Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

(ENTRE)VISTA COM TODOS

 

 Colleen Ross

 

“_ Conhece alguém (homem, de preferência) que fale abertamente sobre adultério, mesmo que sob 'pseudónimo'? Não procuro um adúltero 'por desporto', mas alguém que se tenha visto nessa situação. Queria saber o que fizeram. Se contaram, se se calaram para sempre, se teriam feito de forma diferente. Enfim, se conhecer alguém que fale disso, mesmo com uma 'máscara', perfeito.

_ Sei duma situação masculina como a que refere. Porém, acumula essa traição-paixão com traições-afagos-de-ego ou entreténs de ócios. Porque essa lhe mudou a vida, proponho-a.

_ Pode dar-me detalhes? A privacidade será, claro, preservada. Inventamos-lhe um nome. Em que sentido, a vida mudou?

 

_ Configure um jovem graduado com o equivalente a engenheiro naval. Marinha Mercante com ele. Bonitão, moreno como cumpre ao macho-raça-pura portuguesa. Antes, pelas praias e dunas, devastara corações tão inocentes quanto o dele. Levou à glória algumas meninas boas de boas e más famílias. 
 
Entre portos e marinheiros, adquire experiências e necessidade de âncora. Aos vinte e poucos, encontra mulher linda, dentro e fora, fruto exótico do além-mar. Engravida na consumição da carne que o enamoramento cozinhou. Casam, felizes e apaixonados.  Ele continua à tona dos oceanos. Conhece do mundo e das mulheres cores e formas várias.
 
Fosse pelo cansaço da vida errante ou por acidente que no mar sobreveio, regressa a terra e à terra. Filho, mulher, carreira, tudo a contento. Continua a disseminar sementes encontrando funduras receptivas. Mais filhos não faz (diz). 
 

Encontra psicóloga capitosa. Vinte e quatro anos, aparentemente, à solta. Apaixona-se. Ele, que jamais hesitara em concretizar o desejo, quase torna platónica a relação quando ela pretendia «queca» homérica. Acontece por iniciativa dela. Ele nada, tal foi a emoção. Acaba por viver "paixão com todos", como é uso dizer-se do bacalhau cozido.
 
Poupo meandros. Porque o olhar é um livro, a legítima identifica no ler o saber. Ele nega como recomenda página qualquer do manual. Continuando a Lolita nos centros nevrálgicos do ser, decide confirmar à mulher. Antes, vai ao e-mail. Tem um da lasciva psicóloga - "Vou casar amanhã. Xau!" Fica destroçado.
 
Vem a saber da «menina»:
- existia parceiro regular;
- a 'mãe coragem' que, a custo, lhe pagara os estudos e com quem vivia é mentira;
- ela e o companheiro estão envolvidos num crime de morte;
- não é psicóloga (nem o secundário terminou);
- acumulava cama com mandante da empresa.

 

Anos depois, divórcio e vida (des)orientada. Dele. Arrependimento? Sim.

_ Bem, isso dava um livro. É uma história e peras.”

 

Não deu. O protagonista que o escreva. Possui talento precisado de vir à tona na estampa.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:18
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