Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

SOBRE O 1º DE MAIO

   

Samuel Bak – Loaded                                                                                                     Samuel Bak

 

Quando Maio abre portas na utilidade formal, é dia regalado. Cidades encerram para descanso do pessoal trabalhador, abrem tendas de febras e couratos que proporcionam conforto reinadio aos assalariados em festa memorial. Perguntado um a um o que festejam, a maioria hesita, franze o sobrolho por segundos meditativos para arribar ao ‘porque é dia do trabalhador’.

 

Vasculhando antecedentes da data, nada de excecional a marca, salvo importante manifestação de trabalhadores em 1886 nas ruas de Chicago. Reivindicavam a redução da jornada de trabalho para 8 horas e inauguraram greve que imobilizou a economia da U.S.A.. Cinco anos depois, num ajuntamento de milhares de trabalhadores no norte de França em luta pelo mesmo, morrem dez manifestantes sob as botas da polícia. Quanto ao mais que a história debita sobre movimentos laborais, o que importa aconteceu a 23 de Abril, a 3 e a 4 de Maio. Em cinquenta anos portugueses, falar ou tão somente refletir sobre o símbolo da comemoração era matéria sob alçada da PIDE e do lápis censório. Uma pepineira justificada por miúfa e vistas-curtas. Lixou-nos a Internacional Socialista ter decidido convocar manifestação no primeiro de Maio anual com o objetivo de continuar a luta pelas 8 horas de trabalho diário. Não ajudou a remover o bolor «salarazento» a ‘demoníaca’ Rússia tê-lo adotado como feriado nacional. Os Estados Unidos mandaram às malvas o simbolismo e comemoram o Labor Day na primeira segunda-feira de Setembro. Uns sovinas, que por via do estabelecido impedem «pontes» a propósito. Na Austrália, é dia do trabalhador quando uma região quiser: a 4 de Março na Austrália Ocidental, a 11 do mesmo mês no estado de Vitória, a 6 de Maio em Queensland e no Território do Norte, a 7 de Outubro em Canberra e Sydney. Esta última opção interessa-me particularmente por corresponder ao dia em fui nascida.

 

Que pare o labor, que seja quebrada a rotina sujeita a déspotas ou a simples mandadores. Que o povo saia à rua e cante e reivindique e diga das respetivas razões para o descontentamento quotidiano. Que a solidariedade seja lei, condenada a sabujice, penalizada a escravidão e gritados direitos do cidadão até as gargantas doerem.

 

Não somos ratos sujeitos a queijo/engodo. Somos gente. Temos espírito. A sensibilidade à injustiça anima-nos. Ai de quem ignora estas verdades e dos mais frágeis tenta fazer marionetas sem tento nem vontade.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:37
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