Domingo, 21 de Outubro de 2012

OUTONO QUE TE QUERO TANTO

 

Obrigação em dia anónimo forçou que entrasse num centro comercial. No último andar encontrei o precisado. Aviada, prestava-me a sair com rapidez de sítio tão pouco apetecível em que lojistas nem as moscas têm para os entreter. A caminho do elevador para o estacionamento - em centros de consumo variado entro e fujo no menor intervalo de tempo possível - eis que me deparo com túnel terminado em jardim. Escolhi-o.

 

 

Onde menos esperava, espaço tranquilo aberto ao azul, vazio, amplo, esteticamente impecável. Fosse pela hora ou pela cobiça de mais tempo no lugar, regalei a vista e o palato.

 

 

A máquina fotográfica que muda de mala tantas vezes quanto eu deixou-se seduzir pelo detalhe/design do espaço.

 

 

Outono dos meus amores nos verdes e nos ocres, volúpia nas espécies abertas ao sol morno. Afinal, no "Colombo" encontrei mais um ovo que me delicia na cidade.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:13
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Terça-feira, 12 de Junho de 2012

É ASSIM

Andre Wek

 

Nove da manhã. No 'Serviço de Análises', carreira onde diabéticos em jejum, portadores doutros males, retiravam da máquina papelucho numerado. Amarelo, por sinal. Sentavam-se nas cadeiras de plástico, obedientes, casais de idade avançada, outros bordando a meia, jovens sem despegar os olhos do monitor onde subiam números encarnados. Idosos acompanhados por cuidadores faziam o mesmo. Ansiedade crescente ao ritmo do relógio. Os aventurados pela hora matutina do arribar, não tinham mais sorte. Hospitais públicos, funcionários preguiçosos, eram epítetos alguns dos soados na espera. Mas não – gentis, diligentes desde o ‘aborda balcão’ até ao final do atendimento.

 

Chegada a vez, eram engolidos por porta aberta durante instantes sem direito a «abre-te sésamo» outro que o não estabelecido. Lá dentro, vampiros de bata branca sugavam o mandado pelo médico com simpatia e cuidado, sem descurar diálogo afável com o utente. E este saía encantado, aliviado, mas com vontade de «pequeno-almoçar» longe dali.

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 16:51
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Domingo, 7 de Agosto de 2011

OLHAI AS FLORES NA E DA SERRA!

 

 

Começada a manhã, nuvens baixas ensombravam-na. Sem desânimo, que os nevoeiros serranos, de espessos e intempestivos , obrigam a condução precavida, continuou o projecto de trepar até onde apetecesse a subida da Estrela. Sussurro do motor em marcha lenta para melhor fruir, na «escalada», dos pertos e longes.

 

 

Oito quilómetros, não mais, para trás o tecto nublado. Céu limpo, faldas e cimos em planos multiplicados, janelas abertas prontas à entrada do ar leve. Mais à frente, dois mil metros somados, a primeira casa no lado oeste da montanha. Arquitectura típica semelhante às seguintes no lugar das Penhas Douradas. Pinheiros alpinos substituem os bravos como atrás e dali em diante. Granito imponente erodido pelas intempéries é mostra pequena doutros seguintes. Perdição do olhar obriga a interromper passeio. Por bandas aquelas, caminham pés diligentes acicatados pelo que nem é novo, mas retoma fantasias sugeridas pelos mistérios sempre renovados e escondidos nos cumes.

 

 

Após contemplação, corridas _ Quem chega primeiro, quem é? _ e risos  e afectos entretecidos com as belezas da paragem e na descida. Para quem desliza rente aos sopés, afiguram-se arvoredos diferentes, aldeias, Aldeias a primeira. Por dissonante do granito inteiro ou parcial em cada construção, o amarelo é ultraje. Convém ignorá-lo – pecados destes enxameiam o país. A curva dos montes sobranceiros protege a encosta no lado oposto à falda serrana.

 

 

Musgo ressequido tenta recolher alimento da base rochosa. Flores do campo, sem nome para os citadinos, imaculadas na brancura estabelecem fronteiras entre pinhais e terreno húmido. Quem garante não servirem, depois de secas, para tisanas ou panaceias receitadas e bem vendidas (impingidas) pelos curandeiros da zona?

 

 

Rocha ígnea, mistura sólida de feldspato, quartzo e mica, emolduram «sardinheiras» - chamam-lhes malvas noutras regiões – e cíclames também envasados. Os quadros aprazem quem passa e de distraído nada tem. Tanta cor nas pétalas suculentas para quem delas faz complemento gastronómico sugere estória real: há par de anos, os anfitriões dum jantar esmerado serviram aperitivos e mordiscadas diversas, entre elas, algumas entremeadas com pétalas frescas. Um dos convivas não esteve de modas fosse pela fome ou distracção: acabou mastigando o pot-pourri na taça ao lado.

 

 

Rosas e hortênsias, a flor oficial da pequena cidade serrana, crescem e enfeitam recantos assim haja sombra e água. A cor decidida pela composição do solo – se alcalino, a variedade é rosa, se ácido o pH, é azul o colorido. Venenosas, quem diria da inocência estampada? Culpadas de sofrimentos físicos conducentes ao coma. Provado é que a beleza pode encobrir malfeitorias.

 

 

Buganvílias, típicas de quenturas, aparecem de quando em vez. Forram muros e dependuram-se em paredes. Contaminação vegetal num país minorca que muito vale e arrebita o orgulho de ser português.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:48
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

COM «Q’ENTONCES», HEM!…

Mark Keller

 

O direito à indignação padece de abulia. Indignamo-nos por dentro ou em conversetas de café. Preferimos a lamúria, dedilhar a guitarra dos valores fadistas sem que de solfejo façamos ideia. Poderia, ainda assim, ser tocada com mestria se existisse dom natural. Mas não. Arranhamos as cordas sem avançarmos da mnemónica ritmada uso de quem e perante candidato a tocador, em desespero, faz teste último: _ “Quantas putas tem Vinhó? Uma, duas, três, quatro.” Se o infeliz obtiver da guitarra som básico e adequado, Alleluia, Gloria in Excelsis Deo. Há esperança, Lord! No contrário, o aprendiz é despedido na hora e que empregue a vontade em fados chorados por instrumentos outros.

 

Havendo demissão individual  de reagir indignadamente ao que fere a colectividade/sociedade onde somos, rola no automático o clássico “deixa andar”. E há mandantes que deste laxismo se aproveitam. E convertem-se em «tiranozecos » impunes por anos, outros tantos em cima. E a caravana passa sem o ladrido dos cães.

 

Vem a arenga ao caso pela “circular do Ministério do Ensino Superior que permite às universidades fazer novas contratações, promoções e progressões na carreira (…).” Ora, ainda que cidadão aprecie a bonomia desmoraliza. Com «q’entonces» as Escolas do Básico ao Secundário pendem congeladas, arrastados na arca a menos de 0ºC pessoal docente e não docente, enquanto o Ensino Superior avança? Lembrados, chavões vários:

- escolas de primeira e de segunda;

- filhos e enteados;

- David e Golias.

 

Pueril, só pode!, imaginava prioritária a escolaridade básica que na sociedade e nas faculdades dá proveitoso lustro. Investimento a prazo médio como o outro. Escolas pejadas de docentes que, à medida do cumular de anos, actualmente pagam para trabalhar, feitas contas repartidas entre paixão e devoção, conduzem-nos ao abandono da actividade, seja por doutoramento ou por reforma. Outros voos, outras vidas espreitam à saída. E saem como tordos do ensino, abanada com violência a árvore onde fincaram vida dedicada. Com tumulto indignado, benza-os Deus, sabem desta excepção ao despacho anterior exarado pelo Ministério das Finanças que formata em números pessoas.

 

Teologia/política de libertação individual e de massas é precisa. E que ao Vaticano não ocorra interferir no assunto.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:37
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

RETALHOS DE VIDAS ANÓNIMAS

 

Porque sem amores é meia festa, porque a desesperança ronda e tinge alegria que para tantos não chega a existir, urgem batalhões armados de afectos e olhares e risos na invenção de modo outro de estar.

 

 

Porque amigas unidas, históricos d'antanho, vencem nostalgias e crises e desilusões municiadas com abraços e partilhas, batalham sem que façam de Aljubarrota terreiro à vista. Outro lhes pertence e nele vencem e convencem pela solidariedade para quem delas precisa.  

 

 

Homens e mulheres, diversidade/riqueza, são testemunho do que pela sociedade cabisbaixa muito e mais e melhor fazem sem desistir. Não se curvam, recusam cobardias neutras, intervêm. Que mais pedir?

 

 

Porque entre gerações distantes a harmonia advém, sejam respeitados valores e modos distantes de estar, não perguntes o que o país pode fazer por ti, mas antes o que podem todos e cada um fazer por ele. Parece e é frase batida, copiada de John Kennedy que rádios anunciam. Quem ouviu anteontem o Pessoal e Transmissível, TSF, do estimado Carlos Vaz Marques com ilustre e denunciadora voz? Nem mais digo para os dedos iniciarem procura. Vale gesto e tempo.

 

 

Alargar redondos de amigos é mais-valia. Tonto é quem deles não recebe e desleixa o aprender. Porque vida é isso: aprender com erros, aprender com sucessos e dores. De tudo fazer ganho. Desde época recente, 1992, os sucessivos governos mentiram e crivaram-nos de dívidas. Não se denunciaram mutuamente pelos hosanas à alternância democrática - uns tinham feito, outros repetiriam, os seguintes consolidaram  a tenda da venda do mesmo. Para sempre, ad seculorum. Não fosse a bancarrota, beatificamente chamada crise, e o povo logrado não dava conta da ratoeira armada. Agora deu. A mentira raramente é salva da perna quebrada.

 

 

Curriculum engrandecido por amiga de ouvido, agora voz e presença. Partilha de coragem, misérias e felicidades mútuas e de variegadas gentes. Obrigada a todos estes olhares/rostos associados a outros que muito lembro por me estimularem o crescer do qual a matriz genética foi pequeno e primeiro passo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:44
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