Terça-feira, 24 de Junho de 2014

PARABÉNS CHICO!

 

Autores que não foi possível identificar

 

Setenta anos é obra. Nunca a frase esteve tão certa. E que obra...

 

Estávamos em 66, e o charmoso Henrique Mendes tinha ido ao Brasil e vinha fascinado com a marchinha “qui por lá se cantava". Orgulhoso de ter trazido a gravação para Portugal, passava-a vezes sem conta na Rádio num programa da altura. A qualidade técnica da coisa estava longe de ser boa mas o conteúdo agarrava e entrou no ouvido. Tornou-se rapidamente um êxito por cá atravessando "tanto mar... tanto mar".

 

Era o tempo das minhas descobertas. Primeiro, Elis Regina, depois Chico, Vinicius, tantos outros. Qual Cabral, também eu, na minha frágil casca de noz descobria o Brasil ou antes a sua música. Ainda hoje não fui lá. E no entanto, ele tem vindo até mim. Há poucos dias, aqui por casa, o casal divertia-se a relembrar músicas de outros tempos, algumas entre gargalhadas. E lá veio o "encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora" e "será que sou feia? Não é não sinhô". Depois, chegou a vez da marchinha do Chico e vá lá de puxar pela cabeça mas o pessoal já não vai para novo. Não percebo porque se apregoa tanto a sabedoria que a idade traz quando ao mesmo tempo nos rouba o nome das coisas. Enfim, contradições. Entre muitos «lálás»,  lá fomos reconstruindo a letra que a música, essa, estava impecável e afinadinha.

 

Sempre gostei do Chico. Aqui estava apenas a começar. Do seu talento, da sua obra, dos seus olhos claros de oceano num rosto moreno que envelhece bem. Ao vivo, dois concertos apenas. Hoje, procurei o poema no Google. A esta distância, reparo que na subtileza das entrelinhas está ali tudo: a consciência social e política que aquele jovem já na altura semeava na música aparentemente ingénua que  escrevia. Só os "poetas maiores" o conseguem. Lá como cá.

 

Parabéns Chico. Muitos anos de vida feliz.

 

Deve ser bom festejar a vida sabendo que passamos por ele deixando MARCA.

 

Deixo à minha doce parceira a tarefa de nos "trazer" a marchinha.

 

“Andava à toa na vida o meu amor me chamou pra ver a marcha passar cantando coisas de amor.”

NÃO É LINDO?

 

Texto escrito pela mui querida parceira ‘Era Uma Vez’

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:02
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4 comentários:
De ERA UMA VEZ a 24 de Junho de 2014
Que vídeos maravilhosos, obrigada!Hoje também é dia de VER A BANDA PASSAR CANTANDO COISAS DE AMOR.
Lá a espero.
De Maria Brojo a 25 de Junho de 2014
Era Uma Vez - e se adorei cada momento de ontem em que o amor esteve sempre presente! Devo-lhe um agradecimento e receba, de novo, parabéns. Muitos e merecidos.
De a.reis a 24 de Junho de 2014
Chico Buarque é um compositor e letrista genial incluído no movimento musical brasileiro Bossa Nova. A Banda parece ser uma abordagem lírica dos anos de governação democrática que desaguaram numa ditadura militar em 1964.
Chico Baurque teve a sorte de ter nascido num meio intelectual e musical que despertou o seu talento para a musica e para a escrita. Mas não há bela sem senão, simpatizante do partido comunista brasileiro, parece que nunca ergueu e dedo para criticar os abusos dos regimes cubano e soviético. Tal como todos nós humanos, tem direito a errar nem que seja por omissão.
Gosto de algumas das suas composições e atrevo-me a nomear três: Olhos nos olhos, musica muito harmoniosa e poema implacável; Futuros Amantes e O meu amor.
De Maria Brojo a 25 de Junho de 2014
a.reis - não me recordo bem das que mencionou. Tenho de reavivar a memória indo à procura. Aprecio em particular da "Operário em Construção" com poema de Vinícius de Moraes.

Obrigada pelas dicas que desconhecia.

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