Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

REDACÇÃO - ‘O ACORDAR DA MINHA CIDADE’

Colleen Ross, Gregory Thielker

 

A minha cidade, como todas, acorda cedo. Tão cedo que a maioria da população ainda dorme. Quem pelas seis se levanta ouve os ruídos daqueles em fila à porta do Centro de Saúde para obtenção de receita ou consulta urgente. Idosos quase todos, mães com filhos ao colo, automóveis em segunda fila com espera dentro. Dói testemunhar madrugadas para atendimentos básicos, direito dos cidadãos à Saúde. E erguem-se de nadrugada da cama, acordam os bebés, arrastam idosos na esperança de assistência médica. Tão triste, tão mau…

 

Já a mulher que espreitara a porta-varanda sai pela garagem via abracadabra electrónico, conduz rumo ao edifício do princípio do século onde trabalha. No percurso, assiste aos estremunhados que saem de casa, aos andantes embiocados com pressa matutina atravessando intervalos dos semáforos, aos avós com crianças pela mão nas passadeiras dirigidos às escolas próximas. Um neto, doze anos para cima, palra alegremente com o avô enquanto caminha, devagar, para a escola pública que o reterá só de manhã, talvez dia quase todo se o horário mandar. Casal envelhecido, avós substituindo pais, conduz pela mão menina pequena, agasalhada, a caminho do ensino oficial ou particular. Mais à frente, guardas prisionais, encorpados, saco de desporto na mão escondendo farda, alinham-se na entrada minúscula à cata de picarem ponto. A prisão engole-os um a um. 

 

A cidade ganha vida na noite a cada instante desvanecida. Enche-se de gentes variadas. E a mulher conduz. Câmara fotográfica no olhar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:32
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8 comentários:
De António a 28 de Janeiro de 2011 às 08:46
a 46º, acresce à crepuscular a luz do que nos faz acordar e vemos para além do visível ou do que fixariam pixeis e brometos de prata

por vezes lemos cinzentos acima dos 18% se ao visto adicionamos preocupações, mal dormires ou lamentos ecoados das gentes que nos cruzam acordares

e de acordo quanto ao penar a que assistimos amiúde, mais ainda quando nos poupamos a ver, a querer saber, a partilhar, forma outra de analisar e construir a participação no jogo acção/reacção a partir da regra simples que nos dispomos a aceitar: é o e(x)terno quotidiano estímulo bastante?

;_)))

De Maria Brojo a 29 de Janeiro de 2011 às 19:04
António - à pergunta, respondo _ Nunca é!
De perseu a 28 de Janeiro de 2011 às 11:29

Por muito que pintalguemos com belos pedaços de prosa temos olhos e sentimentos para ver quão dura 'e a vida das cidades.
Uma cidade ou um país que permitem o que tão realisticamente a Teresa descreve nesta crónica, não são dignos de o ser.
Curiosamente continuamos a suportar a canga.
E a Argélia aqui tão perto...
De Maria Brojo a 29 de Janeiro de 2011 às 19:06
Perseu - me desculpe, mas o que tem a Argélia a ver com o texto?
De -pirata-vermelho- a 28 de Janeiro de 2011 às 16:18
Mas...
qual século,
então aquilo não é séc XIX?
De Maria Brojo a 29 de Janeiro de 2011 às 19:06
Pirata-Vermelho - pois é!, tem razão.
De -pirata-vermelho- a 28 de Janeiro de 2011 às 16:18
...tardio!

De Maria Brojo a 29 de Janeiro de 2011 às 19:07
Pirata-Vermelho - isso é que não!

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