Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

QUIM MAU

Kamille Corry

 

Trabalhou desde cedo. No comércio até aos 36 anos. Escutado o íntimo e pelas andanças da vida, ordenado sacerdote aos 41. Foi escritor. Publicou “Pão do Pobres”, “Ovo de Colombo”, “Obra de Rua” – ex-líbris o Quim Mau, garoto de braços abertos para amor desejado próximo. Arrojado, fundou a Casa do Gaiato. Exíguos recursos para a ambição de fazer homens dignos das crianças despegadas. Entrava nos hotéis, se de luxo melhor, estendia a capa e proclamava: depositem dinheiro porque os meus rapazes precisam de sustento, de educação e futuro desde o presente. E os hóspedes depositavam quantias. Não chegando, exigia mais - pagando alojamento caro, uma carcaça por rapaz abrigado não seria diferença que aliviasse por aí além os bolsos. Foi Igreja até 1956. Arrebatou-o acidente de viação.

 

No Porto, plantada num jardim do coração urbano, o Padre Américo tem estátua de Henrique Moreira que honra Homem e acção. Memória bondosa. Sempre com flores na base. Devoção das prostitutas que negoceiam momentos do corpo e da noite. Como o Quim Mau, famintas do que mais falta.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:05
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1 comentário:
De António a 15 de Maio de 2010 às 01:25
como diria quem eu Bem sei, Pimbas!

pois então, lágrimaaas...

vi pela primeira vez uma Casa do Gaiato em Malange, em 1968, tempo de começar a entender algumas coisas - a proibição de Gerónimo, singela narrativa do chefe índio; havia uns senhores que iam buscar um vizinho no primeiro dia de cada Maio; um estranho mas ostensivo gesto nos Jogos Olímpicos; e por aí diante, coisas imperceptíveis para muitos miúdos e graúdos mas motivo de reflexiva perplexidade por parte de vários graúdos e alguns miúdos, para quem as explicações não esclareciam a totalidade

mais tarde procurei contribuir para uma ajuda significativa aos miúdos de Algeruz, depois, Santo Antão do tojal

outro dia, como há 15 anos atrás, deparei-me e cumpri discreta mas veneranda vénia reverencial na Arrábida, na estrada para o portinho, junto aos primeiros degraus do trilho franciscano que vai dar à gruta da Lapa de Santa Margarida

pois claro que os tempos eram outros - hoje, dias passados aos vídeo-jogos ou uns charros à porta do secundário, senão um salto do portão da escola para o fundo de um rio, apressam e apresam toda a impercepção apagadora de qualquer laivo de interrogação, quanto mais perplexidade ou reflexão

aliás, a diferença, na prática, talvez nem seja tanta assim... embora haja sempre uns alguéns/ninguéns tocados pelo dom da atenção, da devoção e da missão

e os tempos nos idos anos 30 seriam mais drásticos ainda, dramáticos na violência da tísica e outras dizimações, a pedofilia não era ainda escândalo nem alarme social ou auxílio mediamétrico - para desenfreada venda de audiências - senão mesmo uma benção a tirar criancinhas da miséria, perpetuando traumas

haver então uma ideia, mais, uma obsessão, para mais bem sucedida, de conceber um sistema organizado, solidário e de tendencial autosuficiência para as crianças mais desvalidas era (e é!) uma verdadeira santidade

porque todo o dia é dia de Santo Américo

;_)))

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