Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015

HOJE, AVIO ESTA; NA VOLTA, AQUELA

 

Autor que não foi possível identificar

 

 

Reconto dum conto meu

 

 

«Cowgirl» entre cowboys e damas respeitáveis pelo recato ou estatuto. Setenta anos atrás. Dolentes os dias acalorados na urbe pequena. Local: desertos texanos com esparsos bares, poker nas mesas, homens aventureiros com metralha no cinto; elas, decotadas, esperavam arremate no andar de cima ou no salão. Pedido da clientela a justificar sedução paga. Em madeira tabuada, «semi-porta» de empurro. Dentro a mulher como objeto de desejos precários e consumistas _ hoje, avio esta; na volta, aquela. Talvez ela. Ou não, que o nariz empinado rejeitava ordens e precisões avulsas. Mania. Regra e esquadro pessoal.

 

 

O dono/chulo/senhorio do bar vigiava-a de soslaio. Admitiu-a sem a provar pela diferença da candidata ao serviço: prometia na imagem, negava pelo estar. Valia pelo exotismo. Pelo toca-e-foge, vontade e manobra lucrativa. Dela. E safava-se de homens subidos ao quarto esconso. Nele, varandim debruçado sobre rua poeirenta.

 

 

Noite após noite, o mesmo. Mas eles bebiam na esperança de a terem nos lençóis finos de que só ela sabia - na admissão, devolvera os grosseiros que lhe afligiam a finura da pele. Para o "consome mais!" bastava o perfume, o olhar negro, o brilho da pele, os ombros desnudos, o roçar do cetim em folhos, a meia de rede preta vislumbrada no sabido sentar. Pé arqueado nos botins com presilhas e salto pequeno. E desconversava. E ria. Muito.

 

 

No faz-de-conta, vida. Durando o sol, costurava vestires ousados. Atravessada com pressa a rua fronteira, sombrinha aberta não corrompesse o sol a porcelana do rosto, pagava fitas e tules na retrosaria. Mais tarde, seduzia. Dinheiro entrado na caixa ruidosa sobre o balcão corrido na noite.

 

 

Ia ficando. Até um dia. Intocada até querer ou surgir o homem ideado.

 

 

Na diferença, banal.

 

 

Nota: texto publicado aqui e ali.

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Domingo, 6 de Julho de 2014

FÍSICA E ‘COWBOYS’

 

Phi­lip Haw­kins – Cock of the North                                                                 Kim Corpany – Silver Star Spurs Western Cowboy

 

Sou do tempo em que o único canal televisivo entretinha gentes remediadas com matinés inocentes onde pontificavam coboiadas romanescas. Havia tiros e corria sangue, verdade, embora o preto e branco dele fizesse caldo de borra de cigarro. Ingredientes quase certos eram diligências fáceis presas dos mauzões, paisagens desoladas com cilindros de ervas secas enrolados pelo vento, xerifes e bandidos. Forcas quando calhava. Depois, havia a bendita certeza do filme acabar bem com o pistoleiro nos braços duma donzela em bom recato ou no quarto de refinada jovem prestativa em qualquer saloon. Já a tarde ameaçava sono quando a matiné era finda. Pequenada contente, mãe bordando, pai ouvindo relato de futebol, tarde de domingo invernoso bem passada.

 

Ora, dá-se o caso de ter sido questionada sobre a razão das já tremeliques pontes pênseis de madeira nos filmes do faroeste só darem de si após o comboio dos «bons» passar, feita antes marcha-atrás. A bandidagem era obrigada a estacar e os malvados da frente caíam na ravina funda como algumas gargantas que ‘eu cá sei’.

 

Recorri aos Spaghetti werstern ou Bang-bang à italiana vistos e revistos nas matinés da TV – acabada a exibição do lote de filmes em stock, eram repostos os velhinhos a cintilar como estrelas cadentes. Pois a meu ver, resposta simples: (…)

 

(…) Tudo muito desem­ba­ra­çado e coisa e tal, toda­via com, no mínimo, dois senãos:

_ não recordo o nome de um único wes­tern em que sur­gem situ­a­ções como a ques­ti­o­nada;

_ será que a quan­ti­dade de movi­mento nada tem a ver com o facto?

 

«Fran­che­ment» vos digo não estar com a menor von­tade de con­sul­tar canhe­nhos que me rea­vi­vem memó­rias estafadas.

 

Nota - texto que agradeço ser lido na íntegra e suscitando, como eu gostaria, reações/respostas às minhas dúvidas ou falta de lembrança sejam colocadas onde foi publicado.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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