Claudia Eve, Blake Flynn
O descaro pode ser mostra de mau-gosto, desassombro louvável, lucidez diminuída raiando loucura ora boa, ora doentia, perversidade porque não? Frequentemente, os descarados em fase aguda provocam nos espectadores condescendência bem portuguesa do “diz tu que assim calo-me eu”. Em alternativa, suscitam troça ou irritação pelos dislates proferidos. Neste caso, a paciência em aturá-los esvai-se como a preciosa água em bilha rachada.
Quem ouviu Maria de Lurdes Rodrigues, anterior Ministra da Educação, pronunciar-se sobre a Geração Nem Nem só não pasmou por da senhora esperar conveniências desavergonhadas. Ao longo do exercício como a poderosa do Sistema Educativo, provou ser vulnerável à rudeza e usar amiúde o privado armazém repleto de postas de pescada. Ontem, não desmereceu, neste particular, os descréditos que lhe são reconhecidos. A propósito dos dados do INE que constataram haver 300 mil jovens sitos no intervalo etário entre os 15 e 30 anos afastados do ensino e não inseridos no mercado de trabalho, a Senhora Dona Maria de Lurdes Rodrigues imputou culpas à pouca atractividade da escola ao não lhes satisfazerem perspectivas de futuro. Tem parcela de razão, mas foi a dama que, nos últimos anos, conduziu o navio Educativo. Como os governantes actuais ou ex esquecem culpas próprias, é obra! É lata! É descaro!
Nota: Geração Nem Nem, copiado do castelhano Generatión Ni Ni (ni estudia ni trabaja), designa um conceito: "vazio de actividade no grupo etário que marca o arranque da idade activa."
CAFÉ DA MANHÃ
Adoçantes
Peregrinando
Brasileiros