Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015

A TABERNA DO SENHOR EUGÉNIO

 

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Arthur Sarnoff                                      Edward H. Nicholson

 

 

A taberna do Senhor Eugénio tem décadas de história. Herdada do Sr. Moisés, o pai, no largo principal das Aldeias, prestou serviço público de monta. ‘Matava o bicho’, funcionava como bar – cervejas, vinhos e aguardentes caseiras - entretinha quem das novidades gostava saber como se fora jornal diário, possuía o único telefone da aldeia, recebia o correio que as gentes acudiam para da família receber notícias, era marco de correio, vendia açúcar, farinha, arroz, feijão e bens outros para o tacho, os tachos também, alguidares e plásticos e pesticidas e adubos e panos de chita ou de categorias acima, alfaias agrícolas. O demais vendido seria descrição fastidiosa e no mercado das quintas, em Gouveia, o Senhor Eugénio mais a mulher e a única filha exibiam tecidos à moda para costureiras confecionarem obras-primas. E havia-as, copiadas nos últimos figurinos das coleções que Paris ditava, botões tal qual incluídos.

 

 

 

O Senhor Moisés destinou o filho à mais nova das meninas Brojo da quarta geração anterior à que, hoje, desponta. Por desaprovação da interessada e das matriarcas, o amor pra vida seria outro – militar que em Gouveia veio prestar serviço e depressa se encantou pela beleza, recato, postura exemplar, condição de «menina-família» sempre bem vestida, conquanto sem arrebiques ociosos. Ele, homem e profissional exemplar, desposou a donzela num nevado 31 de Maio na igreja das Aldeias desde há muito associada à família da nubente. Tinha vinte anos a noiva, como a mãe, como a filha que o casal geraria.

 

 

 

O jovem par faria princípio de vida em Gouveia, curto tempo, depois na Guarda, idêntica duração e, pelos sete anos da filha, em Coimbra. Até hoje, a Senhora Brojo, até há sete anos, o amor da vida. Ele dum lado pró outro desde o início da guerra colonial, Áfricas algumas, sempre desfeito pela dor da partida. E aguardava-o a mulher/amante, suavizada a saudade pelos aerogramas e férias. Piores eram os Natais que a «têvê» inundava de mensagens dos forçados guerreiros, o atraso da correspondência, a Noite Santa sem do amor e do pai e do genro e do sobrinho haver notícia. Missa do Galo com lágrimas, mãos unidas em prece, esperançada em que o Menino recém-nascido não se esquecesse do pai, oração crente da menina/filha. Retorno no breu serrano. Eram as férias do Natal e a volta nevada para a Coimbra amena.

 

 

 

Somente recém-adolescente, conheceu a delícia de ter o pai junto continuadamente. Do susto por ele sentido se era batida com força a porta do frigorífico. Da descrição dos horrores passados por conta de tiranos ilusionistas. De tudo viria a saber, já adulta, nos infindáveis passeios/partilhas em tempo de férias na montanha subindo carreiros de cabrestos.

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013

À PROCURA DO «HOMEM»

 

Arthur Sarnoff

 

Por todo o Ocidente, as evidências assustam: violência conjugal associada a morte, elevadas taxas de suicídio masculino, dificuldades escolares dos rapazes, jovens assassinos nas escolas, movimentos de pais contra a justiça(?) que os afasta dos filhos se a rutura conjugal sobrevém. Estes e outros dados – mudanças profundas nos papéis sociais e afetivos dos sexos – sugerem refletir sobre a condição masculina.

 

Recuando cinquenta anos, situaria o começo do declínio do patriarcado. Formal, por que à mulher eram reservadas competências no “lar” e educação dos filhos, seguramente tão decisivas e dominadoras como as atinentes aos “chefes de família”. O acesso generalizado à pílula contracetiva e, posteriormente, ao divórcio para os casados pela Igreja Católica, a entrada massiva das mulheres no mercado do trabalho e o dinamismo dos movimentos feministas abalaram definitivamente as tradicionais estruturas do homem e da família – pai e mãe como iguais, diferentes quando a relação acaba e é atribuída a guarda dos filhos.

 

Se na condição feminina a clareza existe, na masculina é tíbia. Atentando em Portugal, embora o problema ignore continentes, trinta e nove anos após a revolução de Abril, é periclitante o sistema social, económico e político. Mudada a legislação, as mulheres rapidamente integraram atitudes e expectativas tradicionais por outras conquistadas mundo fora. Existem abrigos e proteção para mulheres em crise. E quanto aos homens? Aceitam o mesmo ou prevalecem os preconceitos machistas (deles e delas)? Em 1995, as Nações Unidas empenharam-se numa análise diferenciada pelo sexo. Hoje, presta maior atenção ao sofrimento masculino.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:07
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

NEM SABEM O BEM QUE FAZIAM!

Alex Levin, Arthur Sarnoff

 

O presidente desta coisa fedorenta, por via dos mandantes, chamada Portugal, ontem, fugiu como o diabo da cruz dos estudantes da Escola António Arroio. Concedeu-se tolerância de ponto, já li. Incoerência preferível a ficar mal nos retratos das «têvês» e dos jornais. Ninguém diria ser o mesmo homem que na cerimónia onde foi empossado no segundo mandato, exaltou os jovens centrando-os nas suas preocupações a cinco anos. À escola enviou substitutos apanhados sem cinto e com calças a escorregarem das mãos. Antigamente, a isto chamava-se cobardia; agora, talvez estratégia conveniente. Salvou-se de um desaforo, justo, aliás, mas escondeu-se em areia volúvel sob ventos juvenis. Facto tanto mais escandaloso por se tratar de uma manifestação pacata e cívica de estudantes na área artística do secundário sem, como exemplo, cantina possuírem. Como também li, não tarda, surgir no Facebook explicação que o desenrugue de outra malfeitoria.

 

Hoje, a novidade é outra. Inquieta-se o Sr. Cavaco: _ Porque não é maior a natalidade em Portugal? Resposta sintética: _ Pela falta de estruturas que os mandantes não superam e porque o povo é incomparavelmente mais pobre do que ele. Indo além, a progressiva desvalorização das mulheres na família que trabalham de sol a sol e das famílias deu no que deu. Se o Sr. Cavaco e seus «paquetes» retirassem as máscaras de todos os dias, nem sabem o bem que aos portugueses faziam!

 

Dava jeito ter mais bebés sob o ponto de vista da receita nacional? Os ricos e seus descendentes que os engendrem. O povo está exaurido.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:37
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

ARROZ E “DOU”

Angelo Morbelli, Arthur Sarnoff e Pat Dugin

 

Porque as soluções radicais da crise planetária em poderes e economias rodariam em 180º o mundo, vão surgindo paliativos. Pouco alteram, são migalha de broa inteira, dizem. Contraponho: das mudanças, por pequenas que sejam, novos ideares, outros comportamentos surgem. E porque água tanto insiste até que fura obstáculos rijos, melhor fazem os humanos se objectivo valoroso passar de individual a colectivo.

 

Tomemos como exemplo o hábito de poupar. Meio século atrás, em Portugal, era comum. A generalidade das famílias aforrava parte dos ganhos e constituía pé-de-meia para enfrentar futuro – educar filhos, dar resposta à doença se num mau dia fizesse deslizar o ferrolho. Hoje, poupar é slogan publicitário e os meios de comunicação ensinam o «bêabá» do gesto tão esquecido e diferente pela evolução social e sub-reptícios ou expostos apelos ao consumo. Ganhando pouco ou muito habituámo-nos à «chapa ganha, chapa gasta» - o Estado, os bancos tentaculados ao plástico dos cartões lá estavam para suprir faltas e saciar devaneios.  

 

Duas iniciativas simbólicas merecem atenção. O padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal revelou o desígnio da Igreja Católica em estimular a poupança substituindo a chuva do irritante arroz sobre os noivos pelas tradicionais pétalas de flores que bem podem ser sobras da actividade das floristas. Cálculo feito a um ou dois quilogramas por casamento, quarenta toneladas são desperdiçadas ao ano quando o cereal tanta falta faz a tantos. Gesto simbólico como outro também sugerido aos convidados de oferecerem presentes úteis ou verbas com a indicação de fatia estabelecida num cheque ter como destino obra social previamente escolhida. Na Escócia é procedimento comum. Como reagirão os noivos portugueses? Se faustosa a festa do casamento, concordo. Se simples e de acordo com as dificuldades do casal recente, melhor ajudá-lo com o possível.  

 

Pedro Saraiva, é um dos responsáveis da segunda, inovadora no país. Conta:

_ “O computador do meu pai avariou. O problema estava na placa gráfica e fiquei um bocado irritado com um informático que me disse que a placa nova custava 70 euros e o computador novo 200. Acabei por arranjar uma placa grátis que demorou muito tempo a chegar-me às mãos, o que me fez pensar numa forma de agilizar o processo para mudar mentalidades. Somos neste momento um dos países com um índice de reutilização mais baixo da Europa, o que quer dizer que alguma coisa não está correcta nos nossos hábitos de consumo.”

Nasceu o portal ‘dou.pt’. Facilita serem entregues a quem necessita objectos dos quais os doadores não precisam; vai ao «pormaior» de ter em “conta a proximidade geográfica e o círculo social através dos Facebook dos utilizadores”. Bem visto! Darei volta aos meus pertences úteis mas em desuso e pô-los-ei à disposição de quem os desejar, não esquecendo que roupas previamente limpas, produtos de higiene e outros de semelhante teor irão, como sempre fiz, para obras sociais ou para de quem conheço as precisões.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Sugestão de C..

 

publicado por Maria Brojo às 05:42
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