Sábado, 7 de Junho de 2014

NO EMBALO DA SURPRESA

   

Keith Mallett – Ragtime                                   Keith Mallett – Rhapsody                                  Keith Mallett - Concerto

 

As melhores casas do mundo não precisam de figurar em revistas como exemplo de boa arquitetura e melhor recheio. As melhores casas do mundo estão forradas com a música dos afetos que tocam harpa ou jazz na pele. As da família, dos amigos, aquela onde vemos diariamente «repolhos» de cimento plantados em frente das janelas. Onde acordamos, pacíficos, em harmonia com a persona, a pessoa, as pessoas que sentem os acordes de um saxofone dançando com o piano de cada dia e de todos.  

 

Podia viver sem jazz no corpo? Resposta banal:

_ Podia, mas não seria a mesma coisa.

No ritmo sem partitura, há improvisação e alma. Há a do músico e as dos outros que o acompanham na partilha. O dedilhar e o sopro no clarinete, no saxo, o baile dos dedos no contrabaixo ou na guitarra. O embalo da surpresa por cada nota suspensa no ar.

 

E vem ao caso poema de Adolfo Casais Monteiro. Com gosto o li, com gosto o deixo.

 

Jazz

                                      

Numa cadência de enigma

entrecortada de espasmos

saltos berros mil ruídos

o jazz canta a saudade

dum sonho que não se sabe.

Chora o jazz a velha perda

dum paraíso qualquer

deixado em longes de sombra.

E no seu ritmo diverso

langoroso e crepitante

martelado e insistente

triste e cheio de alegria

do que há muito está perdido

 

“Presença nº 19”, Adolfo Casais Monteiro

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:11
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Sábado, 26 de Junho de 2010

NO EMBALO DA SURPRESA

Luis Castellanos

 

As melhores casas do mundo não precisam de figurar nas revistas como exemplo de boa arquitectura e melhor recheio. As melhores casas do mundo estão forradas com a música dos afectos que tocam harpa ou jazz na pele. As da família, dos amigos, aquela onde vemos diariamente os «repolhos» ou os repolhos plantados em frente das janelas. Onde acordamos, pacíficos, em harmonia com a persona, a pessoa, as pessoas que sentem os acordes de um saxofone dançando com o piano de cada dia e de todos.  

 

Podia viver sem jazz no corpo? Resposta banal:

_ Podia, mas não seria a mesma coisa.

No ritmo sem partitura, há improvisação e alma. Há a do músico e as dos outros que o acompanham na partilha. O dedilhar e o sopro no clarinete, no saxo, o baile dos dedos no contrabaixo ou na guitarra. O embalo da surpresa por cada nota suspensa no ar.

 

E vem ao caso poema de Adolfo Casais Monteiro aqui trazido por alguém que a memória não identifica. Com gosto o li, com gosto o deixo.

 

Jazz

                                      

Numa cadência de enigma

entrecortada de espasmos

saltos berros mil ruídos

o jazz canta a saudade

dum sonho que não se sabe.

Chora o jazz a velha perda

dum paraíso qualquer

deixado em longes de sombra.

E no seu ritmo diverso

langoroso e crepitante

martelado e insistente

triste e cheio de alegria

do que há muito está perdido

 

 “Presença nº 19”, Adolfo Casais Monteiro

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:01
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