Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

PAPOILAS E BATATAS FRITAS

Diane Maxey, Mel Ramos

 

A Bélgica é reino e tanto. Há 250 dias sem governo, bateu recorde que o Iraque detinha. Aos belgas francófonos e flamengos falta entendimento que lhes permita regulação estatal unificada ou separada. “Não Em Nosso Nome” é movimento. Pugna evitar o separatismo. Dinamizado nas redes sociais por estudantes, conduziu a manifestação conjunta levada anteontem às praças por iniciativa de trinta Associações de Estudantes. Após senadora declarar greve do sexo aos políticos cônjuges ou companheiros, abriram luta contra a desvergonha do impasse governamental, a divisão do território belga que diferenças substantivas lhes trazem: o corte do território belga agravará as diferentes condições dos estudantes no que concerne à gratuitidade dos transportes públicos, financiamento, numerus clausus e qualidade do ensino. Tudo em desfavor dos francófonos.

 

Como em 68 aconteceu, hoje, jovens belgas lideram ideais/utopias que em tempo qualquer dos percursos humanos propicia dealbar contestatário. Revolução das Batatas Fritas, chamam-lhe. E vendem-nas em barraquinhas, assim as autoridades policiais o tenham permitido há dias. Dizem-se inspirados na tunisina Revolução do Jasmim. Esquecem a papoila, símbolo/ memória da Batalha da Flandres contra os ingleses. Mas o jasmim é comestível e a papoila não.

 

Nota: texto inspirado nos Sinais do Fernando Alves.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:31
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

ENTRE FUNCHO E PAPOILAS

Diane Maxey

 

Domingou. Abriu um olho, o outro ainda dormido, para lá do começo da tarde. À porta-janela da cozinha, engoliu chá em vasilha avantajada. Intervalou. De um trago, copo de leite frio. Insatisfeita, despachou copázio de vitamina C efervescendo em água. Misturada subversiva contra todas as normas gástricas da primeira ingestão diária. E ela sem das regras sensatas querer saber. Como em criança. Como sempre se as prioridades do percurso estão fora de causa. Rosto e dentadura natural lavada, abdicou da água corrente fria _ na véspera, o segurança de turno premira a campainha. Acompanhado. Piquete da Lisboa Gás, declarou sujeição da torre H a vistoria minuciosa. Razão: fuga de gás pela canalização da água distribuída pelos contadores da EPAL. Estranho! Eles espreitando o para-lá-da-porta que semi-abrira _ trajar mínimo, largueza maior não permitia. “Sem gás até segunda.” Olha que bem!" Por isso adiou arrepios. Lavou-se por partes, nascida a madrugada do dia último do fim-de-semana como soe fazerem as francesas peritas no uso de luvas turcas encharcadas em sabonete; passeiam-nas pelo corpo como lavadura séria. Desleixo incompreensível para os sulistas europeus.

 

Enfiou algodões e mocassins. Braços e canelas ao léu. Andou e cabriolou nas madeiras. Ouviu, Giorgia. Água e garças nas margens. Colheu, pecado sem remissão, primícias: hastes de funcho e papoilas. Frescas na terra, encolhidas à chegada. E das vidas mortas, lembrou a mulher que ceifou duas no Terreiro do Paço. Humanas. Eterna vítima, a mãe incapacitada que na passadeira assistiu à morte das filhas. Defuntas por condutora alienada com fumos ou beberragens ou (des)gostos sitos no umbigo. Distraída. Assassina por negligência. Insensível no processo. Três anos entre grades, é pouco. Mais ainda se sair após um quarto da pena.

 

Seja ou não o castigo noticiado causa, constato maior cuidado dos automobilistas chegados a travessias pedonais. Todavia, não dispenso olhar esquerdo e direito. Não pretendo morrer de velha, mas respeito e cautelas são necessárias. De igual modo, arrepiarei caminho no corta-cerce funchos e papoilas. Matar vidas é desgraça.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:28
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