Sábado, 25 de Janeiro de 2014

64 METROS ACIMA

 

 

   

Carolee Clark – Fashion on Sale                                                      Carolee Clark – Dress Fancy

 

Balanço: animação, multidão, segregação social aqui e ali, estrangeiros como moscas em pote de mel. Manifestações étnicas nem uma!

 

Fazia ideia mínima daquilo a que ia. Mencionaram noite das etnias, espectáculos de rua, do Marquês para baixo portas de capelas de moda abertas até à meia-noite. E fui, curiosa por saber o como da ‘coisa’. Entre o levo automóvel, não levo, o vou de metro e regresso de táxi, ida e vinda com chofer pago ao minuto e ao quilómetro, optei pela hipótese última. Má decisão! Avenida da República empanturrada desde início; no Saldanha um inferno de latas, o mesmo na Avenida dita da Liberdade que era prisão para milhares de automobilistas. Pasmava eu e o motorista, ambos conjecturando razões para tal ajuntamento – a nenhum dos dois passou pela leda cabecinha que o programado pela autarquia tivesse repercussão assim. “Marinheiros de primeira viagem” de acordo com a lenda, fomos presas fáceis das sereias que antes do S. Jorge já se mostravam. Decidido fazer a pé o resto do percurso, doeu-me deixar o senhor enfiado no seu táxi, sem cliente dentro ou à vista, mergulhado naquela assombração.

 

A ignorância motiva admirações ridículas. Foi o caso. Porque imperava o sexo feminino como se os homens considerassem o evento bruxaria, as senhoras enfeitadas para festa de truz luziam strass nas malas, nas minifaldas, nos sapatos com saltos «himalaicos», noutros adornos. À porta das clínicas da moda, meninas imensas em altura total e de pernas sedutoras eram chamariz _ Se fora é assim, imagine o dentro! Dentro era o espumante e vinhos e cocktails e presentes simbólicos. Um destes consistiu numa pen que permite aceder ao último grito da marca. Rosnei em silêncio: _ E se fosses à cata de pinhas para acender no Inverno a lareira?

 

Mulheres de todas as idades entravam naquela dos 20% de desconto permitirem compra de luxo por menos euros. Cedo desistiam: de que valia o abatimento num par de sapatos de 650 euros? Bobones & Lilies alçavam a perna abraçando mocetões sem defeito à vista para fotógrafos bajuladores captarem o momento. Certo é que sem olharem o custo duma peça, diziam: _ “É linda! Ó Paula, reserve-ma.” Duvidei que o propósito tenha sido compra, mas sim empréstimo para embasbacar incautos numa festa.

 

No Chiado e no Camões a gentiaga aumentou. Romper, flûte na mão, a mole humana exigia habilidade e determinação. Gritavam animadores de rua, música ou o que dela fazia vezes. Pessoal muito alegre, sorridente, subia e descia o Bairro Alto. Não fora comiscar umas tapas e fornecer descanso aos pés e jazz em forro da noite cálida e o diálogo que entre muito amigas sempre apetece, soçobraria. Assim não. Já de volta, no táxi, entretive-me a ler altitudes no GPS pespegado nas costas do assento do pendura. Vi que o cimo da Rua do Alecrim está a 64 metros acima do nível médio do mar, o final da Rua da Misericórdia e começo da de S. Mamede a 86, da Politécnica para o Rato baixa até 79, continua a descer até à Avenida para atingir 120 no final do Campo Grande. Habito 130 metros acima das águas marítimas. Neste tempo de excessos meteorológicos que zangam oceanos, bem bom!

 

CAFÉ MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:06
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

MEIA DÚZIA DE OSTRAS E MUITO MAIS

 

Autor que não foi possívedl identificar

 

Noite de sábado de um verão sem arrefecer a pele. Lisboa por cenário. Na rua da Barroca, a «espumanteria». Casa de boa comida. Ostras como entrada; seis em número, tamanho e frescura a preceito. Germinadas em França, adultas no Sado. Limão cortado noutros tantos gomos. Espumante rosé nas flutes. O prato de substância foi risotto de alheira e trufas. Dispensada a sobremesa. Como remate, café.

 

Pela eficiência e conhecimento do servido, pela afabilidade isenta de snobismo, lugar para muitos regressos. Desde 17 de Setembro, mais mesas e sítio para fumadores que outros  lugares de serventia ao palato ostracizam.
 
Quem, no Bairro Alto, não cometia infidelidades ao Pap’Açorda ficou rendida. Afinal, a mulher faz em casa semelhante à mítica mousse de chocolate do sítio/referência. Até a Cila, bem ensinada, deixa produto melhorado em taça no frio. Perfeita. A Cila e a mousse.

 

Abaixo da Travessa da Espera, «morangoska» no Cenas de Copos. Fresca e deliciosa. Na Rua das Salgadeiras, o Bairro Arte. Objectos alternativos que retêm o olhar. Um trolley de compras em verniz preto, «one» cosido em branco, faz arranjo no transporte das minudências de fim-de-semana vendidas nas mercearias de bairro. O chique cabe em qualquer lugar se tiver serventia.

 

O Bairro, dito Alto, apetece de raro em raro. Antes da enchente noctívaga, que nele se peregrine e seja descida rua/viela até ao Camões.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 11:00
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