Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

AMY CHUA E GAO XI

Nguyen Dinh Dang, Tháng Một

 

Da China para Yale. Professora de Direito. Pais imigrantes. Nome: Amy Chua. Autora do livro Battle Hymn of the Tiger Mother, sucesso na curiosidade dos média e vendas. Nele descreve a intransigência da educação familiar chinesa que defende e condena a permissividade dos pais do Ocidente. Dizer à filha mais velha “és um lixo!”, ameaçar a mais nova, três anos, de a pôr na rua, impedi-la de jantar, celebrar aniversário durante anos próximos até tocar uma peça de piano com perfeição, são exemplos poucos, mas elucidativos da sua pedagogia. Justifica-a pelo êxito dos pais ao criarem-na sob padrões idênticos, pelo comportamento exemplar dos filhos educados segundo a tradição chinesa de humilhação e inflexibilidade. Muitos geniais em matemática e noutras áreas. Alguns não aguentam serem diariamente induzidos aos limites e preferem dizer adeus às curtas vidas pela vergonha do insucesso, pela culpabilização decorrente. Outros submetem-se, prometendo jamais repetir o exemplo com filhos próprios.

 

A Gao Xi é chinesa. Os pais são imigrantes em Portugal. Há três anos, não entendia uma só palavra portuguesa. Hoje lê, interpreta e escreve a nossa língua, conquanto se socorra de caracteres chineses numa pressa. Na oralidade, manifesta fluência suficiente. Aluna brilhante e equilibrada nas atitudes. Jovem integrada nos grupos de amigos e de estudo, linda, sorridente, cabelo negro, liso, forte, comprido, solidária, empenhada na execução perfeita das tarefas que lhe competem. Inquirida sobre a preferência pelo sistema de ensino português ou o praticado na China, opta definitivamente pelo último. Declara o nosso facilitista pela exigência diminuta e potencialmente castrador da competitividade do indivíduo com ele próprio – qualquer outra é enganadora.

 

Famílias permissivas educam mal. Crianças, adolescentes e jovens precisam de autoridade e estímulos para comportamentos adequados por via do entendimento, da condenação dialogada dos desajustes gravosos. Castigos, sim. Agressões ociosas que emotividade descontrolada, que frustração paternal vinda d'antanho geram, nunca. E relembro frase batida, lema pedagógico: _ Primeiro, olha o que faço, depois vê se digo o que faço.

 

Nota – fonte do primeiro parágrafo: jornal Público de ontem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:54
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7 comentários:
De António a 24 de Fevereiro de 2011
os sistemas de ensino foram e serão sempre fonte de perplexidades quando se comparam realidades incomparáveis - as sociedades orientais adaptam-se a outras necessidades!

porventura, o sistema (?) de ensino em Portugal é melhorável, desde logo pelo quotidiano empenhamento no incentivo que a escola pode oferecer aos jovens para o despertar da curiosidade e para uma consciência quanto à importância dos hábitos de trabalho e regularidade, de exigência própria

a componente do "sistema" pode contribuir para o fortalecimento desse papel do quotidiano (triângulo escola-docente-aluno, a que deverá juntar-se outras valências como a Família, a comunidade e o Estado) mas nem tudo pode ficar à espera da última das modas, tanto mais que a comprovada resistência corporativa, a exiguidade de meios e a ainda maior exiguidade de uma proveitosa gestão de tais meios poderão sempre relegar para as calendas e para resultados imprevisíveis o esforço sistémico para indução de níveis acrescidos de qualidade

o ensino chinês pode ser muito bom - mas Portugal não é a China!

e, sobretudo, Portugal não devia querer ser a China, nem qualquer outra coisa - o facto de termos muito a aprender com todos (e vice-versa) não é razão para se abandonar o via de uma identidade própria

;_)))


De Maria Brojo a 28 de Fevereiro de 2011
António - aceito a sua visão lúcida. Porém, jamais pretendi comparar o sistema chinês com o nosso. Realidades diferentes, sim, quis contrapor. Mas o que me chocou mesmo foi a brutalidade da educação familiar na China que no Ocidente mereceria punição legal. Independentemente dos resultados obtidos, não lhe tolero os princípios.
De perseu a 24 de Fevereiro de 2011

No seu primeiro parágrafo que seria de esperar de um povo marcado a ferro por uma governação comunista na sua forma mais execrável?

No segundo parágrafo é colocado pela jovem Gao XI a dura e triste realidade do ensino em Portugal.
Alliás o que seria de esperar de um Ministério com um ministro que não dirige e é dirigido por mangas de alpaca que fazem omenos possivel de manhã,para não fazerem nada de tarde.
Ainda bem que assim é,porque quando fazem algo é sempre matéria fecal.

Finalmente no seu terceiro parágrafo foca a grande realidade de uma interpertação INDISCIPLINADA,da democracia.
Mas serão essas gentes culpadas?
Não! O exemplo vem do vertice da piramide.
Governos sucessivos de oportunistas e incompetentes.
A Argélia é perto de Portugal...
De corrector lógico a 26 de Fevereiro de 2011
A receita é 'cassette' (viró-disco-tocó-mesmo).

Neurónios pasmados pelo eco das bombas, gases acumulados pela compressão da cabina, crânio rompido pelas lavagens cerebrais, ...

Se em vez de bojardas folheasse a História...

«A história da China está registrada em documentos que datam do século XVI a.C. em diante e que demonstram ser aquele país uma das civilizações mais antigas do mundo com existência contínua. Os estudiosos entendem que a civilização chinesa surgiu em cidades-Estado no vale do rio Amarelo. O ano 221 a.C. costuma ser referido como o momento em que a China foi unificada na forma de um grande reino ou império. As dinastias sucessivas desenvolveram sistemas de controle burocrático que permitiriam ao imperador chinês administrar o vasto território que viria a ser conhecido como a China.

A fundação do que hoje se chama a civilização chinesa é marcada pela imposição forçada de um sistema de escrita comum, pela dinastia Qin no século III a.C., e pelo desenvolvimento de uma ideologia estatal baseada no confucionismo, no século II a.C. Politicamente, a China, ao que parece, alternou períodos de unidade e fragmentação, sendo conquistada por vezes por potências externas, algumas das quais terminaram assimiladas pela população chinesa. Influências culturais e políticas de diversas partes da Ásia, levadas por ondas sucessivas de imigrantes, fundiram-se para criar a imagem da atual cultura chinesa. .... »

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_China
De Maria Brojo a 28 de Fevereiro de 2011
Perseu - pontos a considerar e a discutir saudavelmente. Não aqui por falta de tempo meu.

Anoto concordâncias.
De EJSantos a 25 de Fevereiro de 2011
Nem tanto ao mar,, nem tanto à terra. Detesto a permissividade. Mas educar as crianças em regime de terror é igualmente execrável.
Hei de fazer dos meus filhos excelentes cidadãos e pessoas, sem recorrer a expedientes tão sujos.
De Maria Brojo a 28 de Fevereiro de 2011
EJSantos - estou consigo, conquanto substituísse o termo sujos por cruéis.

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