Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

CHARUTO, JAZZ E CONHAQUE

 

Arthur Braginski, Michael Godard

 

Ontem, há um ano ou nunca aconteceu? _ Não importa! Que a estória avance. Pelos quotidianos cheios, pelas vontades que vão e vêm, pela saudade de um charuto e conhaque partilhado ao som de jazz, chão atapetado como assento, pelo diálogo vertido e reflectido sobre sinais que do tempo vivido em Portugal e no mundo eram correntes, a urgência na mensagem recebida de pronto. Telefonema posterior e teimoso caído no silêncio programado do aparelho da mulher. Mutismo. Resposta escrita, passados eram instantes ao ter arribado idêntica saudade no outro lado da urbe. A coincidência de um ter visto do outro imagem no Facebook lembrando contacto desaparecido da rede social - o automatismo do sistema ignora e não rotula ausências deliberadas. Olhara, dissera ele depois, uma e muitas fotografias da omissa presença. Adviera o sentimento de falta. Isso fora de manhã, contaria à tarde, horas antes de rebate ter soado e imposto digitar caracteres breves no teclado minúsculo do móvel. Daí o telefonema e a mensagem/resposta pelo meio do dia descido.

 

Ontem, há um ano ou jamais acontecido? Tendo sucedido, um automóvel fez-se à estrada. No apartamento em zona nobre, vozes duas límpidas e alegres como antes. Memórias comuns. As transgressões. A clandestinidade que pica, adormece e acorda sem aviso prévio. O apetite pela conversa única que dois seres, específicos, enreda. Enredou na margem do rio, no tapete que a madeira escura do soalho cobria, no sofá para dois da sala/península porque rodeada de livros por todos os lados, excepto num. Em todos, o novo (des)conhecido de um par que se deseja. E foi. E foram mais uma vez amantes. E saíram ordenados por bússolas diferentes.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:41
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Sábado, 29 de Janeiro de 2011

O GULLIVER QUE TAMBÉM ÉS

Arthur Braginski, Carol Manasse

  

Inventa asas. Não esperes. Vem comigo planar sobre vales que separam montes, sobre faldas de montanhas, sobre lameiros. Na subida, sentir o despegar dos pés do chão, ver de cima o lá em baixo. Doutro modo. Doutro ângulo. Doutra altura. Vogar abaixo das nuvens, não se interponham entre os viajantes cujo motor é o vento e a abrangência que as pupilas recolhem. Abstrair dos liliputianos nas ruas, dos transportados sobre rodas, sobre rodilhas que lhes enchem de nada o viver. E se o império do oco ordena pesadelos e pressas e ânsias e baralha essências do respirar, também o da realidade «esquinuda» convoca igual.

 

Esquece, por agora, sermos feitos do barro comum a todos. Desmente a matéria e do etéreo constitui o ser. Vem! Sobe mais alto. Segue-me. Abre os pulmões, enche-os de puro, experimenta a leveza do ar e não fales. Sente a maravilha dos lameiros ensopados e do aroma que exalam. Atenta nas diferenças entre o emaranhado dum bosque, dum baldio, dos campos lavrados e adormecidos, dos pinhais. Não elabores, não penses. Concentra-te no rugir do ar em movimento que lambe encostas e desenha cumes. Ouve. Confessa: _ Há quanto tempo não te detinhas na exclusividade do ouvir? Pára. Um sentido de cada vez. É altura do ver. Distingues a espessura dos verdes rurais da escassez urbana? Assinala o arco-íris na banda/mistura de amarelos, verdes, azuis e malvas crescido do solo prenhe aguardando a Primavera.

 

Desce e conserva as asas. Jamais esqueças a viagem. Não confundas sentidos. Com distintos e complementares, sê liliputiano consciente, extasiado com o Gulliver que também és.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 12:28
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