Terça-feira, 22 de Abril de 2014

OS ‘DIAS DE’

 

Andrew Bennett

 

Enchem o calendário os ‘Dias de’. Noticiam o acontecido em determinado dia de um ano qualquer. Só em Abril, uma dúzia de assinalados. Houve a 1, o Dia dos Enganos, a 2, o do Livro Infantil, o Dia Mundial da Saúde a 7, o da luta contra o cancro e da astronomia a 8, o da Imprensa a 13. A16, o único que nasceu da proposta de um otorrino português e foi "exportado" para o resto do mundo - Dia Mundial da Voz. Mais três aguardam celebração: amanhã, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor e o Dia Mundial do Escuteiro, a 29, o da dança. Faltam três dias para o Dia da Liberdade que os cravos enfeitam. Hoje, em quase todo o mundo, cabem à Terra vinte e quatro horas que a pensam. O seu futuro, em crescendo, inquieta os espíritos. Não é ao acaso dito que o planeta deve proteger-se do homem. Aos sete pecados mortais que fazem sofrer o planeta, foi somado o da poluição eletrónica. O lixo informático acumulado, traduzido em energia, alimentaria milhões e milhões de casas. E fica novo recado aos atentos ambientais: usar com parcimónia e utilidade as teclas.

 

Ao ser difícil poupar a Terra sem poupar o homem, não podia omitir do Dia da Terra! Ela nos faz e constitui. Átomo a átomo incluindo o imenso vazio entre eles.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:40
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

S. MARTINHO ANTECIPADO

 

Anoitecera e chovia. Para trás, distância curta, duas mulheres irmãs, as meninas Brojo, ficaram na Unidade de Saúde de Coimbra. Por razões clínicas ali permanecem desde 5 de Setembro. Autónomas, orientadas no espaço e no tempo as mais das vezes, apetece trazê-las para casa. Interdição médica obstaculiza as harmónicas vontades familiares. “Não é possível”, “não pode”, “não deve” ouvido dos especialistas, é tradução de desgosto indizível. Corajosas, adaptaram-se, na outra, uma se apoiou, e são as meninas lindas do espaço como outrora o foram no povoado onde nasceram. Sorridentes, participativas, elegantemente arranjadas, têm palavras e gestos solidários para todos, mesmo para os que mal ouvem, gritam desvairados, circulam sem destino em cadeiras de rodas.

 

Vão para Lisboa reunirem-se à família. A “Casa de Repouso dos Leões” espera-as num T1. A filha e sobrinha única encarregada de esvaziar pertences de roupa, malas e calçado a casa da sua infância e adolescência – com vinte anos saíra para desígnio usual. Telefone, cabos ópticos desligados, frio de tremer ossos - recusa-se a ligar aquecimentos que lhe façam doer memórias do aconchego doutrora. Até sábado ou domingo, fará o luto dum tempo, dum espaço onde foi feliz dentro, a caminho do liceu, da faculdade, de regressos quentes à casa dos amores, hoje vazia até acender a luz do corredor. Por isso almoça e janta fora, não remexe o que a D. Lúcia deixou arrumado e asseado.

 

Saindo da esplêndida unidade onde dois amores irão jantar e dormir rodeadas de mil cuidados e atenções, a filha e sobrinha decidiu jantar numa

tasca próxima da casa de família. Recheio humano: um bêbado e dois à beira do mesmo, um dono surdo, uma mulher/esposa afável e boa cozinheira. Após a magra refeição insistentemente solicitada em dose mínima, o dono e a mulher devem ter considerado a mulher do canto mal alimentada. Paga a conta, cinco euros, trouxeram castanhas e jeropiga. Lágrimas corriam no meu rosto. Faltava a erva-doce que a mãe não esquecia, havia S. Martinho antecipado com desconhecidos, a sensibilidade de quem me pressentiu fragilizada, as primeiras castanhas do ano descascadas a só.

 

 

Nota: texto escrito com lágrimas involuntárias na face, enquanto hoje, ainda oito de Novembro em Chicago, um amor celebra aniversário. Parabéns ‘Branca de Neve’!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 00:10
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

AMORAS MADURAS

Ken Martin, Paul Wolber 

 

Da sedução dizem ser arte. Dom. Talento. Passível de retoques e evolução como a escrita ou a música ou a escultura ou a representação. Envolvendo técnicas que o exercício, e dele a aprendizagem, apuram. Não subscrevo: a sedução ultrapassa arte limitada a encenado e comezinho estar. Seduz quem dos outros quer saber. Ouvir. Arredados artifícios langorosos ou dicas de manuais. Seduz quem não teme a vida, aprendeu a dor e os (des)encantos e a graça de um sorriso. Avaro nas emoções centradas no umbigo pode usar máscara e simular agrados; porém, virá rajada que arranca o postiço e o olhar sapudo acumulado com gelo egoísta.

 

Quem se quer bem recolhe dos dias, uma a uma, todas as amoras maduras. Sabe que arranhadela ao estender as mãos à suculência dos frutos ensina – de futuro, cuidará de afastar pelo extremo tenro os ramos cheios de picos, sem desistir de, amorosamente, sentir na boca o fruto. E para que existem amoras se não para serem colhidas? Definharem no arbusto, cobertas de pó e roídas por bicharada imprecisa é desbaratar a perfeição da natura.

 

Porte desafiador do longe, espírito empreendedor e destemido, sorriso pronto da alma, olhar que muito deseja receber e devolver são encantos ganhadores aos comuns saltos-agulha, enredos prometidos por vestido coleante que a pele despe, cabelos brilhantes pelo meio das costas nuas, pernas de cetim que fecham e entreabrem promessas. Seduz quem de si gosta. Quem não descura o espírito que também recomenda cuidar do corpo e da imagem por respeito/agrado ao próprio. Seduz quem nos outros cria desejo de mais e mais para o devir.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:47
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