Domingo, 10 de Outubro de 2010

PINGO A PINGO, O AMANHÃ

Alan Stevens e autor que não foi possível identificar

 

Dormiu sem sobressaltos, cabeça apoiada numa almofada de algodão (made in Egypt). Pelas sete da manhã, deu sinal o despertador (made in Japan). Ensonado, revigorou-o o duche em que o sabonete (made in France) deslizava, suave, na pele. O acordar completo conseguiu o café (importado da Colômbia) saído da máquina (made in Czech Republic) e a barba feita com a máquina eléctrica (made in China).

 

Vestiu uma camisa (made in Sri Lanka), jeans (made in Singapore) e deu conta das horas no relógio (made in Switzerland). Ainda tinha tempo. Saltaram da torradeira (made in Germany) as fatias de trigo (produced in USA) e, enquanto tomava o café numa chávena (made in Spain), aproveitou para contabilizar quanto poderia gastar nesse dia com a máquina de calcular (made in Korea). No seu computador (made in Thailand) acedeu à Internet para saber as previsões meteorológicas, ouviu as notícias pelo rádio (made in India). Bebeu um sumo  de laranja (produced in Israel). Foi depois que entrou no carro Saab (made in Sweden) e continuou a procura de emprego.

 

No final de mais uma jornada frustrante com muitos contactos feitos através do telemóvel (made in Finland), e, após comer uma pizza (made in Italy), quis relaxar por uns instantes. Precisava. Calçou as sandálias (made in Brazil), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), acomodou-se no sofá (made in Denmark). Ligou a TV (made in Indonesia) vendo sem ver o que via - matutava na razão da dificuldade extrema em conseguir emprego em Portugal. Ao abrir o jornal, leu ser estimado que se o consumo anual de produtos nacionais por cada português atingir 150€, a economia cresce acima de todas as estimativas e são gerados novos postos de trabalho. Como distinguir o produzido por cá? _ Fácil. Se a embalagem omitir a origem, basta atentar no código de barras porque o do fabricado no país começa por 560.

 

À secretária, redigiu texto numa folha de papel Almaço com marca de água antiga e usou lápis da colecção herdada do avô, tudo encontrado na gaveta das memórias. Já consciente de cada passo do feito, copiou-o dúzia de vezes. Distribuiu-o à família e alguns amigos para que fosse iniciado o giro da roda da mudança.

 

Nota: adaptação livre dum texto enviado por querido amigo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Em honra de Solomon Burke e da música soul que em vida honrou. Morreu hoje com 70 anos.

 

publicado por Maria Brojo às 11:59
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