Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

OS TRÓPICOS VIERAM A SEQUEIRO

Kacere e Drudwyn

 

Noites tropicais – temperaturas entre 25 e 26º C. Ar condicionado no On e tudo cerrado, rodopio das pás nas ventoinhas, janelas escancaradas sem persianas ou portadas que entupam exígua corrente do ar. Porque condicionamentos da natura são atentados que a atingem pelo consumo energético, porque inspirar brisa forçada arranha a garganta e aflige o nariz, é opção o tudo ao léu e janelas desimpedidas. O equilíbrio da pele com a temperatura exterior permite sono liberto, acordar matutino espertado pela luz natural acabada de nascer. Vantagem outra, nada despicienda, é o dormir respeitar o ciclo diurno/nocturno como acontecia nos primórdios do homem. Inconveniente é a novidade de serem 7h o período ideal de sono – dormir além de 8h prejudica o coração.

 

É certo que os pré-humanos tinham esperança de vida curta, embora não devida ao bom dormir – indefesos biológica e socialmente, iam-se pela dureza do viver. Hoje, prolongada a esperança, caímos à terra pelas mãos próprias, alheias ou por maleitas velhas cobertas com pano novo. Ontem, lembrados os 200 mil mortos que há sessenta e cinco anos engenho nuclear matou em Nagasaki. Três dias antes, honrados os atingidos por razão mesma em Hiroshima.

 

Calor tropical reclama corpo descoberto. Segundo padrões de origem duvidosa, obrigatoriamente elegante. Banidos do In Papos, pneus, papadas. Ora, quem os tem não os quer e, com ilusão, engole produtos fugidos ao crivo do Infarmed. Acumula com ausência de vigilância médica. Meses antes do «despe», venham pílulas com promessas de magreza dentro. Ora, obesidade e excesso de peso coexistem vezes muitas com diabetes, disfunções renais, colesterol descontrolado. Esquecida a alimentação saudável e o caminhar – melhor remédio não existe. Tão fácil impedir o ioiô medido pela balança que os órgãos endoudece…

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:24
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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

AS CINCO DE EDISON

Drudwyn, Michel Dooling

 

Dormimos menos que o necessário. Estudos validados comprovam que vamos para a cama tarde demais. Por isso, dormimos acordados. Por isso, andamos rezingões, invejosos, maldizentes e desconfiados. Pela tensão acumulada que o curto sono não compensa, corremos o risco de encimar a lista dos povos mais chatos do planeta ou o mais perigoso na estrada. É sabido dos 83% dos acidentes fatais na estrada serem devidos ao adormecimento do condutor. Os picos da sinistralidade ocorrem na alta madrugada em que ocorre redução espontânea da vigília - o condutor perde capacidades de decisão fundamentais. Erra. E os portugueses morrem, engordam, diminuem a memória, adoecem com hipertensão, diabetes e fragilizam o sistema imunitário – consequências directa das horas de repouso rapinadas.

 

O maior militante anti-sono de todos os tempos foi Thomas Edison. Inventou a lâmpada eléctrica e alterou, definitivamente, o ciclo biológico humano ao criar nova luz da noite. Em 1910, média de nove horas dormidas, hoje, sete horas e picos. Edison dormia no máximo cinco horas, talvez, quem sabe?, razão para criar o dia artificial. A Napoleão bastavam menos de seis para se dar por repousado. Einstein carecia de nove ciclos do ponteiro das horas e sobrava-lhe vigília genial para esticar o tempo, curvá-lo, brincar com ele e a matemática.

 

Faltam-nos sesta e sono nocturno. Não parecendo que a implacável economia venha a prevê-la no ritmo laboral, melhor é deitar cedo e cedo erguer. Para mim tenho que o contencioso português com a produtividade, a matemática e o optimismo aliviava de vez. Em vez de pílulas, sexo, o melhor indutor natural do sono.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:41
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Sábado, 5 de Junho de 2010

GALHOFAS E (DES)GRAÇAS

Drudwyn

 

Arrotam fatias de pescada congeladas pelos nomes e nomeadas deslizantes por séculos e/ou gerações. Inexistindo o que dizer/sentir em palavras originais, a «rede» fornece sortido vário – basta «googlar» e posterior arquivo nos ‘favoritos’. De mal semelhante padeço – pela falta tempo ou vontade para mercar peixe fresco, servem de mote quando a respiração criativa está minguada.

 

«Máximas» alheias debitadas ao acaso são como ondular carneiro das ondas estando o vento de feição. Nem ajeitam o surf, nem o mergulho ou lava-pés ao esconderem fundões. Por isso me divirto com debates parlamentares. Os deputados podem não valer rolha plástica, mas que inovam tiradas galhofeiras é incontestável. Têm graça na desgraça. Esgrimem desditos. Humoristas/cópias de «Gatos» e do Herman quando era vivo. Graciosamente, são pandilha de comédia que desobrigam largar a domesticidade. Na Assembleia, manhãs e tardes pejadas de graçolas  servidas ao domicílio. O espectador em pijama ou pior. Os comediantes são pinóquios de carne e osso enfeitados por fato e gravata. Compõem personagens credíveis. Irresistíveis para quem decide levar a vida com humor. Pela interpretação em palco nacional, merecedores dos ganhos. Rejeitando a malta ida ao teatro, trazem cenas a casa. Bem bom!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:14
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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

NO CALOR DUMA TARDE IDA

Drudwyn

 

Nos sótãos onde julgamos tudo conhecer, a surpresa acontece em fios de pó; caminho riscado por luz coada pelas janelas esconsas. Do meu, subi a escada de granito e por lá me perdi numa tarde. Abri baús, destapei a cambraia protectora do que fora o meu carrinho de bebé. Abriguei melhor, num merendeiro forrado a chita florida, o mobiliário da «casinha das bonecas». Desdobrei fatos do bebé-chorão, alguns adquiridos na Materna, outros confeccionados nos tempos livres da juíza, prima solteira. Nas gavetas e portas da secretária do avô, lá estavam os álbuns filatélicos e numismáticos, mais as partituras das músicas que compunha. Numa estante herdada das tias, desfolhei figurinos de moda do início do século, colecções completas do Reader's Digest, almanaques. Empalidecidos.

 

Pelo ar abafado daquela tarde quente fechei a porta de acesso e despi a musselina. Do vinil em fila, retirei um Duke Ellington. Prendi ao alto o cabelo e, mais livre do que vim ao mundo, destapei sofá para aconchego na leitura. Escolhi o almanaque do ano em que nasci. Conselhos domésticos, regras de etiqueta, mãos-cheias de lugares-comuns e primórdios saborosos dos livros de auto-ajuda.

_ Quando alguém fizer uma pergunta a que não queira responder, sorria e pergunte: 'Porque quer saber?'

_ Diga "Saúde!" quando alguém espirrar.

_ Case com uma pessoa que goste de conversar. Quando a velhice chega, a capacidade de falar e ouvir é o mais importante.

_ Confie em Deus, mas deixe a casa aferrolhada.

 

Dicas intemporais! Escorregaram décadas e as atitudes comummente sensatas, seja lá quais forem e não necessariamente minhas, constam do Larousse das Boas Maneiras – a substituição do irritante “santinho”, o rodeio polido da pergunta inconveniente, o essencial duma parceria amorosa, o amanhã que cada humano rege como motor e produto da engrenagem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:30
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