Terça-feira, 24 de Maio de 2011

"UMA CRÔNICA PORTUGUESA, COM CERTEZA”

Barndog


Acaso: encontrei estes escritos que não lembrava no Lua Quebrada. Blogue brasileiro cujo «dono» deu com o SPNI e publicou pinturas do Barndog em arquivo meu de outrora que já não possuo.

 

Começa assim: _ “Quem tem peito vai a Lisboa. É isso? Ou nada disso, ó pá?”
Procura-se, acha-se. Por lá, por cá, há sempre um site, um blog, um texto que nos chamam a atenção, nessa rede infernal. Por acaso – sempre ele! – encontrei a Teresa C. Só isso, Teresa C. Portuguesa, blogueira, cronista com sabor da velha terrinha, sardinha assada e pastéis de Belém. Bebem-se ou comem-se suas palavras com o sotaque carregado da lusa gente, tão diferente, sendo tão igual.

Teresa C. e os sutiãs. Que fala de peitos, de seios, de encantos, de mulheres. Dou-lhos a ti, caro(a) leitor(a) eventual desta Lua, às vezes quebrada, às vezes em frangalhos, mas sempre novidadeira. Para ler com o lusitano sotaque de Lisboa, de Coimbra, de Trás-Os-Montes, se quiser (e... ah, sim: seu blog chama-se SEM PÉNIS NEM INVEJA):

SUTIÃS

«Soutenir». Aparar. «Soutien». Sutiã. «Poitrine». Peito, mamas. «Apara mamas» na gíria. Masculina. Nacional. Sugerindo decadência. Atributos pingões. Prontas a deslizar se libertas da suspensão. Como calças de barrigudos que por via dos suspensórios as retêm. Ou pénis estafado sem reacção. Em qualquer caso decadência. Ou se aparam, ou caem no chão. Aqui chegados, é altura de olhar de lado os cães, não estejam esfaimados e abocanhem o que caiu.


As mamas naturais, isentas de cortes, implantes, injecções de sutiã químico, escasseiam nas proeminências sociais que da imagem fazem sustento. E compreendo - em tempo de espírito diminuído, a generosidade dos atributos pudendos cresce na mesma proporção. Em qualquer dos casos carecendo de mais do que suporte - tapa-mamilos. Esta é a verdadeira questão. Os mamilos são atrevidos. Revelam, sem apelo ou agravo, da mulher a natureza sexual. No tempo quente, a finura dos tecidos carece de forro íntimo, não se arrepiem os bicos mamários e expluda a fantasia dos espectadores. Masculinos, já se vê, porque as damas conhecem desses botões os humores irracionais.

A escolha de um sutiã não é acto leviano. Preservando o que o nascimento forneceu, raro é o contento feminino com cabelo, rabo, e mamas. Podem eles admirar o que nós desaprovamos que nada altera. Admito que um quarenta, até ao metro e setenta de altura, é excesso escusado. Inclina a coluna e sobrecarrega o aspecto da mulher. Depois, obriga a sutiãs reforçados, que disfarcem o peito e permitam figura elegante. Ficam espalmadas as mamas como biscoito que não cresceu. Por outro lado, sendo redondas, o sutiã é suposto exibir delas a conjunção (rego) sem dispersões banais. Entram ao serviço os arames forrados para as conter no centro. Pequenas, obrigam aos arames e a enchumaços nos sutiãs. De bom tamanho, porém largas, ou caídas, vão-se os enchumaços e ficam os arames. Com vestido cai-cai, a complicação é maior. O nada é o que prefiro. Porém, para os extremos da abonação, enormes ou pequenas, caídas como sacos de supermercado, termina pouco acima da cintura o que a caixa do peito não prevê. A desarrumação é total. Os sutiãs sem alças ou marcam gorduras ou espreitam do vestido ou não cumprem de suporte a função.


A metafísica do sutiã carece de estudo adaptado a mulheres. Empanturrados que os homens estão de imagens da perfeição dos mutantes femininos, os inocentes desiludem-se com o real, os experientes, cumpridos os mínimos, valorizam o toque, a forma que lhes enche ou sobra da mão, a macieza da pele, o mamilo eréctil à carícia, o prazer que nelas e por elas a mulher tem. E eles por vida delas – das ditas e da dona que sabe aproveitar o que tem.


CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:23
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

IR ONDE É DEVIDO


Barndog

 

Nem sempre com razões. Impulsos. Comprar voo na última hora. Telefonema que marca pernoitas – Teresa outra conhece, há vinte anos, imprevistos desejos. Trata das faltas. Em menos de trinta minutos contados, cama garantida e mala feita. Boby ínfimo sem necessidade de check-in. Dentro, duas mudas de roupa e calçado. Sacão ao ombro com restos que embaraçam seguranças dos aeroportos. Rápidos para mostrar sem intimidades expostas. Arrisco o scanner imposto, agora, nalguns destinos aéreos. Tornam nus os vestido na fila, mal-grado a pequenez do sutiã e do fio. Fáceis condições, estas, de exibir/provar inocência em actos terroristas!...

 

Anunciada por voz segunda, visionária, urgência num rumo pessoal e adiado. Descrédito como princípio, recuso previsão do meu futuro cujo existir desconheço, lembrei o «quase» d’algumas vezes. Desmarcadas – projectos de maior importância que a profissão ou os dias comandaram. Em Julho, a última. Não sendo influenciável por recomendações que escapem ao meu filtro, percebi, enfim!, o oxigénio daquele destino. Quebrar pré-conceitos e escutar outrem tem ocasos/acasos/casos destes.

 

“Há mais coisas debaixo do céu e da terra do que aquelas que alcança a tua imaginação”, ou frase semelhante, escreveu Shakespeare em Hamlet. Voluntariamente submetida a situação nova, entendi o risco do espírito experimental. Meu. Quem está habituado a seguir etapas - da formulação da hipótese, verificar o indutivo e passar à dedução - rejeita fugas primárias à lógica habitual. Mas fica o remoer. Mói e remói como moinho de beira d’água que do grão faz farinha desde que o vento ou a água corram. E correm, sem laboratório que os confine.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:28
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

HONG KONG, VIA MACAU


Barndog

 

Dum Homem unido por afecto amigo e admiração, o texto publicado no último número da “Volta ao Mundo”. Nas bancas, para o seu, nosso, deleite.

 

“Hong Kong, via Macau. O jet-fuel no tom pardo da água, o deslizar tranquilo na espuma branca e oriental. A humidade que se cola nas páginas adormecidas, agentes e vilões em traje de verão.
 

A fronteira. James Bond procurando um Rolls Royce ou molhando o mármore de um qualquer five stars hotel.

Autocarros de dois andares made in Portugal, matrículas com iniciais de nomes, combinações de números que se compram em leilões de sorte.
 
No alto, a neblina de Victória, a geometria alterada do Bank of China, barcos e, mais tarde, néons concentrados no asfalto. A fadiga e o calor, líquidos que se esvaem em horas intermináveis de passeio. Ao jantar, cobras em gaiolas como lagostas em aquário, o fumo das ruas, o vermelho intenso em cada cabeça de dragão. Olhos amendoados e saias mini. Muito e muitas. Figuras saídas de mais filmes e memórias comem ostras, bebem chá.
 
 É noite. A baía então acontece numas 1001 noites transferidas de Bagdad para outro extremo do mundo. Um barco, multidões dançando em soft music. Pares que se beijam, iguarias que se varrem numa contabilidade a acertar. Na coberta, um vento quente, talvez brisa, no espelho aquático que nos enche os olhos. Todas as marcas no mais ocidental da China, o poder em moeda forte. O nome do ex aeroporto, Tai Pek, como nos calendários adormecidos na Lisboa donde se partiu.
 

O gigantismo dos terminais, a nova porta, Cathay Pacific, London Heathtrow.
 

Na babilónia cruzam-se as rotas que não virão num dia outro. A noite pesa. Num banco anónimo da turística, ecrã diante, voando já como aprendiz de pássaro. Agora.”

 

Fernando Jasmim, in Volta ao Mundo, nº177, Julho 2009

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:27
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