Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

HÚMIDA PELA ENGENHOSA ALQUIMIA

Autor que não foi possível identificar

 

Do António, sobre “O,9 FC”:

 

"tornemos, pois, por instantes, à ideia prima

efectivamente aquela Luísa Todi tem que se lhe diga, a começar mesmo, sem talvez, pela eterna (http://www.leme.pt/biografias/80mulheres/todi.html) canora que a denomina

é artéria invulgar, extensa, larga e espaçosa, à esquerda e à direita ladeada de vetustos espaços, clubes, museus, teatros, bibliotecas, um quartel onde em tempos se fez a recruta ao abrigo de melhorado rancho, monumentos vários e amplidão para uns mais, bancos de jardim de fazer jus à avenida de perder a vista em elegância e desejo (sim, desejo, de namorar, de fazer a sesta, de sentar até...) sob generosas copas que em Junho lhe devolvem a gratidão, tornando-a a mais bela avenida de jacarandás do País ou talvez do mundo, se diferença pode haver, destacando-se devidamente o coreto, altaneiro e altivo como os sonhadores que o saibam olhar e fruir ou pintar, por entre passantes e passeantes, mendigos e arrumadores, gente apressada ao cais do ferry buscando sonhos além Sado e frescura ultra-rio nos areais de Tróia e tudo o que mais comporta a península de pinhões, de peixassado, de kite-surf à contra-luz da serra para o mesmo vento levar e tornar em bolinas de enfeitiçar

ainda artéria, a Luísa Todi é coisa séria, desde logo pela via húmida da engenhosa alquimia dos homens que roubam território ao mar, neste caso à curva do rio azul antes de no mar desembocar, aliás, tão húmida que nas obras engrácias do teatro do mesmo nome se chegou a descobrir... água, curioso material que inunda tudo, corpos e almas, talvez, mas também as fundações de uma construção em cima do rio, coisa de estranhar e de justificar mais umas coroas (paus? isto do euro ainda não tem nome, falta-lhe povo) e tempos infindos de trabalhos a mais e a mais é o que a Avenida Luísa Todi pode Bem oferecer ao viandante, que pensando bem pode esperar antes de se fazer à estrada, terrestre ou fluvial, e alcandorar-se à munição inigualável de uma dose de choco frito, a mandar abaixo em pose imperial ou a embrulhar em papel pardo sem fechar (... sabem disto, aqueles senhores) e umas cervejinhas já com a carica meio atordoada, precisamente para também não fechar (sabem, pois sabem) e ala para lugar encaloradamente fresco à escolha sob a serra ou em recantos do estuário senão mesmo direito a sul de outros temperos, dispensando lounge mas agarrando a musicalidade com que um pezinho de dança pode enfeitar o dia, a noite ou mesmo a sua travessia

sem pressa nem pressas, eis o único jamais que se compreende na magia de um lugar assim, onde a passadeira é quem mais ordena, onde o estaladiço se impõe, de onde se parte mochila às costas para tudo o que a serra oferece, para os esteiros do Sado, para as vielas e calçadas e igrejas e vidas e tascas onde tudo calha bem, onde as ligações, associações e sinapses se unem em histórias sem fim, talvez por de cada vez começar uma nova história, que um dia haveremos de ouvir cantar

cuidado, então, ó viandante, que há ouro na via húmida ou não fosse a vida alquimia e aquela avenida em flor o seu auge de esplendor"

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 14:10
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