Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

DA FRENTE PARA TRÁS

 

 

 

Gennadiy Koufay                                                                 H. Sorayama                                                Robert McGinnis


2014

Ao despojamento íntimo chegou a mulher atual. Na pele, nada protege as margens que o rendilhado pequeno não cobre. Airosa sensação do nada que à própria tenta! Minimalistas por fora, mais complicadas que nunca por dentro. De tal modo elaboradas (baralhadas?) que 1/5 do bolo masculino lida mal com o desejo e a respetiva concretização. O Relatório sobre a Situação da População Mundial constata que Portugal tem uma das menores taxas de fecundidade mundiais, o que na prática significa que as mulheres portuguesas estão entre as que têm menos filhos. Neste relatório, as Nações Unidas admitem que “a falta de mão-de-obra ameaça bloquear as economias de alguns países industrializados”. As baixas taxas de fecundidade significam menos pessoas a entrar no mercado de trabalho, numa tendência que põe em causa o crescimento económico e a viabilidade da segurança social. A ONU diz que nalguns países mais ricos, a falta de jovens «significa incerteza sobre quem vai cuidar dos idosos e sobre quem pagará os benefícios dos mais velhos».” Sem atender às razões, esta é uma perspetiva utilitária da mulher enquanto parideira. Retrocesso. Outro: persistem diferenças entre os géneros nos prés frutos do trabalho. Outros ainda: desemprego, cinto económico que deixou para trás o último furo no aperto que homens e mulheres suportam, obrigam à emigração de portadores de canudos superiores e ao retorno da saída para a «estranja» dos indiferenciados nas habilitações literárias.

 

1994

À vontade na sexualidade, prestígio do corpo, magreza como valor estético, abordagem liberal nas relações dos homens e das mulheres. Elas conquistam maior terreno social, eles surpresos com os avanços femininos nos seus coios tradicionais. Os do masculino perdem nas universidades, na prestação de serviços e no domínio familiar; hesitam como prima-dona a quem a figurante ameaça roubar papel e protagonismo. Viram-se para a própria cas(c)a, aprendem a fruir de modo mais solto e gracioso dos afetos. Aventuram-se na ternura exposta. Chorar sim, se for esse o sentir.

 

1984

Elas tomam, maioritariamente, a iniciativa do divórcio, decidem quando, como e com quem geram filhos. Fazem amor e odeiam a guerra. Das flores nascera símbolo de paz, continuava, continuou, o tempo de delírios comunitários induzidos por substâncias várias. O corpo tenta, seduz, arrebata, mas persistem limites que a moral convencionada e os preceitos sociais injectaram como adição. A «roupa interior» diminui em tamanho sem cobrir o formatado desdém pelo estabelecido. Lá por fora, houvera Woodstock num descarado 69 e o pisar da Lua com repercussões tecnológicas também nos materiais e nos servidores automatizados das tarefas domésticas; por cá, na mesma época ou à volta dela, emigração maciça de indiferenciados, na literatura, o revolucionário e bíblico para a sociedade mais atenta “Novas Cartas Portuguesas” escrito pelas que viriam a ser conhecidas como “As Três Marias” – Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta. Nos setenta e meio, o sonho de igualdade imediata no casulo e no trabalho feminino, a posse de máquinas de lavar trapos e louça, televisões a rodos, micro-ondas anos depois.  

 

1954

Ousadas? Em Portugal, nunca, salvo as «delambidas»(...)

 

Nota: texto integral em http://www.escreveretriste.com/2014/01/da-frente-para-tras/

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:49
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