Sábado, 2 de Agosto de 2014

MULHERES QUE LÊEM SÃO PERIGOSAS

                            

“Sonhos” – Vittorio Matteo Corcos (1859-1933), c_ 1896, Galeria Nacional de Roma e  “Reading Girl” – Gustav Adolf Hennig (1797-1828), Museüm der Bildenden Künste, Leipzig

 

Veio ter comigo. Apareceu manso e belo. Silencioso. No canto iluminado, sentia-se entediado da exposição: desejava sombra acolhedora que o aliviasse da quentura, onde não fosse mexido e remexido por curiosos espantados com o fulgor. Queria conversar, ser escutado, ouvir. Escolheu interlocutora disposta a murmúrios íntimos antes de o abrir. Tinha doçuras a revelar, perguntas a fazer.

 

_ "Que se passa afinal? Que leva certas mulheres, por sinal as mais inteligentes, criativas e dotadas, a desesperar com a vida ao ponto de deixarem de a suportar? É evidente que o que dá asas aos homens e lhes permite voar - viver um amor e, em simultâneo, afirmar-se do ponto de vista artístico - destrói as mulheres. Acresce a isto algo muito simples, absolutamente intolerável: as mulheres governam o quotidiano dos homens, proporcionando-lhes as condições que lhes permitem escrever (ou fazer qualquer outra coisa, seja lá o que for). E quem governa o dia-a-dia delas? Ninguém tem pejo em as qualificar de musas inspiradoras dos homens, mas quem são, onde estão, as musas inspiradoras das mulheres? A mulher tem de ser a musa de si própria."

 

Mais acrescento: o que te digo está nas minhas entranhas. Sabes?, não conhecia o português antes da Quetzal me imprimir. Engracei com ele. Nem a tia alemã Elke Heidenreich que vive em Colónia e me ofereceu magnífico e longo prefácio sabe quanto! É escritora famosa. Entre nós, escreveu livro de amor entre uma donna sentimentale e um maschio italiano; história mafiosa - ele extorquiu dinheiro, protegeu um gato velho, corrompeu quem quis, suprimiu, roubou.

 

Stefan Bollmann, o meu pai também germânico que vive e trabalha em Munique, é um «cromo». Aprendi esta palavra com uns rapazes em passo estugado que por aqui andaram sem me olhar. Com cinquenta e cinco anos, salta entre países, como pulga louca. Deu-me muita atenção quando nasci. Depois, andou comigo (…)

 

(…) Numa livraria, penso-me no caminho de portais com acesso a mundos onde irei morar durante um tempo – o tempo da leitura.

 

Nota - Texto na íntegra aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:22
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