Sábado, 17 de Novembro de 2012

AMORES COM RESPOSTA E SEM ELA

 

Carolyn Blish, Isabel Wadsworth

 

Ela amava. Incapaz de ser quem era sem a família acautelada por gestos e palavras suas que aos amados sorrissem. Gerou vidas com amor. Elas amavam-na. Afetos intensos prolongados ao hoje.

 

Por questões menores, viu-se privada do que enche e alimenta quem ama. Silêncio e afastamento instalados. Provou a aparente inutilidade dos dias. Instantes houve em que sentiu naufragado objetivo na continuidade de lugar terreno. Venceu o lúgubre.

 

Omissas vozes, presenças, abraços e beijos da modesta, porque diminuta família, rodeava-a o peso da solidão. Nele se afundava, não fora gente amiga marcar a presença da amizade, forma outra de amor. Salvou-a também o otimismo, a esperança, o desejo de lutar para trazer à tona o desaparecido. Estivessem ventos e marés de feição, nenhuma oportunidade perderia de obter resposta aos amores essenciais.

 

Era manhã; 9.16h. Por telefone chegou uma das vozes amadas. A mulher de lágrima difícil no antes aprendera a chorar. Por cada palavra, escorria-lhe na face cloreto de sódio diluído em água como escreveu Gedeão, o Rómulo de Carvalho que já não conhecera nas demandas científicas da Física e da Química. Paixão de ambos. Paixão de mais. E às 9.16h aconteceu alegria. Tanta que as cerejas que as palavras também são apenas com mediocridade alcançariam. Evitou-as.

 

Talvez a humildade aprendida nas ciências – hoje verdade, amanhã não – fosse auxílio. Analisou e restaurou lugares santos, íntimos, a caminho do breu. A mágoa do beijo de parabéns que julgara telefonado acabou real na macieza da pele amada.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:21
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

BEIJO DE MULATA

Mati Klarwein, Henry Lee Battle

 

Beijos sempre são. Confirmam amores, inauguram conhecimento pelo aflorar da face, uma atracção que do olhar foi além. Falam e contam de quem os partilha em mistura antecipada dos corpos e suas bocas. Crismam intimidades nascentes como acertadas ou equívocos e, dum modo ou doutro, concebem lembrança que num inesperado momento regressa. Talvez sorriso pintado de nostalgia acompanhe a volta do instante passado, a memória de veludo. Talvez o beijo convoque tristeza ácida se mágoas vieram depois. Mas, ainda assim, certo foi o começo iludido, a expectativa, o arrepio do novo, a fragrância desconhecida, a embriaguez que anulou o deslizar do tempo. Pode viver-se com muitas privações; sem beijos, não.

 

O Abelaira falava no Bosque Harmonioso de muitos beijos e bocas. Cristóvão Borralho por uma enfeitiçado haveria de, feito louco, ir de continente em continente para a reencontrar. Deu com ela, sim, muitos anos depois. A emoção da experiência prima veio intocada. Cessou a busca. Cumpriu o destino escolhido.

 

E se, como escreveu Gedeão, lágrima de preta está isenta de “… sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio.”, já a beijo de mulata encerra mistérios. Germina, selvagem, nalguns quintais de Moçambique. Floresce em rosa ou lilás. Dons medicinais caracterizam-na. Misturada com folhas e ervas seleccionadas, dá provas de combater eficazmente doenças oportunistas do HIV. Hábeis nesta farmacopeia tradicional, curandeiros sábios logram êxito onde a farmácia tradicional falha. Milagres do beijo de mulata que na região de Nampula acontecem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:46
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Domingo, 16 de Maio de 2010

QUANDO A LÍNGUA ENGASGA

Yonos

 

Eyjafjallajoekull. Quem pronunciar a palavra sem engasgo que se acuse. Não eu _ escrevê-la já é susto pela dezena de consoantes e quase metade em vogais. Mas é islandês e vulcão. Após sono prologado, acordou indigesto. Tem vomitado o que nas estranhas lhe interrompeu descanso. Mal disposto e rezingão, continua com soluços e gripado. Tosse e espirros constantes fundamentam o dito dos pastores islandeses: “Mais vale uma ovelha a berrar em casa do que cem a pastar perto de um vulcão.”

 

Voltando à incompreensão de línguas estranhas, ao abastardamento da oficial pela mistura com dialectos locais ou linguajares importados, lembro historieta antiga que a actualidade duma Angola pacificada e em progresso desdiz. Reza assim:

 

“Lisboa manda um telex para o Instituto de Meteorologia e Geofísica de Luanda avisando:

_ Manifestação sísmica. Stop.

_ 7 de Richter. Stop.

_ Epicentro a 3 km de Luanda. Stop.

_ Tomar precauções. Stop.

 

Dois meses passados, resposta de Luanda:

_ Obrigado meismo! Mánifestáção foi travada.

_ Liquidámos os 7 mais não apanhámo o Richter.

_ O epicentro e seus capanga estão todo nos cadeia. Vão ser fuzilado amanha.

_ Descurpa só agora nois responder mas houve aqui um terramoto quia fó*en*o esta mer*a toda.”

 

Nota: tem sido impossível ir além da leitura e do apreço aos comentários. Teresa C. está no bom caminho para desbravar dose surpresa, indigesta, de ficheiros e papel.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:33
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