Quarta-feira, 26 de Março de 2014

'SER BOM', 'SER BONZINHO'

   

Nate Frizzell

 

'Pessoas boas' e 'boas pessoas’ - classificações comuns porque no vozear de muitas gentes. A primeira remete para homens e mulheres sãs de espírito, ágeis mentalmente, que não desdizem a entreajuda, o saber escutar e intervir com lucidez. Nelas pouco valem imperfeições da embalagem física. Detalhes, apenas. Atribuímos-lhes beleza e encanto e sedução ímpares. Se com todas é possível paixão, assim o amante encontre razões verdadeiras ou imaginadas, se com todas é possível amizade, amor, laços fraternos, as 'boas pessoas' jogam na primeira categoria do apreço alheio. Gente boazinha é departamento outro englobada na classificação dos «inhos» e «inhas» em cujo uso são pródigos os portugueses. O sufixo pode englobar ternura, mas a condescendência ronda. Improvável admirar criticamente os bonzinhos(as). Decresce o respeito suscitado, o mesmo com a adrenalina que ergue arrebatamentos românticos.

 

‘Ser bom’ está a anos-luz de ser ‘bonzinho’ - este oscila entre a inocência apatetada e a brandura sem filtro. Por ser importante distinguir nas gentes quais reúnem condições para gestos que ultrapassam a natural generosidade e crescem assertivos, esbraceja na mistura do calhar quem ignora regras do decante, de preguear um filtro, deste conhecer a dimensão dos poros que almeja filtrado puro.

 

Anjinhos (anjolas?) existem, é vero – nadam na passividade dominante. 'Pessoas boas' intervêm positivamente nas sociedades, alargam horizontes aos indivíduos que os cercam, fazem a humanidade ir avante. E se é afrodisíaco o respeito conjugado com a admiração decorrente...

 

CAFÉ DA MANHÃ

  

publicado por Maria Brojo às 08:10
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

‘DOUBLE B’

 

Kenney Mencher

 

Pergunta: “Alguém que me diga o significado de «boa pessoa»"? Aventuro explicação.

 

A crueza quotidiana não é de hoje - assim foi, assim será. No decante, ao passado atribuímos feitiços vários, rodeamos de confettis idos sem regresso que emolduramos à subjetiva medida do querer. Confundimos fatos com desejos de ter sido. Que não foram. Ou foram e a consciência rejeita. Fábricas de recordações ao serviço do alter-ego. O «eu-projeto» a quem toda a confiança é devida. Sem, in factum, a merecer.

Por que melindres com o próprio tornam argiloso o solo onde se fincam alicerces individuais, preferimos fabular o atrás acontecido. Isto digo nada percebendo da anatomia do todo que a pessoa é. Descaro de viciada em especulação científica e do mais que pouco conhece, sem desistir do empírico entendimento de si e do cumprido tempo em que foi, ainda sendo.

 

Algumas das ditas “boas pessoas” merecem despiciendo petit-non: «totós». «Anjinhos» - aturam, engolem e digerem quase tudo. São as double B: «Boas-Bocas». Na gastronomia das relações raramente acusam alergia a um alimento ou o culpam de azia. Da cebola e dos alhos queimados num estrugido não reclamam; podem comentar que já resultou melhor, mas afirmá-lo péssimo seria tortura maior do que engolir e calar. E calam no estrugido, nas malfeitorias que testemunham ou de que são vítimas. Pois se atingem o ponto de bater no peito uma, duas, três vezes, a cabeça baixando num mea culpa contrito somente por existirem... E ressentimentos, acumulam? Poucas não, muitas sim. Porque cederam. Porque abdicaram de si e o aparentemente engolido ficou atravessado no gasganete. Como espinha de sável mal cortado e pior frito. Aos que encaixam no retrato abrange-os termo simples: pusilânimes.

 

“Pessoa boa” é quem ao tempo em que é traz acrescento – pela tolerância crítica, pelo diálogo com o mundo (bem pode ser o que avista da sacada e não vai além da esquina da rua), pela generosidade, abnegação se a bondade dos valores ou ideais constantes do privado rol de prioridades exige. E dão o corpo, a alma e a camisa por causas eticamente consentâneas com a família, o respeito pelos outros e por si próprios, a solidariedade com o planeta e com quem, racional ou irracional, nele mora. As "pessoas boas", como as entendo, existem. E rodeiam-nos muitas. Nesta planura redonda, um exército de bondade faz a diferença que a esperança exige. Acredito.

 

Nota: publicado ontem no "Escrever é Triste".

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:20
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

NA BANALIDADE DOS DIAS

Jan Josef e recriação de obra de Manet

 

Fim-de-semana soalheiro com desfrute fora-de-portas. Contrariedade: gripe, virose ou menu completo duma constipação (pingo, corpo moído, tosse, arrepios e febre). Há um par de anos que me passeava sã e rija como pêro, espantando a Influenza sazonal. Ganho o recorrente desafio dos cabelos torcidos e derramados pelas costas ao sair do ginásio nos dias de briol, tinha por certas defesas eriçadas ou ruindade celular que os microrganismos saltitões recusavam como pasto. Quem na arrogância chafurda, mais cedo do que tarde recebe ensinadela de truz - garganta dorida, nariz arrolhado, latejos na cabeça como tambor rufando num tatoo militar, pela dores os ossos proclamando, um a um, a existência. Achando mal empregue a cama para imobilidade doente, conhecendo dos sofás o (des)conforto estimulante para jogos e várias brincadeiras, prefiro calmarias aconchegantes. Mais eficazes que Ben-u-ron, chutam para canto sintomas.

 

Diminuída a energia do físico, o paracetamol exponencia a do espírito corrosivo. Calhou à OK!TeleSeguro a vez. Na parte de um dia (in)útil, obriguei-me a tirar senha para uma Marta imprimir uma documento. Três mulheres aviavam duas freguesas – uma era manifesto caso de incontinência nas teclas. Tirei a senha vinte e oito, excedendo em seis a última em atendimento. Não me pareceu mal. Entretive a espera “limpando” o telemóvel. Nem saquei do livro por estar a leitura em “ponto de pérola” e não merecer a desfeita de interrupção abrupta. Dez minutos voaram. Esmiucei as funcionárias. Marta nem uma. Sorriso avaro, olhar mortiço, tédio na atitude e na fala. Duas horas depois, quatro clientes aviadas. Mau rácio. Por essa momento, na leitura chegara ao “ponto de estrada”. Homens só os que arribavam e sumiam vindos das entranhas da sede.

 

Duas horas de espera, para enfiar na pasta «papelucho» burocrático.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:02
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Terça-feira, 4 de Maio de 2010

NASCEU PARA SI. ATURE-O!

Teresa C., criança, roubou carvão ao tempo de estudo. Memória arrecadada pelo pai.

 

Cada vez gosto mais do SPNI. Vez em quando, desamo-o. Vez em quando, m’arrependo. Vezes muitas, lhe quero como filho adoptado _ foi-me deixado nos braços pela Lulu, querida Amiga de seu vero nome Maria Dulce. Porque filho é filho, natural ou não, celebramos o dia do par de mãe(s) a vinte e três de Setembro. E gosto, e lembro a tarde em Carcavelos onde decorreu o parto. Baptizado na meia hora seguinte. Bem que a Maria Dulce (a Lulu) e eu corríamos nomes de lés a cré. Nada parecia bem. A «piquena» que foi Tati e anos depois aceitou o registo inicial Teresa C. _ colaboradora quando a veneta apetecesse, assim fora o combinado _ lembrou o “No Penis no Envy” que tinha sido motivo de crónica no Expresso. Autora: Clara Ferreira Alves. A Lulu possuía “Veneno sem Açúcar” parido nos neurónios. Porque mulher sábia nunca assim vi e sabendo o objectivo da coisa, acordou na insanidade da amiga «patifa». Combinação com rendas, cetins misturados, lantejoulas e vidrilhos. Deu no que deu. Ainda o blogue mamava de três em três horas, berrava se a chucha era caída, a Lulu disse:

_ Fui óvulo de aluguer. Nasceu para si! Agora, ature-o.

Mais ou menos isto e pirou-se. Não como Amiga, mas da co-autoria.

 

A razão da benfeitoria(?) julgo ter, neste quase sete anos, ficado omissa. A Lulu conheceu-me pela escrita. Interrompi-a dois anos. Ao tentar escrevinhar coisa que se visse, das teclas perras nada com jeito saía. E a mulher pensando:

_ Abóbora! Larguei o desenho e o carvão ficou desasado. O traço perdeu confiança e firmeza. Com as palavras, por falta de treino, pareço bêbado que nem o «quatro» consegue. Não confies no «Deus-menino» que, sem esforço teu, traz de volta competências.

 

E a Tati batalhou por não lhe subjazer mulher que se abate sem peleja. Gosta e rejeita o número de massa folhada que no forno se desdobra em mil finas camadas _ apetece, mas desfaz-se na boca. Para quem no momento ou a seguir vier pouco fica. Fria, ainda menos; porém, dela p’ra ela, sim. Exercício masturbatório? Porque não? Quem tiver contras que neles se resguarde. À mulher pouco dizem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:58
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Olá Tudo bem?Faço votos JS
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