Sábado, 21 de Janeiro de 2012

VIDA À POTUGUESA

Deborah Poynton

Por este andar de surpresa em surpresa, um destes dias não publico nada que saia do pensar exclusivamente meu.

 

“Nos primeiros 6 meses, o Governo de Passos Coelho fez 618 nomeações de camisolas laranjas, o que dá uma média de 103 nomeações por mês. A partir dessa primeira fase, só pode aumentar o ritmo.”

 

Pelo Telmo Vaz Pereira, esta vem na sequência.

 “O Governo afastou António Mega Ferreira da presidência da do conselho de administração da Fundação Centro Cultural de Belém e entregou a sinecura a Vasco Graça Moura. Aos 70 anos, Graça Moura é convocado a liderar “um novo ciclo de desafios para o cumprimento do serviço público do CCB na área da cultura”, nas palavras sempre lúcidas do Francisco José.

Graça Moura levará consigo Dalila Rodrigues, cujo curriculum é pontuado pelos problemas que criou no Museu Nacional de Arte Antiga e na Casa das Histórias Paula Rego, tendo em ambos os casos sido demitida.

Estou em condições de divulgar, em primeira mão, extractos do discurso de Graça Moura na cerimónia de posse como presidente do conselho de administração da Fundação CCB. Sabe-se que Moura pretende dar um ar da sua graça logo a abrir o discurso:
_ ‘(…) podemos enumerar: a natureza calaceira dos portugueses; o seu feitio de incumpridores relapsos; a sua irresponsabilidade nas exigências desenfreadas; o corporativismo imperante nos sectores sócio-profissionais [sic]; os péssimos níveis de qualificação escolar e profissional; a iliteracia generalizada e irremediável; uma certa propensão para a estupidez e a crendice fácil que explica algumas vitórias eleitorais socialistas; a desagregação e desprestígio de todos os sistemas de autoridade democrática; o arrastamento intolerável da administração da justiça que nos torna uma vil caricatura do Estado de Direito; a neutralização do papel das famílias que são cada vez menos as células-base da sociedade; a falta de coragem e discernimento de alguns sectores da classe política, que não sabem pensar a mais de três meses de prazo e sempre de olho posto na comunicação social... Enfim, a juntar a isto, a crise de todos os valores éticos, identitários e culturais, o espírito de eleitoralismo permanente em que os detentores do poder político nvivem, dos governantes aos autarcas, a pilhagem do aparelho de Estado pelos boys, a promiscuidade entre os grandes interesses económicos e a actividade política - e estou longe de ter esgotado um quadro que nos transformou num país sem alternativas e sem saída.

O regime democrático deveria aprender a pensar-se a partir da única metáfora que seria válida para o mudar nas eleições: a vassourada. Mas talvez ninguém ouse fazê-lo, porque os arranjinhos, os compadrios, o nacional-porreirismo, a falta de nervo, intervêm infalivelmente num país que não chegou a consolidar-se como comunitário e agora enfrenta uma Europa de construção cada vez mais problemática. (…) Portugal está uma porcaria.”

 

E, já agora, fique-se a conhecer o parágrafo final do discurso de Moura, onde volta a dar um ar da sua graça: “A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.”

É esta a escolha da maioria para o CCB.”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:55
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

"RUAS DA AMARGURA"

Denis Peterson, Deborah Poynton

 

É retrato de vidas desgarradas. Imagem objectiva dum lado de Lisboa que não consta dos roteiros turísticos e se assemelha a outras nas variegadas partes do mundo. É filme, curta-metragem, documentário. Dirigido por Rui Simões, necessitou uma década para a feitura. O realizador andarilhou pelos negrumes da cidade. Levantado o dia, esfumam-se na pressa doutros andarilhos que estugam passos nas ruas; estes, integrados no ramerrame socialmente convencionado ou nem por isso, parecem competir com o rodar dos pneus que atafulham vias e vidas.

 

Foram precisos anos e anos para Rui Simões estabelecer laços solidários com os futuros protagonistas até a confiança mútua soltar a fala dos esquecidos nas urbes. Sem voyeurismo ou lamechice, mas com ternura, a indiferença não resiste diante da partilha, das experiências em histórias algumas. Os sem-abrigo deram vida e receberam horas de companhia povoada de conversas/desabafos cruéis, lúcidos. Neles cresceu a auto-estima ao saberem-se protagonistas e que os seus dias seriam filme. O Sr. Moedas e os demais assistiram à estreia na Culturgest. Apresentaram-se no seu melhor, sacolas, edredãos e o resto que é a casa nocturna guardados em bom recato na carrinha que os transportou. Rigoroso, o Sr. Moedas não prescindiu da garrafa no interior da sala. Ele é o homem que canta Brel e Aznavour num francês invejável. Ele é o homem que deixa rasto de amigos na cidade. Eles não são os loucos de Lisboa, embora a rua por casa possa motivar demências.

 

Atrevo-me a considerar “Ruas da Amargura” obra que merece serão em família, jovens e adolescentes incluídos. Pretextará conversa sem falsas pedagogias. E agora que o pior é esperado, que especialistas reflectem a saúde mental dos portugueses no quadro novo imposto, que haja tempo para a hora e três quartos do filme.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:59
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

E FALOU NO PRIMEIRO DIA

Deborah Poynton, autor que não foi possível identificar

 

A necessidade de consolação existe em todos nós. Por maior que tenha sido o caminho num modo de estar objectivo e pragmático, restam sempre vestígios de tempos passados, de uma infância distante em que acordávamos sobressaltados e transidos de medo. Essa ânsia de acalmia, essa necessidade de uma presença maior e mais poderosa que esconjure o que nos incomoda, que escorrace o que nos magoa, permanece.

 

Todos queremos colo. Um colo doce, terno, enorme e seguro. Um colo cheiroso que nos abrigue de todas as intempéries. Ser ‘grande’ tem algumas das vantagens sonhadas na infância e adolescência, inconvenientes que não faziam parte da ilusão, entre os quais a falta de colo, a protecção doutros maiores e melhores. Descobrimos que no mundo dos ‘grandes’ que a consolação reside apenas e só naquilo que cada um é capaz de inventar como lenitivo. Muitos ocultam os lamentos da criança insegura arrecadada cá dentro. Mastigam-nos. E sem largarem a idealização do aconchego seguro e caloroso, refugiam-se nela, incapazes de afrontar os problemas do dia-a-dia.  

 

Se a orientação do discurso de tomada de posse do Presidente era apaziguar os sacrificados portugueses, mobilizá-los para dinamizarem esperança e reabilitação nacional também através de intervenções cívicas, falhou. As palavras apelaram à confrontação social, nomeadamente, juvenil. Discurso vazio no pendor cultural e humanista – meia dúzia de lugares-comuns por demais ouvidos doutros hipócritas que, sem nada terem feito ou fazerem para esbater desigualdades no povo, enchem a boca com elas.

 

Duvido se os ‘grandes’, que a tempo resolveram idealizações infantis, ao ouvirem o débito presidencial nele tenham encontrado razões positivas para riscarem do quotidiano o tecto da abulia/refúgio e a vontade de colo novo por cada um conquistado.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Quanta diferença um dia faz!

 

publicado por Maria Brojo às 07:05
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

METIDA A MÃE NO ASSUNTO

Alyson Weege, Amanda Besl, Deborah Poynton 

 

Cantando, Buika afirma: “las distancias apartan las ciudades / las ciudades destruyen las costumbres”.

 

Será que nas cidades a morada da alma ganha vulnerabilidade? Propicia que o indivíduo furte terreno ao todo? Que fique romba a ética? O anonimato urbano favorece desmandos? Não creio. Imitando quem pariu a do “estou a ver que tenho de meter a tua mãe no assunto”, o mesmo digo aos humanos – Eva devia estar louca (puta era impossível por falta de alternativa)! Os filhos que gerou caem na irreflexão como moscas em pote de mel. Facilmente vazam instintos primários. Justa pertença à categoria de animais, distintos dos outros pela racionalidade nem sempre atendida, menos ainda crescida.

 

Uma sociedade de pressa e competição, de virtualidade e artifícios não valoriza o “leite da ternura humana” falado por Shakespeare. E se nas cidades escasseiam vagares para a ternura e análises críticas individuais, nas aldeias e pequenas vilas é a censura vigilante que circunscreve atitudes. Incapaz, todavia, de impedir o marido do uso da enxada para escavacar a mulher ou o vizinho. Violência sem coutadas. Excluído serem modestos lugarejos ninhos propícios ao estado de pureza dos bons selvagens que os habitam. Escreveu Rousseau que “o homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros”. Não naturalmente bondoso, digo, como também prova a tendência para a asneira e malvadez de tantas minúsculas criancinhas, rurais ou citadinas.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:38
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