Domingo, 11 de Agosto de 2013

DA "ESTRELA", COISAS E LUGARES (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAFÉ DA MANHà

 

publicado por Maria Brojo às 07:37
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
Sexta-feira, 2 de Março de 2012

DUMA IDOSA

Patrick Desmet

 

Com idosa em casa por algumas horas partilhei o programa da Fátima Lopes na TVI. Promessas de vinte mil euros ligando para o número de valor acrescentado, máquinas da verdade que provam serem inválidas suspeitas de alcoolismo pelos médicos e marido, animados os presentes em estúdio, talvez sim, talvez não, mas aparentando afirmativo o concluir, assisti a programa para nível médio dos portugueses.

 

A Fátima Lopes tem sensibilidade, respeita quem entrevista; não finge. É solidária quer pela imagem transmitida pela qual recebe paga, conquanto eu entenda ser genuíno o sentir. E não me entediei nem fiz sacrifício de minutos enquanto «crochetava» e amava a companhia/amor.

 

Recebi ensinamentos dos comentários da idosa. Obtive tanto nesta fracção de tarde que melhor era impensado.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 17:50
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

MEIAS DE LÃ

Dominique Wtez, Rafal Olbinsky

 

Luz coada. Contornos difusos. Dos objectos. Do espaço. Do pensamento. Silêncio - o dedilhar do Carlos Paredes fica cosido às paredes. Às coisas. Ao privado modo de estar. Longe dos holofotes. Da exposição diária que a obrigação impõe. Muitos olhares. Demasiados. De cada um avaliado o peso. Somados, empurrando as pálpebras para o chão. Para o rasteiro, humilde, calcado. Das três dimensões uma anulada. Vestígio. Trilho. Caminho. O andado. Em frente o por andar. Torcido? Linear? Isto não, que de fácil enfastia. Antes fio caído de malha apertada. Caprichoso no encaracolado. Difícil de modelar.

Algodão leve em cima. Por dentro, nada. Mais abaixo, peúgas de lã. A certeza de um espaço que, por agora, ninguém interromperá. Andarilha, piso o chão conhecido. Cúmplice. Mudo. Muito viu e do que viu não diz. Pisco-lhe o olho e sorrio. Desvarios de criança na mulher. Com os presentes de Natal enchi um saco. Enorme. Verde-lima, não fosse destoar. Quis eliminar excessos. Complicações. Evidências de um consumo que limitei. De uma abundância falsa e de um tempo falacioso. Da simplicidade como meta. Da negação do ocioso. Todo o ano, por cada peça comprada, uma outra doei. Se da memória colada aos objectos não quero despedir-me, mais não legitimo adquirir. Sopeso futuro e passado. Compro menos. Olho mais. Rego a liberdade que me trouxe antecipado presente: o sobreiro é, desde hoje, símbolo nacional.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:45
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (7) | favorito
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

DONA JOALINA (RÁDIO PROVÍNCIA IV)

Autor que não foi possível identificar

 

Caramulo em fundo. Longe. Muito longe se medidos os quilómetros. Perto, se contados os 90 minutos para lá chegar. No terraço, repartido entre cenário de montanha maior e horizonte vasto de que o Abel Manta compôs aguarela mestra, o calor de estio não chega ao amanhecer. Somente passado o meio do dia, se faz impor. Antes, é a frescura abobada por azul limpo.

 

Num dos cadeirões exteriores, ela estica as pernas. Pés pousados no recorte em grade protectora. Pensar esvaziado do mais que entupa o instante. Ouve voz conhecida:
_ ********, o café!
E ela, em roupão fino, voa pela escadaria, galga o empedrado de granito, salta evitando as poças da rega, abre o portão pequeno. Meia centena de metros de uma casa à outra. Ela espera-a no jardim emoldurado por cedros. Altos. Partilham conversa, risos e café na cozinha. Porta escancarada.

 

Entre as duas mulheres, uma geração de intervalo. Ela viúva há quatro demorados anos. O marido presente nos detalhes do espaço. Sem nostalgias bacocas. Conservada a presença que a cidade e arredores respeitava. Gostado por todos - efusivo, simples, culto, solidário e amante da convivencialidade. Sucediam-se automóveis à porta. Gentes atraídas pelo Homem com Mulher à altura.

 

Na terra pequena, outrora vila, a separação de estratos sociais era rígida. Ela, filha de um funcionário no Clube dos Industriais. Olhos verdes, cabelo negro. Ele, personagem maior. Separado da mulher/esposa que o regime salazarista impedia de partir, livre, para a vida. Quinze anos de diferença. Ultrapassaram moralismos hipócritas. Viveram, com escândalo e reprovação geral, anos muitos. Casaram, após o 25 de Abril. O filho comum, fruto do pecado legal, filho de amor perante Deus, testemunha a harmonia da família.

 

A Dona Joalina resiste à solidão. Colmata-a através dos muitos amigos que a procuram e mimam. Procura a ******** e fala. Exorciza a solidão que resiste aos convites e à vinda das gémeas/netas. Riem ambas.  Partilham intimidades. Assomam lágrimas pelas alegrias comuns. E tantas são…

 

Quem numa sociedade fechada, operária e rural, afronta o «diz que disse» por amor, sem ais ou lamúrias, tem direito a preservar os lábios carnudos como os pêssegos do jardim. Viçosos os olhos de parra de videira nova na Primavera do caminho.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

publicado por Maria Brojo às 10:04
link | Veneno ou Açúcar? | favorito

últ. comentários

Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds