Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

OUTRAS MEMÓRIAS DA VIDA OPERÁRIA EM CIDADE TÊXTIL - GOUVEIA

 

David R. Darrow

 

De tão bela mereceu alcunha: Emília Bonita. Rapariga viçosa, morena na pele e no cabelo sedoso. Para estudos além da quarta classe era curto o dinheiro dos pais. Duma fábrica têxtil na vila próxima, não escapou - antes isso que pés descalços enterrados na terra para a ceifa, apanha das batatas a troco de quase nada. Pela madrugada, dois quilómetros a pé se era de dia o turno. Sendo Inverno, neve e frio eram açoites. Aos poucos, cortavam rente a esperança de vida melhor. O passo era corrido, não ouvisse a sirene da fábrica antes de nela entrar. Acontecesse chuva torrencial e chegada mais tardia do que o hábito, em falta tempo para aquecer junto às brasas incandescentes; a roupa encharcada secava no corpo e os pés nos botins de gelo.


Patrões, empregados de escritório, debuxadores, responsáveis do fio, tecelões de primeira, segunda e terceira. Urdideiras e caneleiras. Masculinas as tarefas superiores ou criativas; às operárias esperava-as a repetição dos gestos que não carecessem de raciocínio. Suportadas as horas de trabalho sem limite definido, e, após a dureza do caminho de regresso, outros encargos esperavam: a lida da casa, os filhos para tratar, dar de comer às galinhas e ao porco. Os homens iam diretos para o cultivo do campo donde recolhiam alimentos de sobrevivência. A noite curta mal dava para aliviar os ossos da crueldade dos dias.


A Emília Bonita, como a Lurdes do Zé Cunha - rapariga loura, pele branca de cetim - e tantas outras como estas, pelos dezasseis anos, sofriam rito iniciático no mundo operário. Patrões experimentavam-lhes o corpo após a máquina que as prendia delas ter sentido os dedos. Assédio sexual prolongado não havia - iam direitos ao assunto sem mais. Elas perdiam a virgindade, cerravam os dentes e fechavam a boca após a agressão pelo temor do despedimento. Um momento de dor e mais nada, julgavam, por ser ato comum e sabido antes da entrada. Gostando da «primeira vez» (...)

 

Nota: texto publicado na íntegra aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:31
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

FRASES QUE IMPÕEM RESPEITO

 

Kenney Mencher 

- Ele manda-me um sms. Respondo, ao fim de algumas horas, por email. Ele protesta porque eu deveria ter usado idêntico meio de comunicação na minha resposta. Significa então, pergunto, que se amanhã receber um telegrama serei obrigado a responder também por telegrama? Exatamente, diz ele. Amigos, não são fáceis os amigos.”            Pedro Lomba

- "Não se pode exigir "demasiada" integridade aos deputados, ou não haveria nenhum"
Mendes Bota, presidente da Comissão de Ética da Assembleia da República          (Através de Telmo Vaz Pereira)

 - “Qual a diferença entre língua e linguagem?
- "Língua é o que fica na boca e linguagem é o que sai da boca".                (Através da Dobra do Grito e ocorrido em ambiente de aula)

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:31
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Olá Tudo bem?Faço votos JS
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