Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

NÚMEROS E GALO DE BARCELOS

Augusto Cid

 

Desaparecimento de criminosos e crimes é connosco. Como diz o saudoso amigo de infância Carlos Fiolhais, as fugas da prisão de Coimbra são tantas que à porta devia existir uma agência de viagens. Aberta 24 sobre 24 horas, acrescento. Transferência para aquele estabelecimento presumo ser sonho de qualquer prisioneiro. Tal como aconteceu com o Solitário português, aquele que tremia e pedia desculpa no início de cada uma das vinte e nove proezas:

_ “Isto… queira desculpar, lamento, mas é um assalto.”

Depois, justificava o acto de forma comovente. Surripiava o que podia – no total cerca de 500 mil euros – enquanto lamentava a triste sina pessoal. Admira que os assaltados não se tenham condoído e quotizado para acrescentar a quantia roubada.

 

 Os 15 mil crimes com armas de fogo volatilizados nas estatísticas oficiais de 2005 a 2009 seguem a nossa tradição de ‘se não sabes o que fazer com números desagradáveis, elimina-os’. O mesmo com os inscritos nos centros de emprego: 10 mil, de um mês para outro, levaram descaminho.

 

No domingo, meia tonelada de explosivos «voou» para lugar incerto. A segurança no paiol de Senhorim, nele estavam postados em sossego gelamonite e cordão detonante, falhou alegremente. Mais roubos houve; todavia, somente o incómodo do número alertou a PJ. Auxilia a Guardia Civil, não esteja envolvida a ETA.

 

Desconforto com números é produto tipicamente português. A desarmonia matemática, nacional chama olímpica, requer ícone à altura como o Galo de Barcelos.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:29
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Segunda-feira, 29 de Março de 2010

DIAMANTE EM BETÃO?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rem Koolhaas

 

Vinicio Capossela «concertou» na Casa da Música. Desconcertou alguns _ ignoro se muitos pela inexistência de sondagem à boca da saída. Desconhecia-o. Curiosidade espicaçada pelo baptismo de “Tom Waits à italiana”, esmiucei o YouTube. Porque o desejo de mais saber é como as palavras e as cerejas, nunca em demasia, passei do tal Capossela para a cerâmica, desta para a arquitectura e regresso ao Porto. Fio condutor: a Casa da Música. Recursos: diálogo aceso com portuense crítico e Google para a imagem.

 

Nunca entrei no diamante em betão postado na Rotunda da Boavista pelo arquitecto Rem Koolhaas. Chegada ao Porto, inicio-me no Passeio Alegre, deslizo rente ao ondular do Douro quase marítimo, e só depois experimento surpresas. Que as há em cada volta à cidade-amor. Sensual pelos aromas, colinas expostas e esconderijos benignos a carícias aos horizontes cortados por verdes frondosos.

 

Ontem, ficou assente testemunhar da Casa a acústica _ disseram-ma das melhores do mundo _ assim haja apelo na programação. Mirar os azulejos que enobrecem a sala VIP, homenageando a bela arte da cerâmica portuguesa que me rende (a estação de S. Bento é mostra excelente). Distorcer a visão pelo vidro ondulado, parede da mesma sala.

 

A voz crítica portuense não descurou menoridades e perversidades da Casa da Música: concepção como auditório, sem fosso de orquestra que permita espectáculos de ópera quando no Porto é omisso espaço decente para idêntico fim; os milhões envolvidos permitiam mais valências, ou a construção de dois espaços que as satisfizessem.

 

Quero de volta Serralves, a “Árvore” dos meus encantos, deambular entre granitos. Contornar o disparate do mui querido Siza na Avenida dos Aliados, bisbilhotar, em Matosinhos, a “Casa de Chá da Bora Hora” e a “Igreja de Stª Maria” que assinou.

 

Nota: a versão Photoshop da azulejaria concebida por Rem Koolhass não diminui beleza ou mérito. Augusto Cid utilizou processo semelhante nos painéis que ornam as «patas» do viaduto frente ao Jardim Zoológico, em Sete-Rios. Merecem olhares.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:24
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