Quinta-feira, 13 de Março de 2014

«CRISE» E ABORTOS

 

Alison Blickle                                                                                                           Liza Hirst  - Thoughtful 

 

A «crise» não é somente a «coisa» de que o mundo fala. É mais. Altera vidas. Irreversivelmente. Muda sonhos e projetos de famílias. Ter mais um filho, é exemplo.

 

Trabalho precário, desemprego, aperto financeiro, incerteza no acordar.

 

_ Será que hoje tenho notícia do despedimento em cima da secretária quando chegar ao escritório? Ou o chefe ma dirá quando estiver frente à máquina pela qual zelo há anos? Há tantos anos que dela ouço o roncar julgando não ouvir? Que aos quarenta me diminui a capacidade auditiva? Como encarar a Luísa quando o pior acontecer?

 

_ O período menstrual falhou. Sinto as mamas duras. Apertei os mamilos e esguichou colostro. Vou à farmácia comprar o teste de gravidez. Para ir ao Centro de Saúde requisitar a análise teria de chegar tarde ao trabalho. Com recibos verdes, tudo é pretexto para despedimento. Não tínhamos planeado isto. O João entende. Como dar um irmão à Mariana? E sinto vontade de lho dar. De o ter. De sentir inchar a barriga. De sonhar com o bebé que (pres)sinto no ventre.  

 

As interrupções voluntárias da gravidez aumentaram nos hospitais públicos e noutras clínicas para onde as mulheres são reencaminhadas A despenalização do aborto nas condições legais contribuiu para o acréscimo. Mas que a nuvem não seja tomada por Juno. Existem novos dramas íntimos a considerar. Quantas gravidezes não programadas, aceites mais tarde, acabaram em alegria familiar? Tantas! Obrigam a ponderar as razões sociais do que, por ora, acontece. A falta de proteção à maternidade e à família, uma delas.

 

E a Luísa, o João, a Mariana continuarão triângulo, quando mais um vértice na geometria familiar podia, com felicidade de todos, substituí-lo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:52
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
Terça-feira, 16 de Junho de 2009

ABORTOS DA CRISE

 

Nguyen Dinh Dang
 
A «crise» não é somente a «coisa» de que o mundo fala. É menos. É mais. Altera vidas. Irreversivelmente. Muda sonhos e projectos de famílias. Ter mais um filho, é exemplo.
 
Trabalho precário, aperto financeiro, incerteza no acordar.
 
_ Será que hoje tenho notícia do despedimento em cima da secretária quando chegar ao escritório? Ou o chefe ma dirá quando estiver frente à máquina pela qual zelo há anos? Há tantos que dela o roncar ouço julgando não ouvir? Que aos quarenta me diminui a capacidade auditiva? Como encarar a Luísa quando o pior acontecer?
 
_ O período menstrual falhou. Sinto as mamas duras. Apertei os mamilos e esguichou colostro. Vou à farmácia comprar o teste de gravidez. Para ir ao Centro de Saúde requisitar a análise teria de chegar tarde ao trabalho. Com recibos verdes, tudo é pretexto para despedimento. Não tínhamos planeado isto. O João entende. Como dar um irmão à Mariana? E sinto vontade de lho dar. De o ter. De sentir inchar a barriga. De sonhar com o bebé que (pres)sinto no ventre.  
 
As interrupções voluntárias da gravidez aumentaram entre 23 a 24% nos hospitais públicos e na Clínica dos Arcos para onde as reencaminham. A despenalização do aborto nas condições legais contribuiu para o acréscimo. Mas que a nuvem não seja tomada por Juno. Existem novos dramas íntimos a considerar. Quantas gravidezes não programadas, depois aceites, acabam em alegria familiar? Tantas! Obrigam a ponderar as razões sociais do que, por ora, acontece.
 
E a Luísa, o João, a Mariana continuarão triângulo, quando um quadrado de amores podia, com felicidade de todos, substituí-lo.
 
publicado por Maria Brojo às 00:37
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (11) | favorito

últ. comentários

Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds