Terça-feira, 3 de Abril de 2012

CARTA AO DESCONHECIDO


Barbara Cole


Preciso de mimo. Estou, sentir raro, cansada. Esforço de semanas culminou em horas muitas e consecutivas de trabalho. Amanhã é outro «Dê» dia. Tantos detalhes para ultimar!

 

Gostei da fala contigo. Quebrei norma pessoal - liguei eu. Não me arrependi: a voz é tão mais que a escrita! Depois, sou mulher de sentidos e sentir. A escrita como substituta do diálogo é «poucochinha» _ ouvir, pressentir significâncias nas pausas ou interrupções vai além. Ajuda ao conhecimento pelas teclas empobrecido. Insuficiente. Somos tão mais do que saliências premidas!
 

Entendeste-me como desde há anos. Dizem-me forte. Vulnerável também, digo eu. Prezo trocas solidárias e cúmplices. Mimar. Serenidade e explosão que misture arrepios do corpo e da alma. Contraditória? Sempre. Mas tento equilibrío nas vertentes da matriz. Fico em silêncio, se triste. Falo baixo, se zangada. Riso pronto até nesses momentos - basta pequeno 'abracadabra' para o brilho interior regressar.

 

Este escrito pertence à intimidade da mulher cuja voz é, como a de todos, meio de colar o longe/perto. De reflectir com aqueles em quem confia. De apurar o interior treinado anos a fio.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

 

publicado por Maria Brojo às 13:23
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

O NÃO DITO

Barbara Cole

 

Ela admirava-o havia anos. Distantes nas áreas pedagógicas. Humor corrosivo o dele, dela a diplomacia, cigarros e falas nos intervalos sempre curtos demais. Ele casado, ela numa relação com pra cima de dezenas d’anos. Ele com filhos, ela também. Nunca vinham à fala intimidades nos precários minutos dos intervalos entre aulas. Virados para o Sol de Inverno, ou protegidos da soalheira estival pelas árvores raquíticas na Rodrigo da Fonseca. Em grupo, quase sempre. Olhares revelando o indizível. Silêncios faladores. Cigarros como pretexto do cala corações. Mas diziam. Medos e contenção no digo/não digo. E era o não dito a mais-valia. Incertezas dum lado e doutro. Omissos dizeres frontais.

 

Foi precisa manhã de Inverno para o oculto ver luz. E viu. E comoveu. E verdades subiram à tona com anos de atraso ou não – a vida aconteceu no momento próprio do acontecer. Comunicaram. Expostas almas. Afinal, ele estava divorciado havia trindade d’anos. Ela sem saber. Emoções sobrenadaram. O par com elas. Futuro? _ Interessa? O momento vale e as vidas jogam-se na sorte ou dela pouca.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:53
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

A DOCE GUERRA

Barbara Cole

 

Ele dizia-se feliz na pacata e terna domesticidade até ao fim do tempo que as vidas limita. Pelo impulso, que o não foi porque ponderado/emotivo, arrojou mulher que o intrigava. Aceite o desafio cego pela outra parte, a lei das probabilidades ditou fascínio que aos dois arrebatou. A matemática dos amores existe com parâmetros e incógnitas outras, com símbolos impetuosos desenhados pelos sentidos, quereres porque sim que a lógica e álgebra clássicas não deduzem ou encontram resultado único.

 

Pelas diferenças e proximidades das matrizes que a linguagem apaixonada reclama gémeas, foi inaugurado amor. Para sempre, juraram homem e mulher. Na lógica improvável nas paixões onde razões ignotas são dados e permitem hipóteses variegadas, muitas o par construiu com horizonte desejado – juntos para sempre. Mas havia a parceira, o histórico acumulado, a família alargada, o ganha-pão dele num extremo, o dela a meio. Mais coisas grandes e pequenas lastravam o ser: a amplitude verde limitada por muros que estendem da casa as paredes, as fronteiras do estar. Somadas, prolongavam o homem. Outras, diferentes, alargavam a mulher que no centro habitava. Do casal, a crença selvagem de remediarem lonjuras – um descia, outro subia ou o contrário até dia próximo.

 

Derramavam desejo na doce guerra dos lábios e dos membros e na alquimia de suores exalados. Juntos, eram mais que dois – o casal acontecia e triangulava espaço insano, normal pela obediência aos instintos primordiais que confundem num só os amantes.

 

Sobrevindo dúvidas – arrisco?, desisto? -, ponta de frio arrepiava. E nas noites mal dormidas, cada um em sua cama ainda não única e partilhada, golpeavam os espíritos alertados medos e senso e (im)possíveis. Pela manhã, havia pouco nascida, as vozes trocavam juras e tendiam a esquecer o que a noite pensara.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:32
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

“SEXO? SIM, MAS COM ORGASMO”

Barbara Cole, Paul S. Brown

 

Porque não Moçambique como sujeito das rebeliões sociais que por esse mundo correm? Tem dias, mas o recuo governamental nalguns dos itens que tornariam (mais) insuportável a vida ao povo aconteceu. Os protestos continuam, em lume brando agora, podendo atiçarem-se de um instante para o outro. Houveram mortos e chamas altaneiras nos ânimos. Do rescaldo, ainda não é sabido o reatar do incêndio popular ou acalmia.

 

A um país de distância, cerca portanto, em França, 2,5 milhões protestam na rua contra os 62 anos de idade cumpridos para o direito à retraite oficial. Em 65 vamos nós e continuamos quedos pelo fantasma erguido das pensões de reforma, se permitidas antes daquela idade, não chegarem para todos. Pela pobreza atávica que nos persegue, demos em insatisfeitos mas caladinhos, não esteja mal desvendado o terceiro segredo de Fátima e escondido um quarto – acabaremos como há quase quarenta anos começámos, o mesmo é dizer na pedincha, sujos pelo medo das reformas não darem para o pão e farmácia e para quem as receitas passa.

 

Após anos de trabalho e condições umas (iniciais), a magreza do Fundo de Pensões transformou noutras duras de ruminar. Para nós e para os franceses foi-se o sonho de retraite descansada, viajante, alegre com a descendência ‘piquena’, segura, com tempo para vida boa e projectos por concretizar, para sexo sem despertador cruel apontando a madrugada. Razão tem a Guida Maria, de quarta a domingo no palco do Auditório do Casino Estoril, em dissertar sobre sexualidade isenta de tabus e com boas práticas dos intervenientes em qualquer idade. A comédia "Sexo? Sim, mas com orgasmo" de Franca Rame e Dario Fo ironiza sobre a importância do orgasmo e deu largas ao congeminar da mulher/escriba. Porque será tão importante para um homem que a mulher se liquefaça e esparrame em gritos no auge do prazer? Se dispensar o foguetório habitual não o sentiu? Porque será, segundo alguns eles, ser-lhes penosa erecção no sexo sem a masculina prova líquida consequente e evidente? Porque não aceitam como gratificante sexo em que a erecção não arribou e pelo facto experimentam o terror do fim, ainda que seja lonjura o peso dos anos? Porque não valorizam formas outras de prazer que deles a parceira recebe? Porque será que o estigma da reprodução nos coitos lhes ata ainda a jugular?

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia de Açúcar C.

 

publicado por Maria Brojo às 08:24
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Sábado, 13 de Março de 2010

ENDEREÇO? _ (DES)CONHECIDO

Barbara Cole

 

Hoje, dia de CITIDEP das nove às dezanove. Feliz. Sem lamúrias - de aprender, não desisto. Actividade integrada na estratégia do LabTecCS e Planning -  "construir capacidade de investigação de ponta, com sinergias entre tecnologias avançadas e as ciências sociais. Fruto dos laços estreitos de cooperação cientifica com o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (Instituto de Ambiente e Sustentabilidade-JRC), e com o Centro de Investigação de Tecnologias de Informação para uma Democracia Participativa (CITIDEP), foram cedidos equipamentos especializados de medida de poluentes do ar (PM 2.5), AM510 SidePak Personal Aerosol Monitors. Valiosos (custariam mais de uma dezena de milhares de euros), irão ser usados para investigação e desenvolvimento na equipa e-Planning". A investigação em Portugal cuida do ambiente que a todos envolve.

 

Ontem, escrevi:
_ “Sou mulher do mesmo e outra.”

 

Não entendeu. Descodifiquei:

_ “Semelhante, na diferença, às congéneres. Banal e incomum, portanto. Ser opaca no discurso escrito, jamais na oralidade, seduz-me. Gosto, mania, opção? Tudo junto! Quando escrevo, apetecem-me códigos, porque o mistério é fascínio que me fascina.

 

E sim, aprecio descaros (in)convenientes. Fui «perversinha» - «inhos» e «inhas» tão portugueses! Objectivo: saber mais um pouco de si. Esteve bem, como de costume.

 

Sabe? Não me importam julgamentos alheios. Mas preciso de conhecer mais de quem os emite. Feliz, a sua resposta à provocação.

 

Bom dia! Temos luz risonha nesta "alface branca " captada exemplarmente pelo Tanner - lagarta preguiçosa, misteriosa e humilde, exposta ao sol."

  

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:55
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