e encosto a um Estado-Providência zelador e, de todos, procurador que estenda a bandeja das necessidades satisfeitas, nos substitua no empreendedorismo, alije de cada um a culpa se o caminho entortar.

 

Tomemos como exemplo a falência duma empresa. No Japão, nos Estados Unidos, é tida por consequência dum erro colectivo que engloba a entidade gestora e os trabalhadores. Por todos os intervenientes é feita a análise crítica da situação. Detectadas as falhas dos diferentes sectores. Em Portugal, o culpado é o dono colectivo ou solitário coadjuvado pelas estruturas cimeiras; os assalariados com menor grau de diferenciação dizem-se vítimas, bem como os eventuais credores. Um dos vértices trágicos é, recorrentemente, estes últimos continuarem a fornecer bens ou serviços mesmo sabendo que a empresa, se nacionalizada melhor, caminha para a ruína. Confiam uns e outros no Estado-Providência que, com o suor de todos os portugueses, os indemnizará do risco voluntário. Por outro lado, a nossa gestão empresarial soe não apreciar transparência da contabilidade e das situações correntes que mantenham conscientes os trabalhadores. Prefere a ditadura do silêncio, do mistério/recurso de usos e abusos. As abissais diferenças de salários entre empregadores e empregados constituem parte dos motivos desculpabilizantes que os demasiado mal pagos alegam. Desta, com razão.

 

Alguém mais sabedor dos meandros labirínticos das micro e macro economias me avalie o arrazoado e aponte os logros/tropeços. Adianto: experimento sentimentos progressivamente mais reles contra as excessivas mordomias dos excessivos príncipes sociais.

 

CAFÉ DA MANHÃ

  

publicado por Maria Brojo às 06:53
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De teseu a 16 de Janeiro de 2011
Quem são esses 'príncipes' sociais?
E 'excessivos' como? Em quantidade?
Se forem (mesmo) príncipes, não haverá que sentir relesmente por eles. Príncipes são nobres e magnânimos!
Se lhe retirarmos o acento e lermos em francês, fica o problema resolvido em português: princípios sociais é o que está mesmo em causa. E não são excessivos, antes pelo contrário, estão em forte crise.
E reles vai sendo a crescente indiferença com que tais 'excessivas mordomias' são consentidas na (nossa) sociedade.
De Maria Brojo a 17 de Janeiro de 2011
Teseu - aqueles que recebem mordomias privando o povo de vida melhor; aqueles que, de cima, lhas conferem; aqueles que se tomam por elite intelectual e social, deliberadamente esquecendo que a dignidade existe.
Que estão em falência sabemos nós. E é reles não questionar a existência de tanta chulice dos anónimos que oprimem.
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