Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

GENTES E CORES

 

Cartazes. Divulgação de Iniciativas. Chamada de atenção dos passantes para realidade colorida, incompreendida?, portuguesa e mundial: imigração e multiculturalismo. O número de estrangeiros em Portugal não pára de crescer desde o dealbar dos anos oitenta. Os dados oficiais não contabilizam autorizações de permanência e residentes ilegais. Muitos desaprovam a “chusma de negros, brasileiros, ucranianos e outros que tal.” Acusam-nos de surripiar empregos aos autóctones, de vilões dados a roubos e agressões. Ponderassem quão bom sinal a presença de imigrantes pode significar, a riqueza multicultural que a todos abrange, varressem estereótipos, e seria diferente a aceitação de gentes nascidas longe deste pobre canto europeu.

 

 

Cruzam ruas, pisam calçadas a caminho da subsistência, da busca de trabalho. Percorrem dia afadigado ou o vazio da idade e da falta de legalização, de trabalho por decorrência, o medo de serem expulsos se agente da autoridade os indagar. Alguns, com orgulho ou por uso antigo, trajam respeito pela tradição dos ancestrais. Emprestam colorido à cidade, alertam para real novo impossível de esconder sob tapetes puídos. Não raro, mais habilitados e cultos que os companheiros de trabalho portugueses, nomeadamente se originários dos países de Leste. E é ainda  o tempo de na Europa, imigrante nossa não passar de la petite portugaise, mesmo que doutorada e em trabalho de investigação. Por cá, no hoje, cenário parecido. Dizem «senhoras donas»: _ “Que sorte! Arranjei uma empregada croata que me fica barata; humilde e séria, vê lá bem! Além de despachada nas limpezas, ajuda os garotos nos trabalhos de casa. Era engenheira química, acreditas?”

 

 

Vêm do perto ou do longe na cidade para convívio em lugares onde encontrem concidadãos e produtos chegados das terras onde nasceram. Dois dedos de conversa, a revista ou o jornal na língua matriz que suavizem saudades e o deixado para trás.

 

 

Mais gentes, mais cores, mais fácies incomuns no Portugal ‘d’antanho’. No presente, metade dum milhão de imigrantes; maioria masculina e com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos. Valores confirmados por estatística redonda de quem os olha e fotografa por mais desejar saber. 

 

 

Nota: la petite portugaise – designação das funcionárias domésticas na França, fugidas nos anos sessenta dum Portugal sem esperança.

 

CAFÉ DA MANHÃ

  

 

publicado por Maria Brojo às 09:23
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