Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

AO DESAFIO DONTEM, RESPOSTA

 

Daniel Del Orfano                                                                                                             Franz Richard Unterberger

 

"Em Veneza - assim sentiram os meus olhos" (História 1)

 

"Foi em Novembro que nos conhecemos.

Emília descia as escadas de San Giorgio Maggiore onde conflui o movimento dos que atravessam o Canal Grande para a Piazzetta San Marco. Sem lhe ver o rosto, coberto pelo guarda-chuva escarlate, cobicei os joelhos nus, magros e ossudos, como peças móveis de uma silhueta franzina, unindo como rótulas a gabardina às botas pretas.

 -Prego signorina.

Emília agradeceu com o olhar o gesto de amparo no antebraço ao entrar na lancha agitada pela calema de uma manhã chuvosa do Adriático.

- Una piccola domanda; non sai che fare; non c'e` niente che io possa fare se ne e` andato via da qui à S. Maria Formosa.

- Si, certo, lei, compagno io.

A voz dela era forte e rouca mas em tom suave e meigo como murmúrio de riacho.

Aqui e ali reverberavam nas poças de água as descargas dos algerozes do Museu Correr.

A meio da longa arcada que circunda a praça, Emília divisou a única mesa livre que se apressou a tomar, dois dedos no ar, a indicar o número de capuchinos.

Fazer fé na reserva metálica da paixão que em semelhantes circunstâncias paralisa todas  as capacidades apreciativas e provoca a admiração exclusiva da pessoa amada, era apelo irresistível. Porém, Emília era casada. Disse-mo a aliança resplandecente qual ave que quebra o silêncio com o seu grito.

Quando saímos, não dei pela falta do guarda-chuva. É mais o tempo que passamos ao serviço do guarda-chuva do que ele ao nosso. Não lamentava tê-lo deixado no bengaleiro do Caffé Florian; segurei, por isso, o dela para que me desse o braço.

No pedaço de céu retangular sobre as fachadas de ocre molhado, a chuva tinha-se distraído e um arco-íris espreguiçava-se em lenta curvatura.

Emília sorria, enigmática, na maquilhagem de paleta renascentista."

 

Texto escrito por JG a quem agradeço a qualidade e a prontidão na resposta.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Pinturas de Franz Richard Unterberger (1838 - 1902)

 

publicado por Maria Brojo às 06:59
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