Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

"CASEI-ME COM A ARTE; AS MULHERES DIVERTEM-ME."

 

Manu­ela Pinheiro — “Soli­dão em Bola de Sabão”

 

Frase manuscrita no reverso de uma ementa reza assim: “Casei-me com a arte; as mulheres divertem-me.” No ateliê da pintora Manuela Pinheiro, o escrito resta preso via pionés à mistura com fotografias de amigos, a maioria com nome inscrito na história recente portuguesa. O autor foi homem da cultura, falecido quando faltava um para os setenta anos - David Mourão Ferreira. Caracterizava-o o talento como poeta e a mestria na prosa. Em privado, acrescia espontaneidade, rendição aos encantos das mulheres com quem mantinha amores felizes. Depois, por ele descritos e ilustrados com o traço de Francisco Simões, à época Francisco d’Almada. Desenhos resumidos à essência de um gesto, dois talvez, remetem para a mulher fecunda pelo acentuado redondo da anca e mamilos. Inspirados na tensão erótica de amor que inaugurava.

 

A frase, rabiscada a esferográfica, aparenta provocação machista e leviana. Mas o desvendar último do sentido fica a roer por dentro. Com a arte, amor e compromisso para a vida; com as mulheres, fruição de laços que atam sentidos num nó cúmplice, eventualmente terno. Talvez precário. Divertido no sentido de risonho. Folguedo de quem a vida quer cheia e livre. Isenta de obrigações penosas além das inevitáveis no percurso dos humanos.

 

A arte é procura de (…)

 

Nota: texto integral e imagem de David Mourão no ateliê da pintora Manuela Pinheiro publicado, hoje, aqui.

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:02
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

«ESGRAVATA-CÉUS»/«TÊZEROS»

 

 

    

Don Dixon                                                                                                                                     Bill Fogé

 

Eles levantam ouro nas caixas ATM; nós enviesamos o olho ao ler papelote do saldo cuspido pela máquina. Eles têm petróleo; nós possuímos solo exaurido e ausência de recursos. Eles cavam fossos sociais; nós do mesmo não saímos. Eles têm mulheres subservientes, outras condenadas porque na venta arrebitam os pêlos; nós, assim possamos, fugimos dos ditadores domésticos como da cruz o diabo e, à «fartazana», eriçamos, comummente, inestéticos pêlos sendo casa as narinas/ventas. Eles misturam «esgravata-céus» com adobe e tijolo sem revestimento nas habitações; nós construímos condomínios/clausuras de elite e a maioria vive em prédios roídos e na ruína. Eles cativam turismo de luxo; nós os assalariados medianos duma Europa falida. Eles compram griffes como nós adquirimos atum de lata. Eles têm hotéis de milhares de euros por noite, em que tudo sobe e desce automaticamente, quiçá os atributos enrolados na cama XXL; nós disponibilizamos aluguer de sítios com charme para ricaços e «têzeros» que os pelintras, todos quase, utilizam para ir ‘a banhos’. Eles estão cheios do muito que roda o mundo; nós de nada. Eles não viram o Papa; nós folgámos dia e meio. Eles são uns tristes, mas abanam as ancas; nós trememos dentro e fora. Eles vivem em Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos; nós em aldeia abandonada na qual se transformou o país todo. Nós temos, entre outras, heranças do Saramago, da Amália, do Nadir Afonso, do Eusébio, mais a Paula Rego, o Querubim Lapa, a Manuela Pinheiro e fado e Fátima e futebol de jeito. Temos a palavra saudade, verdes a rodos, liberdade de nos exprimirmos conforme normas a passo mais apertadas, democracia carnavalesca, juntamos no mesmo palco B. B. King e Rui Veloso. Eles não.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:29
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Domingo, 30 de Junho de 2013

BICA, ADAMASTOR, "PHARMACIA"

 

 

 

 

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:59
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Domingo, 18 de Novembro de 2012

GALERIA INESPERADA E O LUGAR

 

       Num centro de imagiologia, entram jejuns, ansiedades, temores. Pontualidade é lema e pena – se alivia quem as máquinas esperam, sobra pouco do tempo dedicado ao despacho do “vamos a isto que se faz tarde”. Porque nas paredes obras de arte com qualidade são muitas, somente quem da máquina fotográfica faz recheio diário da mala tem o gosto de levar para casa tanto belo acumulado. É certo, as imagens recolhidas de pinturas que verniz final reveste serem feridas com o brilho do flash. Mas que importa se o testemunho satisfará, ainda assim, a necessidade estética que todos temos?

 

        Desemboca a porta estreita do centro de imagiologia nos Restauradores. E é o belo que persiste no casario, nos ícones arquitetónicos deste lado da Baixa.

 

 

José Guimarães

 

 

 

 

 

 

Nota: apenas mencionado um autor por demais conhecido e pela inexistência de assinatura visível ou, existindo, dificuldade em identificá-la.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Em 2011, Melody Gardot passa seis meses em Lisboa, um lugar em que gosta de escrever e descreve como lugar de paz, lugar para esquecer o trabalho, esquecer a maquilhagem. As influências de Lisboa apareceram bem visíveis no seu terceiro álbum, editado em Maio de 2012, The Absence. Inclui as canções "Lisboa" e "Amalia" que nada tem que ver com a rainha do fado Amália Rodrigues, mas com um pássaro de asas partidas que, um dia, pousou ao pé de Melody, em Lisboa.

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:16
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

QUANDO AS MAÇÃS SÃO BRANCAS

Kathy Sharpe


Caixas brancas. Nem um carimbo à vista. Camufladas. Objectivo: escapar ao zelo dos militares que vigiam a fronteira Síria. Dentro, empilhadas, maçãs lustrosas. Vendidas depois em Damasco. Israel e a Síria ligados por frutos sob asa da Cruz Vermelha. Neste ano, previsto o transporte de dez mil toneladas.

 

Vender fruta é essencial para os agricultores nos Montes Golã. Sobranceiros à região nordeste de Israel, incluem o lago Tiberíades, o maior reservatório de água do Estado Judaico. Há décadas, disputados por países. Milhares de muçulmanos que neles vivem recusam a nacionalidade israelita e preservam a síria. Os drusos são os únicos habitantes de Israel isentos de serviço militar - quase certo o alvo na mira das armas.

 

Marianne Gasser, da delegação do CICV na Síria, a propósito deste novo elo, afirmou semelhante a isto: há alegria pelo acontecimento e interesse bilateral. Esperamos que ajude outras retomas de consciência humanitária. Familiares divorciados pela linha de demarcação é um deles.

 

Que as caixas brancas, em trânsito, encobrindo maçãs antecedam mais «frutos».

 

Nota - pela insuficiência dos produtos germinados nos solos liderados pelo Dr. Durão Barroso, um terço dos abacates consumidos pelos europeus é nado em Israel. Pimenta e tomate, a seguir. Manjerição, cebolinho e hortelã ganham em frescura aos hortícolas chegados do Egipto e de Marrocos. Dos movimentos comunais gerados pela determinação interceptada com utopia, kibutzim foram e são exemplo.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

Inch Allah (Até amanhã se Alá quiser).

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:26
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