Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

É 1º DE MAIO E BASTA!

Aurelio Arteta 1879-1940 - Las cargueras del muell

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aurelio Arteta, 1879-1940 – “Las cargueras del muelle”, 1922

 

 

 

Quando Maio abre portas, é dia regalado. Urbes encerram para descanso do pessoal trabalhador, abrem tendas de febras e couratos que proporcionam conforto reinadio aos assalariados em festa memorial. Perguntado um a um o que festejam, a maioria hesita, franze o sobrolho por segundos meditativos e arriba ao ‘porque é dia do trabalhador’.

 

 

 

Vasculhando antecedentes da data, nada de excecional a marca, salvo importante manifestação de trabalhadores em 1886 nas ruas de Chicago. Reivindicavam a redução da jornada de trabalho para 8 horas e inauguraram greve que imobilizou a economia da U.S.A.. Cinco anos depois, num ajuntamento de milhares de trabalhadores no norte de França em luta pelo mesmo, morrem dez manifestantes sob as botas da polícia. Quanto ao mais que a história debita sobre movimentos laborais, o que importa aconteceu a 23 de Abril, a 3 e a 4 de maio. Em cinquenta anos portugueses, falar ou refletir sobre o símbolo da comemoração era matéria sob alçada da PIDE e do lápis censório. Uma pepineira justificada por miúfa e vistas curtas. Lixou-nos a Internacional Socialista ter decidido convocar manifestação no primeiro de Maio com o objetivo de continuar a luta pelas 8 horas de trabalho diário. Não ajudou a remover o bolor «salarazento» a ‘demoníaca’ Rússia tê-lo adotado como feriado nacional. Os Estados Unidos mandaram às malvas o simbolismo e comemoram o Labor Day na primeira segunda-feira de Setembro. Uns sovinas, que por via do estabelecido impedem «pontes». Na Austrália, é dia do trabalhador quando uma região quiser: a 4 de Março na Austrália Ocidental, a 11 do mesmo mês no estado de Vitória, a 6 de Maio em Queensland e no Território do Norte, a 7 de Outubro em Canberra e Sydney. Esta última opção interessa-me particularmente por corresponder ao dia em fui nascida.

 

 

 

Que pare o labor, que seja quebrada a rotina sujeita a déspotas ou a simples mandadores. Que o povo saia à rua e cante e reivindique e diga das respetivas razões para o descontentamento quotidiano. Que a solidariedade seja (…)

 

 

 

NOTA - Texto integral aqui.

 

 

 

CAFÉ DA MANHà

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 10:13
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

S. MARTINHO ANTECIPADO

 

Anoitecera e chovia. Para trás, distância curta, duas mulheres irmãs, as meninas Brojo, ficaram na Unidade de Saúde de Coimbra. Por razões clínicas ali permanecem desde 5 de Setembro. Autónomas, orientadas no espaço e no tempo as mais das vezes, apetece trazê-las para casa. Interdição médica obstaculiza as harmónicas vontades familiares. “Não é possível”, “não pode”, “não deve” ouvido dos especialistas, é tradução de desgosto indizível. Corajosas, adaptaram-se, na outra, uma se apoiou, e são as meninas lindas do espaço como outrora o foram no povoado onde nasceram. Sorridentes, participativas, elegantemente arranjadas, têm palavras e gestos solidários para todos, mesmo para os que mal ouvem, gritam desvairados, circulam sem destino em cadeiras de rodas.

 

Vão para Lisboa reunirem-se à família. A “Casa de Repouso dos Leões” espera-as num T1. A filha e sobrinha única encarregada de esvaziar pertences de roupa, malas e calçado a casa da sua infância e adolescência – com vinte anos saíra para desígnio usual. Telefone, cabos ópticos desligados, frio de tremer ossos - recusa-se a ligar aquecimentos que lhe façam doer memórias do aconchego doutrora. Até sábado ou domingo, fará o luto dum tempo, dum espaço onde foi feliz dentro, a caminho do liceu, da faculdade, de regressos quentes à casa dos amores, hoje vazia até acender a luz do corredor. Por isso almoça e janta fora, não remexe o que a D. Lúcia deixou arrumado e asseado.

 

Saindo da esplêndida unidade onde dois amores irão jantar e dormir rodeadas de mil cuidados e atenções, a filha e sobrinha decidiu jantar numa

tasca próxima da casa de família. Recheio humano: um bêbado e dois à beira do mesmo, um dono surdo, uma mulher/esposa afável e boa cozinheira. Após a magra refeição insistentemente solicitada em dose mínima, o dono e a mulher devem ter considerado a mulher do canto mal alimentada. Paga a conta, cinco euros, trouxeram castanhas e jeropiga. Lágrimas corriam no meu rosto. Faltava a erva-doce que a mãe não esquecia, havia S. Martinho antecipado com desconhecidos, a sensibilidade de quem me pressentiu fragilizada, as primeiras castanhas do ano descascadas a só.

 

 

Nota: texto escrito com lágrimas involuntárias na face, enquanto hoje, ainda oito de Novembro em Chicago, um amor celebra aniversário. Parabéns ‘Branca de Neve’!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 00:10
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