Terça-feira, 23 de Abril de 2013

RASPAS TU, RASPO EU

 

Michael Godard

 

Quem se alheia do tecido social arrisca progressivo desentendimento dos outros e de epifenómenos que marcam o tempo em que é. Na frescura da manhã, ouvido o disparar dos lucros da Santa Casa da Misericórdia à conta da doudice aguda e abrangente pelo «raspa» das Raspadinhas. Raspa quem pode e quem não possui proventos que satisfaçam dignamente a sobrevivência. Porta-moedas mais gordo, esperança comum. Adição a este tipo de consumo, risco também comum. Não raro, é esgotado em raspadelas, fração substantiva do salário. As dívidas chegam depois.

 

Cartão de aparência inocente – barato e à venda em qualquer quiosque seja de esquina ou não -, responde, de imediato, à ânsia do saber se por baixo do abracadabra em forma de película a raspar há pilim a receber. Euromilhões, jogos online, exigem mais paciência e/ou recursos de suporte.

 

O trevo sedutor, endoudando os mais recetivos ao vício do jogo, leva muitos de volta ao tinir das moedas nas máquinas dos casinos donde haviam saído a custo. E se não é o tratado a diabolização das Raspadinhas, é preocupante quando um povo náufrago em vez de procurar boia segura se apoia a jangadas de cartão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:24
link do post | Veneno ou Açúcar? | favorito
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

CONCHITA

 

Jack Vettriano

 

Na vida adulta de avoengos beirões e endinheirados, o pecado da luxúria falava espanhol. Melhor, encantava em espanhol, convencia por gemidos e obtinha através de beicinho e volúpia. Os casinos de Espinho, Póvoa de Varzim e da Figueira da Foz desfaziam fortunas em menos de Pai Nosso rezado com fervor e de joelhos pelas mães e «esposas» devotas e (des)enganadas frente a oratórios pejados de Santos e santinhos.

Os desvios do bom caminho de um ‘rapaz de família’ começavam nas repúblicas coimbrãs, aí prosseguiam até o enérgico «Basta!» do pai de família temendo exaurida a bolsa. Havia interlúdio no casamento, por amor ou «arranjado», que legitimava discretas e ocasionais derrapagens sendo preservada a ignorância da respetiva e ao jantar, servido a horas, ninguém faltasse. Um sossego!

Pelo fastio, a modorra instalava-se. Os negócios entediavam e os ímpetos da carne, outrora vigorosos, murchavam. Os parceiros de tertúlia afiançaram: _ “Do que precisas é ir à Conchita! Ficas outro!”

 

E ele ia. E ficava. E ganhava ânimo. Enrubescia as faces, o olhar coruscava, abria o riso e a vela dos negócios enfunava como se alísio soprasse. Tudo corria de feição até o homem transpor a corrente da lascívia e desaguar na paixão. Aí começava a pensar, gastar, comer e gemer em espanhol sob o imperioso domínio da horizontalidade das artes de nuestra hermana. A Conchita (...)

 

Nota: texto completo aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:32
link do post | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (2) | favorito
Recomendo:

Exposição de Artes Plásticas - Conceito

Page copy protected against web site content infringement by Copyscape

últ. comentários

Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...
De férias , para sempre. Fechou a loja... :-(
Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds