Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

"ART ME UP - ix"

 

Rosa Carvalho

 

O novo banner da autoria de Rosa Carvalho que desde hoje e por duas semanas encima o “Escrever é Triste” interpela pelo belo ali condensado. Sobre a obra da pintora escreveu Eugénia de Vasconcellos com a mestria habitual.

 

ROSA CARVALHO — i - AS CABEÇAS DE ROSA CARVALHO


SÃO CABEÇAS, SENHOR

 

“Em Alice no País das Mara­vi­lhas há uma rai­nha. A Rai­nha Ver­me­lha. Rai­nha de Copas. Por­tanto, do cora­ção que bom­beia san­gue e vida, o mesmo com que se sente e não pensa. Esta rai­nha sujeita o mundo e os seus súb­di­tos a uma lógica for­mal que não per­mite infrac­ções — coisa impos­sí­vel, mas o cora­ção é um tirano. Quando elas ocor­rem, qual­quer vere­dicto é inú­til por­que a san­ção, sem­pre a mesma, cortem-lhe a cabeça, já foi ditada – a rai­nha sub­verte a lógica que impõe, a san­ção pre­cede o vere­dicto, e como é recor­rente, é tam­bém, em regra, anu­lada pelo rei.

 

Esta rai­nha cor­res­ponde às exi­gên­cias irra­ci­o­nais e ima­tu­ras de uma regra extre­mada, ina­pli­cá­vel à rea­li­dade, ape­nas fun­ci­o­nal e só no sen­tido em que enforma a massa informe de conhe­ci­mento. A mesma que nos ensina o bem e o mal, o bom e o mau, o preto e o branco. O rei ree­qui­li­bra a balança pois res­ponde às soli­ci­ta­ções com bom senso. Dis­tri­bui per­dões a cin­zento que evi­tam a deca­pi­ta­ção sem entrar em con­flito com a rai­nha já que não se opõe à sua acção. (…)”

 

Nota: Merece leitura completa o artigo de hoje escrito pela Eugénia de Vasconcellos.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:31
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

RIR, RIR, RIR

 

Russsel D. McGovern

 

Apetecia-me rir, rir, rir.
Rir até me doer a bar­riga de rir. Até ter que lim­par os óculos das lágri­mas de tanto rir. Rir a bom rir. Sono­ra­mente. Rir com ami­gos alar­ves a rir. Mas já não se ri. Já não se con­tam ane­do­tas. Nunca mais ouvi uma ane­dota nova, uma ane­dota mazi­nha, inte­li­gente, poli­ti­ca­mente incor­reta. Porca. Nem ane­do­tas por­cas se con­tam mais. Parece que a ane­dota foi proi­bida – se calhar está guar­dada na gaveta das car­tei­ras Chan­nel – e só se conta na clan­des­ti­ni­dade. Dei­xa­ram de se ouvir ane­do­tas nos cafés. Dei­xou de haver gar­ga­lhada. É só caras sérias, notí­cias e atualidade.

 

Misé­ria! Sem dinheiro ainda se vive, agora sem ane­do­tas, sem rir, rir, rir é mais difícil.

 

Pedro Bidarra aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:54
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

QUEDA ETERNA, FMI E MAIS

 

Maggie Taylor

 

Motivação: relatório do FMI, as primorosas reflexões do Pedro Marta Santos e do Henrique Monteiro a propósito do dito. Medidas economicistas da (des)graça nacional.

 

Banalidade: o perímetro do buraco de ozono aumenta e dele a obesidade acentua-se nos países ricos.

 

Os mui nossos antípodas confirmam a banalidade. Bem perto da Nova Zelândia, o buraco é anafado e proporcional à dimensão do continente australiano que chamas varrem trágica e frequentemente. Culpa: entre outras, o ‘efeito estufa’ originado pelo desmantelar da «ozonosfera» sita na estratosfera entre 15 a 35 km do solo terrestre. E se é prejudicial aos humanos a destruição do ozono (O3) que inconsciências provocaram correndo décadas! O pior é fechar a rutura, visto a brincadeira dos pares de átomos de oxigénio (moléculas de O2) se ligarem a átomo desamparado do mesmo elemento químico demorar ror de anos na parte gasosa acima do nosso planeta rochoso. É que o Sol amigo responsável pela emissão da luz visível natural nem sempre o é: acompanham-na ultravioletas, infravermelhos e sopa nociva de partículas e doutras radiações. De todas, as perversas infiltram-se e devem ter acelerado os neurónios dos nativos da Austrália que não param de surpreender.

 

Concluíram investigadores australianos que pensamos melhor deitados do que em pé. A culpa é da noradrenalina, dizem, avessa ao stress e à ação da gravidade. O cérebro aquieta-se na horizontal. Finalmente, entendida a razão de tantas mulheres e homens que singram na vida deitados. Eles lá sabem.

 

Autoridades australianas decidiram ser literais quando alguém adquire o estatuto de ‘pés para a cova’: enterram-no na vertical. Economizam espaço – era suposto terem-no de sobra! – e minimizam o impacto ambiental enfiando o defunto num saco de plástico a três metros de profundidade. Simples e fácil de reciclar – a bicharada do subsolo inicia a refeição em tempo menor que o dum suspiro de gente.

 

O chamado «sono eterno» deixa de fazer sentido. De um passamento dir-se-á «queda eterna» e de um falecido «sentinela funda». Mortos sem direito a sossego. Há pouco finados, de imediato pasto de famintos organismos. Nem após a morte direito a tréguas precárias - esquife demora a ser corroído. Se importado, menos despesa. Subsídios por morte inferiores.

 

Conclusão: metodologia económica é. O FMI vai gostar.

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 12:04
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Sábado, 5 de Janeiro de 2013

RISO, SOPA E MAIS

 

Jan Bollaert

 

A família do “Escrever é Triste” tem vindo a libertar-se dalgumas contenções linguísticas. Num rabisco, perorei sobre elas a partir de São Tomás de Aquino: “brincar é necessário para levar uma vida humana”. Defendo o mesmo: gargalhar repõe no espírito energia que o corpo e os dias agradecem – é dado como provado que o riso liberta hormona, endorfina, que para o cérebro importa sensação de bem-estar, alivia dores e tensões. Uma boa piada ou encarar os fatos com bonomia e humor, são melhor remédio que pílulas a granel. Porém, o que faz grasnar de alegria um sujeito ou um povo não garante que noutro, diferente, almeje o mesmo. Os ingleses pelam-se por trocadilhos, os franceses e alemães pelo nonsense, os stars & stripes preferem gracejar sobre assuntos locais. Seja qual for a língua ou a herança cultural, afirmam sabedores que o gracejo deve brincar com o efeito surpresa para a universalidade do riso acontecer.

 

Richard Baxter

 

Por cá, o autêntico vernáculo, condimentado pela gíria, está para as anedotas, como a batata para a sopa; se de legumes melhor - grelos, ervilhas, nabos, ***alhos, tomates e pepinos servidos por curto e eficaz enredo, levam muitos portugueses a lágrimas galhofeiras. Noutra vertente, explosão de génio servida por um vigoroso “porra!” dizem fornecer maior alívio do que um “fosga-se!” desenxabido.

 

Millôr Fernandes defendia que “o nível de stress do indivíduo é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se! que espirra.” Perguntava se existe algo mais libertário do que o referido conceito para, em seguida, justificar: “O foda-se! aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Liberta-me. "Não quer sair comigo?! - Então, foda-se!". Rematava abonando o direito do termo na Constituição.

 

“Filho de muitos pais” veio substituir com a clássica «delico-doçura» social expressão antiga que envolve ‘senhoras’ dadas a acasalar se remuneradas. Não tem enésimo de expressividade da antiga. Perante desmando institucional ou privado, um "puta que o pariu" bravo e forte põe nos eixos a emoção.

  

E pensar que não me atrevia além do “puxa”, do “caraças”, ou d’une merde ocasional.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:41
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Sábado, 25 de Agosto de 2012

APRESENTAÇÃO

Paul Wolber

 

E o começo foi assim:

 

“No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.

 

No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.

 

Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.”

 

Hoje, o tema é outro.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:52
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