Domingo, 6 de Julho de 2014

FÍSICA E ‘COWBOYS’

 

Phi­lip Haw­kins – Cock of the North                                                                 Kim Corpany – Silver Star Spurs Western Cowboy

 

Sou do tempo em que o único canal televisivo entretinha gentes remediadas com matinés inocentes onde pontificavam coboiadas romanescas. Havia tiros e corria sangue, verdade, embora o preto e branco dele fizesse caldo de borra de cigarro. Ingredientes quase certos eram diligências fáceis presas dos mauzões, paisagens desoladas com cilindros de ervas secas enrolados pelo vento, xerifes e bandidos. Forcas quando calhava. Depois, havia a bendita certeza do filme acabar bem com o pistoleiro nos braços duma donzela em bom recato ou no quarto de refinada jovem prestativa em qualquer saloon. Já a tarde ameaçava sono quando a matiné era finda. Pequenada contente, mãe bordando, pai ouvindo relato de futebol, tarde de domingo invernoso bem passada.

 

Ora, dá-se o caso de ter sido questionada sobre a razão das já tremeliques pontes pênseis de madeira nos filmes do faroeste só darem de si após o comboio dos «bons» passar, feita antes marcha-atrás. A bandidagem era obrigada a estacar e os malvados da frente caíam na ravina funda como algumas gargantas que ‘eu cá sei’.

 

Recorri aos Spaghetti werstern ou Bang-bang à italiana vistos e revistos nas matinés da TV – acabada a exibição do lote de filmes em stock, eram repostos os velhinhos a cintilar como estrelas cadentes. Pois a meu ver, resposta simples: (…)

 

(…) Tudo muito desem­ba­ra­çado e coisa e tal, toda­via com, no mínimo, dois senãos:

_ não recordo o nome de um único wes­tern em que sur­gem situ­a­ções como a ques­ti­o­nada;

_ será que a quan­ti­dade de movi­mento nada tem a ver com o facto?

 

«Fran­che­ment» vos digo não estar com a menor von­tade de con­sul­tar canhe­nhos que me rea­vi­vem memó­rias estafadas.

 

Nota - texto que agradeço ser lido na íntegra e suscitando, como eu gostaria, reações/respostas às minhas dúvidas ou falta de lembrança sejam colocadas onde foi publicado.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

ICOS, PATOS E OSOS

 

Roy Lichtenstein – Quantum                                                             Physicscal Icon 

 

Quando adolescência borbulhenta, inquieta, curiosa, desconcentrada pelas hormonas ‘ebulientes’ frequenta, no secundário, Ciências e Tecnologias ou, em era mais recuadas, aprendia “fisico-química” nos extintos liceus, as mnemónicas ajudavam memorizações falhando o entendimento pelo raciocínio. Uma delas, hoje socialmente incorreta pelo racismo implícito, rezava assim: "bico de pato, osso de cabrito, frederico preto". Modo simples de registar as designações dos sais relativamente aos ácidos que os geram ao reagirem com bases. Exemplo: do ácido sulfúrico advêm sulfatos, do ácido nitroso, nitritos, do ácido clorídrico, cloretos. Simples, fossem conhecidas as respetivas fórmulas químicas que outras mnemónicas auxiliavam no saber.

 

Na Física, o mesmo: a segunda lei de Newton, princípio fundamental da Dinâmica - parte da Mecânica que estuda a relação entre o movimento de um corpo e a causa que o determina - tem como equação conhecida F = m x a. Descodificando: F simboliza a intensidade da resultante das forças aplicadas num corpo, m a sua massa e a representa a intensidade da resultante das acelerações a que o corpo está sujeito. Ora, aluno preguiçoso que se preze memoriza-a como “a força é má”. Não esquece e aplica a preceito.

 

Serve o arrazoado para introduzir o vídeo que segue. (…)

 

Nota: publicado há breves instantes aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:24
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2013

«BICHOS CARETAS» E ANÁLISE DOS RESULTADOS DOS EXAMES NACIONAIS

 

Golem Randis, Terry Rodgers

 

Conhecidos os resultados dos exames nacionais do 9º ano e do ensino secundário, merecem destaques as médias obtidas em Português, Matemática, Física e Química. Nas duas primeiras disciplinas, aumentaram (são positivas), conquanto os professores corretores tenham, em ambos os casos, diagnosticado dificuldades na compreensão dos textos e em respostas organizadas coerentemente. Nas disciplinas de Física e Química as médias nacionais baixaram para os 8,1 valores. Convém lembrar que a aprendizagem destas ciências envolve três componentes que a distinguem das demais: teórica, teórica/prática e laboratorial.

 

Sem espanto, recebi a notícia. Experimentara o ridículo de turmas do 12º ano em situação de avaliação escrita dos conhecimentos adquiridos em Química ficarem com as esferográficas quedas em presença de um enunciado. Interrompia o silêncio com o querer saber da causa, simulando desconhecê-la. Resposta em coro: _ "Por favor, leia a professora o enunciado". E lia com a pontuação devida. E os alunos respondiam sem dificuldade. Nas aulas seguintes, relembrado o dito e feito anteriormente: leitura cuidada, resposta organizada por itens, utilização das palavras-chave do tema proposto. Mais treino. Próximo teste: não era sequer admitido pedido semelhante.

 

Quem segue o percurso escolar dos alunos e a sua relação com as políticas educativas e vida familiar, sabe que os hábitos de leitura são, na generalidade, medíocres. Uma das razões é a falta de tempo para acompanhamento dos filhos devido a pais embrenhados no pão nosso de cada dia. Outra condicionante é o mau alinhamento das prioridades na família – a televisão como descanso no final do dia, também presente durante as refeições em vez de diálogo com os infantes, discutir um livro acabado de ler, permitir que eles troquem leitura por mergulhos à solta nos jogos de vídeo, skypes e congéneres. Para tudo há tempo, havendo critério e disciplina. Da escola e dos pais também.

 

Por outro lado, surgem intenções ministeriais de regulamentar doutro modo o acesso à carreira docente: exigida aos candidatos a nota mínima de 14 valores na licenciatura. Não é garantia de empenho e qualidade no ensino, mas, pelo menos, diminui o risco de ser professor qualquer «bicho careta» que procura um emprego e não um trabalho sério e responsável.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:38
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Sábado, 15 de Dezembro de 2012

UM SOL POR MÊS

 

Henri Michaux

 

Viagem acompanhada pelo mistério de Henri Michaux no “Estou a escrever-te dum país distante”. Título e começo do poema. Lugar omisso. Propício ao inventar do eu e da ela que dialogam. Na publicação da Hiena Editora, o mérito de texto bilingue e o traduzir criativo do Aníbal Fernandes. As ilustrações de Joaquim Bravo, uma por poema - nunca cópias do traço de Michaux -, achegam-no, todavia, à memória.

 

 

Leitura feita nos primórdios do caminho literário adulto. Vibrei. Palavras houve gravadas no inconsciente a remeterem para nostalgia de aventura oculta jamais vivida - “Só temos aqui, diz ela, um sol por mês, e por pouco tempo. Dias antes já se esfregam os olhos. Mas em vão. Tempo inexorável. Só quando lhe dá o sol, aparece.”

 

Milhões de palavras depois, restaram junto a outras também impressivas. Outono findava na ocasião da primeira leitura. Voltaram nos Dezembros como este, como todos em que a luz decai sempre cedo. Releria o livro soma ou fracionado a pedido do sentir. Nos entardeceres prematuros, mal o sol se desvanece no longe coberto por nuvens malva polvilhadas ou não com cinza, lembro: “Tempo inexorável. Só quando lhe dá o sol, aparece.” Arriba a convicção de arredar tristezas como lareira espevitada em contraponto com a pobreza de lâmpadas de 100W ou equivalentes.

 

Acerca de Henri Michaux, escritor, pintor, realizador dum filme sobre as drogas que o consumiam, mais diz qualquer Wiki. Frase iniciática numa delas: “Explorou o eu interior e o sofrimento humano através de sonhos, fantasias e experiências com drogas.” Para os leitores, alucinogénios são os poemas. Com eles percorrem desconhecido e conhecido ao natural ou mascarado. Reinventam luzes, a perceção do tempo que desde o nascer todos altera. Como poema matemático de Einstein na Física.

 

Nota: texto publicado há instantes aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:29
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

A NOVA «BÍBLIA ENCHE-BARRIGA»

Harry Baerg, Stan Ekman

 

Porque não sintetizaria melhor, transcrevo: _ “Presidente falou. Fala, dizendo que outrora falou. E promete que falará. Confirma-se que, na prática, a teoria é outra.” Este pensar li chegado por Mário de Carvalho. Alvo com seta bem no centro. Só incautos crêem ser novo o dizer. O Presidente fala, partidos aplaudem ou não conforme a frequência em que se situam no arco-íris politiqueiro. Comentadores deste ‘nada de novo’ esmeram-se em extrair ilações omissas no discurso. Especulam com denodo porque a avença dá arranjo e não sendo criativos e doutorais lá se vai o pré que neste 2012 tanto arranjo dá para compensar o rol de aumentos sujos. Sacrifícios de todos, necessários garantem os palradores com nome ou cargo que os colocam acima da importância e pobreza dos demais.

 

Gostaria de os ver debitando, Presidente incluído, discurso semelhante no meu bairro, face a face com os moradores que saem do supermercado ou têm por obrigação comprar calculadora gráfica para a Matemática e Física e Química dos filhos neste segundo período – se contam com as supostamente disponíveis nas escolas, tirem daí o sentido pelas pilhas gastas que não as deixam «reflectir». E quem diz calculadoras e superes diz bens indispensáveis ao estar saudável pelo comido e pelos serviços. Electricidade por exemplo (mais haveria a apontar). Nem é precisa a meteorologia para adivinhar Inverno gelado – quem se atreve a ligar radiadores sabendo como alternativa fome ou frio? Em poleiro, modesto é certo, está quem ainda pode aceder à rede/net, substituir bife do lombinho por frango ou peru. Cerca estará o dia em que mil maneiras de cozinhar 'pipis' serão «bíblia de enche-barriga».

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:01
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