Mariana Kalacheva
São diferentes pela terna corrente de aço que os prendem a nós. Melhores e piores que os outros nos defeitos e virtudes _ neles exacerbamos expoentes de imperfeita perfeição. A que interessa. A outra, a «compostinha» e erudita que não desafina num semitom, é tédio insuportável.
Passa um ano ou passam anos. Telefonemas ocasionais.
_ Está bem? Queres contar de ti?
_ Começas tu ou eu?
Qual enguia, desliza o tempo. Ele e ela experimentam a falta do «estarem». Noção que o quotidiano cheio havia erodido. Até um dia. Até a ausência adquirir o estatuto insano de prioridade em desalinho. Como o cabelo no acordar.
Antes do reencontro, o arrepio desce do cérebro até às pontas do corpo. A cumplicidade do olhar, da fala com lábios em frente estará intacta? Está. Estão. Ou não. Sabem no primeiro segundo. Depois é a escalada rumo a picos novos. Outros.
Já defendi, com veemência, a possibilidade de amizade sem pele entre um homem e mulher. O mesmo é dizer asséptica. Limpa de carne e sentimentos menores. Como o ciúme. Maiores, como a sedução e o desejo. No presente, medito nas certezas de outrora. Nada sei. Mas sinto. Amigo homem traz, implícito, registo diferente do estabelecido entre duas mulheres. Ambos aprazíveis. Porém, condimentados com especiarias desiguais. Pimenta e alecrim. Caril e salsa. Cravinho e noz moscada.
CAFÉ DA MANHÃ
Adoçantes
Peregrinando
Brasileiros