Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

COUVE QUÊ?

Autores que não foi possível identificar. A escultura é obra do Mestre Alves André.

  

'Solinho, solo, solita'. Assim vai a maré cheia que do antigo Basófias a Aguieira fez rio sério. Tricanas desaparecidas, «fadunchos» em pousio até a Queima chegar com cartolas, fitas e «grelos», bebedeiras para festejar que anestesiam euforias e nem autorizam lembranças das festas da festa por calhamaços e sebentas medida a espera. Excessos que atiram para bancos de jardim, passeios e valetas os incontidos licenciados e aqueles que aguardam idêntico grau de alforria – falsa pela futura condição de escravos em serviços e empresas e nas vindas desiludidas dos Centros de Emprego. Ora, sendo Portugal um dos países com maior rácio de graus académicos e superiores, ajuntamos nível rasteiro pela abundância dos desistentes. Falha preparação anterior, falha disciplina no estudo, falta dinheiro para bolsas com retorno ao bolso de cada um pago quando o licenciado iniciar vida laboral – vida activa têm os nossos alunos, mas noutras áreas cuja avaliação não consta dos curricula. Estas áreas paralelas sempre existiram e, pelo constado d'antanho, com bons frutos profissionais, não foram veteranos que da academia fizeram casa por anos muitos à custa dos pais e de todos.

 

Voltando às tricanas. Depenicava insignificância, rondando o meio-dia, quando no Central as pupilas não desgrudaram de quem inquiria o funcionário mais pedante que afável. Era, é – desde há horas, não deve ter fenecido - mulher com mais de setenta anos pelos estragos na face; avental com folhos e laçarote traseiro armado com perícia, xaile traçado, lenço colorido como consta das aguarelas que mãos idas tingiram, chinelar pausado, blusa «enfolada». Chegada ao alvo mais pedante que afável, pergunta-lhe o preço da sopa:

_ Um euro e sessenta.

- Tem o quê?

- Feijão, cenoura, nabo, e couve.

_ Couve quê?

_ Vou perguntar à cozinha.

Mãos na anca, a chinela tocava pressa. Volta o homem, Sr. Funcionário.

_ Coração de boi.

_ Ainda se fosse lombardo ou portuguesa!

 

Gira nos saltos rasos e arrasa o afável por obrigação, a estrangeirada pela atitude, os portugueses pela convicção. Houvesse muitos calibrados por tricana retinta que não precisa de cântaro para ir à fonte e outros seríamos. Nem o FMI cá estava, nem a lusa moleza que o trouxe era atavismo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:16
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