Sábado, 27 de Julho de 2013

FÉRIAS E AL MOORE - "ESQUIRE GIRL CALENDAR"

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:40
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Terça-feira, 14 de Junho de 2011

À MÍNGUA DE BOTÕES

Peter Driben, Elvgren

 

Lugar-comum: cinco dias fora do mundo noticioso e, à chegada, nem respigo de novidade (à laia de novela, soe o dizer). Em tão curto intervalo de tempo, não esperava mudanças substantivas, convenho, mas nova de causar espanto que me arregalasse o olhar, afora aumento do número no rol de catástrofes, seria bem-vinda. Antes da partida, uma houve prestes a consegui-lo: criminalizar como assédio sexual piropos, encostos nos transportes e assobios endereçados às mulheres passantes. Entidade promotora: UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta).

 

Exercício contrário: está um homem postado em seu sítio e mulher arrisca o piropo ou o roço. A suposta vítima de assédio não calaria uma de duas reacções: acedia alegremente ou ripostava com vigor. Se a mulher em idênticas circunstâncias não reage e se dá por presa coitada sujeita ao predador, culpa dela - é exemplo a resposta pronta e rápida, apanágio de dignas peixeiras que sabem pôr no lugar abusadores. Estes afastam-se, encolhidos, e elas nem um segundo mais dedicam à frivolidade.

  

Se a menina foi educada para silêncio que lhe preserve o pudor, se, mais tarde, a mulher não cresce no entendimento do seu papel social e é incapaz de defrontar com igualdade leves atrevimentos masculinos ou femininos, que também os há, não se lamurie, actue. Um tédio a mulherzinha sofredora! Que vá aos mercados e aprenda com as maiores. Que acabe com o estereótipo que lhe coage o estar: “odeio peixaradas!”. Faz mal - mão na cintura e língua afiada até vem a propósito sentida ofensa no espírito e na pele.

 

Depois, há a hipocrisia do ar enjoado quando arriba piropo sendo que a maioria de nós acha graça aos bem engendrados. E rimos por dentro ou ostensivamente como ontem me aconteceu. Frigorífico esvaziado, pousei malas e fui ao minimercado afavelmente aberto em dia feriado. Neste bairro que harmoniza extremos sociais, passei por idosos jogando damas no empedrado, bandos de homens à solta. Ouvi:

_ Ainda bem que não ganha o suficiente para comprar botões.

Lerda, percebi, era o instante passado. Saíra com a fatiota da viagem, túnica pelo joelho e generosas aberturas laterais que o vento alevantou.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:11
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

BEXIGAS E SAÚDE DE FERRO

 

 Elvgren

 

“Is túisce deoch ná scéal”. “A drink precedes a story”. "Um copo precede um conto". Ignoro se Michael O'Leary da Ryanair teria emborcado algum antes de afirmar: _ "A sério que só é preciso um piloto. Vamos retirar o segundo. Se o piloto tiver alguma emergência, toca o alarme para chamar a hospedeira e ela pode aterrar o avião."

 

Certamente desentendi a proposta, pois a magna criatura da companhia aérea tem na mente substituir o já diminuto número das hospedeiras por máquinas que, a troco de moedas, debitem bolos, sandes e bebidas. Bens com custo proibitivo, que seja levada marmita caseira, taxas de bagagem elevadas, compensariam o low-price do bilhete. Junta a esta hipótese, outras: suprimir dois dos três toilettes e a cobrança de um euro em viagens curtas – o passageiro que se avie em terra – para o ‘abre-te sésamo’ da casinha. Quem tiver bexiga frágil melhor será usar fralda continente.

 

Rentabilizar espaço é fundamental numa companhia low-cost. 50cm são ouro: neles cabe um traseiro assentado, salvo se volumoso. Neste caso, com toda a probabilidade surgirá tarifa dispendiosa por excesso de massa corporal. Para no mesmo alinhamento de cadeiras caber igual número de passageiros, cada um será pesado no aeroporto. Um gordo, obriga a anorécticos ou a anões por companheiros de lugar. Há ainda que reconhecer a inovadora contribuição da companhia ao combater a obesidade e o vício de comiscar amendoins ou bolaria durante os voos. Não fora a Irlanda ter sido berço de Oscar Wilde, Yeats, Joyce e outros, jamais pelo meu esófago voltaria a escorrer um irish coffee.

 

É dito que o patrão da Ryanair tem um sonho: voar «à borla». Pois considero ter mais: mundo de magros com bexigas e saúde de ferro.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:12
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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

ADEUS BURROS DE MONTADA!

Elvgren e Earl Moran 

 

Tendo por berço a Lisboa republicana, nasceu o Dia de Camões. Na inauguração do Estádio Nacional no Jamor, corria a metade dos anos quarenta e ditava o Estado Novo, Dia de Portugal, de Camões e da Raça. Par de décadas depois, a guerra nas colónias ia matando gentes de cá e de lá obrigadas à bandeira portuguesa até cravos encarnados substituírem balas. Foi-se a Raça do feriado - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Cavaco Silva recuperou-a ao ser questionado sobre a paragem dos camionistas. Escandalizou porque “terminologia racista e segregadora do Estado Novo”.

 

Existe raça? À época, entendida como “grupo de indivíduos cujas características biológicas são constantes e preservada pela geração: raça branca, amarela, negra, vermelha.” Progredindo a ciência, coube à genética desmentir qualquer tentativa de classificação racial. Mas se a raça for pensada como conjunto de ascendentes e descendentes de uma família, de um povo? Tem cabimento porque vocábulo isento.

 

Atrevo julgar que o dizer presidencial remeteu para o segundo contexto. Não o configuro saudosista dum tempo e saberes ultrapassados. As exaltações bacocas dos ânimos por caso que o não é revelam burras as palas em cada lado dos olhos. Porém, convenho: estando os quadrúpedes da espécie asinina em extinção, é refrescante saber humanos prontos a retomarem-lhes tradições. Irrecuperável a docilidade que na parte de férias, as rurais, me permitiam montar os genuínos e gargalhar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:22
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

CRUZEIRO SUMARENTO

Elvgren


Lugar público. Restaurante especialista na arte de bem confeccionar e servir pitéus alentejanos. Experiência penúltima: bem acompanhada no diálogo e degustação, impôs-se conversa lateral. Bradada na mesa para dois à distância do corredor de serviço. Repetido o nome de advogado em praças maiores com pelourinhos conhecidos. Desvendados pormenores dum caso em litígio. Procurei fazer moucos os ouvidos, excepto para o dito pelo interlocutor na frente. Nem uma palavra me saiu sobre o conteúdo elevado pelo volume de som na mesa ao lado. Eu dentro no assunto, conviva fora.

 

Comparados/semelhantes ao facto, actualidade e passado regido pelo Dr. Salazar. Livrem-nos anjos e arcanjos, mais a corte celestial reunida em concílio, de falarmos abertamente em sítios que ouvidos ignotos frequentem. Ensinamentos dos clãs familiares tradicionais mais oportunos que nunca:
_ Nunca mencione nomes se contar relatos onde estranhos sejam presença.

 

Não cito, mas ouço sem adianto ou atraso: escapes cirúrgicos de informação privada, ou sob segredo da justiça vendem à «fartazana». Incautos, curiosos, especializados em corte e costura compram e propalam. Deturpações inerentes – pontos somados aos contos recontados, sejam assunto despiques entre vizinhos ou intimidades públicas. Voyeurismo como estratégia pessoal e política. No tempo dos bufos pós-modernos, do bem parecer e «ser» de parco merecimento, vale tudo.

 

Desalinhada por opção, alinho por ter lembrado o ‘dança como eu’ na cena final protagonizada pelo Anthony Quinn e por brejeirice saborosa – modo que consente publicar dichote sumarento enviado pelo Zeka.


“Num cruzeiro, passeavam Cavaco Silva, Alberto João Jardim e Pedro Santana Lopes. De súbito, toca alarme e soa alerta:
_ O navio está a afundar-se!
Ouve-se o Professor Cavaco:
- Salvem-se as mulheres e as crianças! 
Com o charme peculiar, diz Alberto João:
- Que se fodam as mulheres!
Indaga Pedro Santana Lopes:
_ Ainda dá tempo?”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:25
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