Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

DESDE COLÓNIA

 

Breve a fuga. Sempre curto demais encontro silencioso com o espírito. Também por isso aproveitado cada instante. Fruição. Até na espera do ferry e das sardinhas em Setúbal.

 

Casal de alemães rondando sessenta e pós sai da caravana luzidia. Elegantes, bronzeados, cedem ao vício dum cigarro com Arrábida em fundo. Gozando da brisa fresca, dos meus cabelos por ela levantados, do sol entre nuvens no seu brincar com sombras e repentes de luz gloriosa, sentia com gosto o temperamento da meteorologia.  A mulher aproximou-se e foi o inglês posto ao serviço do diálogo. Comentaria: _ “É rica?”. Perante a minha perplexidade, acrescentou: _ “Esta zona é muito cara. Quem ali circula distingue-se dos algarvios e alentejanos.” Expliquei o critério que preside no ‘Troia Resort’ – pelo custo dos catamarãs, injustamente arredada a população de Setúbal da praia histórica na infância de muitos. Pelos custos elitistas, o português hesita ou é impedido pelos salários e empregos parcos. Seleção obediente a cimeiros interesses económicos tendo em vista lucros crescentes. O homem comparou: _ “ Fosse em Espanha e a costa estaria pejada de hotéis impressivos.” Que não, que em Portugal eram (mal) protegidas reservas naturais. Dei exemplos. Quase batiam palmas.

 

O casal viera desde a harmoniosa Colónia, percorrera Sul de França e de Espanha, permaneceu no Algarve, os dias últimos em Lagos. Espreitaria a Costa Alentejana e Évora. Do Algarve, em particular de Lagos, opinião do pior. No entanto, estabeleciam diferença profunda com a Grécia onde peregrinaram no ano anterior. Lixo, gentes tristes, pobreza a esmo. Em Portugal, tudo é distinto e garantia o casal confiar na ressurreição económica do país. Inquiridos como viam os alemães Angela Merkel, resposta entusiasta de manifestos apoiantes. Europa forte, defendem.

 

A estranheza maior relatada foi a quantidade de autoestradas cortando país tão pequeno. Teriam vindo da Europa os euros? _ Que sim, que haviam sido mal aproveitados ao privilegiarem comunicações viárias em vez da educação como faria qualquer novo-rico. Avistado o ferry, despedida. Mágoa pelo diálogo interrompido.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Som da fuga

 

publicado por Maria Brojo às 16:47
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

CHÁ COM LINHAÇA

Thomas Waterman, Scamato

 

Mal começou o estio, e a silly season aí está espampanante pelas frivolidades de que faz notícias. Não fossem as especulações e «achares» sobre o governo, o futebol e prevenção dos incêndios, a penúria dos portugueses, a já sabida intenção de emigrarem trabalhadores qualificados com que se encheriam páginas, rádios e televisões? _ De cultura em pousio, novelas feitas de tragédias nossas e mundiais, do pároco que assediou a beata mais apetitosa da paróquia, da mãe que matou o tio e foi assassinada pelo filho, do falecimento da mulher mais velha do mundo, brasileira, 114 anos, cujos familiares garantem ser o segredo da longevidade jamais se ter imiscuído na vida dos outros. Ora, neste último particular, há motivo para reflexão. Não sobrecarregar a consciência, dela o pensamento, com ociosidades, espírito optimista que rejeita afligir-se antecipadamente e morrer de véspera como peru natalício constituem dietas mentais que não entopem artérias.

 

É também dito da brasileira falecida ter optado por quotidiano alimentar saudável – pequeno-almoço de café, pão, fruta e chá com linhaça. Ora, tenho para mim, que a metade dos portugueses que este Verão, pela falta de pecúlio, não goza férias ou fica em casa ou pede abrigo a familiares doutros sítios para mudança de lugar, luta por alguma saúde económica e longevidade assisada. Razões: falta dinheiro para cervejas, vinhaças e almoços empanturrados seguidos de sesta anestésica que atafulham estômago e o músculo cardíaco, carvão pra grelhados mais barato do que energia comprada à EDP ou que gás encanado.

 

Claro que o Algarve, malgré promoções tentadoras, ficará mais tranquilo que o costumado – os autóctones melhoram a qualidade de vida sem hordas de turistas nossos e dos carregados em aviões vindos de fora. A economia do sul marítimo e aqueles que dela dependem terão agruras novas; todavia, das agressões ambientais causadas pelo péssimo ordenamento do território algarvio, da pelintrice internacional cedo ou tarde sofreria. 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 12:00
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