Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

PESSOAS E 'LOISAS'

 

Meio-dia cerca, início da romaria. Câmara no bolso, a repórter, pretensiosa pela habilidade que não tem nos enquadramentos e domínio da luz esgueirada pela objectiva, olha o redor. São gentes, Senhor, são gentes que lhe motivam o disparo/«clic». Música na rua, Gershwin na Rhapsody in Blue, malabaristas, a idosa que se arrasta e arrasta alfaces e batatas no carro de mão. Realidades dali, de cá, de muitos lugares. Não se lhes vê obsessão pela crise da travessia, mas vozes políticas lembram-na diariamente. As mesmas explicam medidas, como faseiam os 67 anos previstos para a idade da reforma sem defraudar os que estão para lá do meio da carreira contributiva. Diferença substantiva com o nosso passado recente ao prejudicar quem mais cedo iniciou a vida activa.

  

 

Mais diferenças existem: arte nas ruas, deleitam olhares novos no lugar. Gravuras no mármore do chão homenageiam dramaturgos, escritores outros, cinema e música. Nem um graffiti ou lixo contaminam a beleza do memorial. Civilidade, apreço cultural constam nos transportes, nas ruas, nos recantos esconsos que também os há.

 

 

Depois, há «loisas» que interrompem as passadas. Dissonantes, é impressão primeira. Negativo – alegria é presença, humor faz-lhe companhia. E a afabilidade das gentes? A generosidade para estrangeiros que buscam informação? Não se lhes dá afastarem-se do caminho até à certeza do perguntador em bom recato. Diferença sedutora. Paixão à vista. 

 

 

A liberdade nas atitudes das mulheres que pelas ruas caminham é comum na Europa de cima. Por cá, esparsos arremedos. Mas ali, região conservadora, foram surpresa os comportamentos femininos – sozinhas ou a pares tomam assento nas esplanadas e bebericam um copo. Sem mais. Sem almoço acompanhante. Avó, filha e neta frente a taças de vinho tinto. Ao lado, duas mulheres belíssimas desfrutam martinis. Casais com alguma idade fazem o mesmo, sós ou reunidos com amigos. E não interessa a hora da jornada. Nas faces, estampado o prazer do momento. Gentes que da vida fazem hino sem a modorra da casa.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:24
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