Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

QUANDO O DIVINO FURA O PRAGMATISMO

 

 

   

Gerald King                                                                                                                Glavnaya Yuliya – Buddha

 

  

Alex Levin – Habbat Torah Reading                                                         Autor que não foi possível identificar

 

Duas mulheres. Relação afável a prometer amizade. Porque raros os momentos de disponibilidade comum, uniu-as a vontade, a brisa de um café e a empatia. Entre ambas, a fala sempre omitira a de circunstância. Ao invés, infinita procura de respostas.

Formação académica divergente - Filosofia e Ciência. Mariana e Teresa. Quase pedindo desculpa, Mariana solta a pergunta adiada:

_ Sei que és crente. Católica. Que a investigação e a especulação sustentada da Natureza te atrai. Como concilias o que tenho como oposto? Como permites que o divino fure o pragmatismo do teu raciocínio?

Olhando-a, recolhida, Teresa verbalizou o que no silêncio do laboratório a interrompia e fazia deter num voo de pássaro ou na pincelada das nuvens sobre a tela azul-celeste.

_ Quando esmiuço átomos, observo sinais de raios cósmicos, atento na organização perfeita da matéria, especulo sobre antimatéria e dela faço simetria do real que conheço, mais me convenço de tudo se entretecer. Seria ofensivo, até ao entendimento médio, resumir como aleatório o jogo das partículas. Como na roleta de um casino, o croupier anuncia, faites vos jeux! e alguém varre para si as fichas da mesa. O «pleno» à escala universal. Não!, não são quarks e positrões que me inspiram. Que me satisfazem a fome de explicação. E seja Deus, Alá, súmula de energia ou Buda. Não importa. Todos procuramos a unicidade. O que nos ultrapassa. Maior que nós.


_ E os milagres, a infalibilidade papal, os santos, a ostentação do Vaticano, a guerra, o terrorismo?

_ Sou crítica mas não me apego a crenças ou erros que a tradição e poeira dos tempos acumularam. E quando improviso uma prece que murmuro em qualquer lugar e também ao entrar numa igreja mergulhada em penumbra, agradeço a maravilha da fé que me acompanha e dá sentido. Não espero proteção adicional aos atropelos da vida. Conforta-me não me sentir só.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:19
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