Domingo, 6 de Julho de 2014

CASA DE PASTO

 

Na Rua do Duque, o nº 20 vê de baixo a Rua do Alecrim.

 

 

Ali, o entardecer desce cedo pela arquitetura alta e pobre. Numa sexta-feira, rondando as vinte horas do dia, é iniciada a enchente de automóveis e gentes. As varandas da Casa de Pasto, permitem reter imagens/testemunhos. Em destaque, a sinalização do lugar pelo luminoso porco branco.     

 

 

 

 

 

O interior do restaurante dividido em salas, permite convívios mais aconchegados ou alargados consoante o tamanho da sala escolhida para degustar a plêiade de entradas e propostas da pièce de resistance da refeição. Decoração entre o kitsch e Arte Nova. Pontifica como forro das paredes a minha amada Chita Dona Maria. Trazida da Índia pelos portugueses, foi rainha como tecido decorativo pelas classes sociais em que o dinheiro escasseava devido ao preço módico. Hoje, refinou e é moda na classe social com maior poder de compra. A variedade de motivos pictóricos confere alegria, muita cor a ambientes elaborados ou minimalistas. 

 

 

Porque as casas de banho de qualquer lugar público que visite são, para mim, importantes, não resisti a fotografar a destinada ao sexo feminino. Originalidade a rodos. O extenso e iluminado painel representando nabos grelados é divertido. Não resisti à captação de imagens.

 

 

 

 

Na casa de banho masculina, cenouras pendentes são o mote. Provocação deliciosa.

 

 

 

 

Sala de fumo. Vitrais simples não impedem olhares apreciadores de saguões de antanho. Perco-me ao vê-los. As cadeiras cuja origem presumo ser um teatro conservam os números em esmalte. Ambiência decadente conforme era apanágio da zona. Sedutora. 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Ai cais do Sodré

ai cais do Sodré

mais vale parecer

que ser o que é

ai cais do Sodré

ai cais do Sodré

nem todo o sapato

te serve no pé (…)

 

publicado por Maria Brojo às 07:42
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
2 comentários:
De a.reis a 6 de Julho de 2014
As imagens trouxera-me de memórias olfativas de cheiro a mofo e a fumo de cigarro envelhecido pelo que não resisti de aqui "chapar" uns versos de António Gedeão



Poema do Futuro

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.

António Gedeão - 'Poemas Póstumos'
De Maria Brojo a 6 de Julho de 2014
Quanta beleza me ofertou hoje e nos dias anteriores!

Obrigada

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Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
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