Quinta-feira, 26 de Março de 2015

A OITAVA ARTE

Francis Bacon Three-Studies-for-a-Portrait-of-Luci

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Francis Bacon – “Three Studies for a Portrait of Lucian Freud”

 

 

 

Há quem da sordidez faça vida. Nela se instale. Habitue. Como quisto sebáceo no lugar do costume. Vidas gordurosas. Poros como crateras abertos à trafulhice. Vidas-contos-do-vigário. Pejadas de fungos e bolores. Propícias à rataria e bichos subterrâneos. Odeiam luz que as foque. Do sol admitem o calor e o brilho que aos outros exibem, nalguma coisa simulando serem iguais. Não o sendo, longe disso. São morcegos necrófagos - da noite fazem dia e sugam quem mais perto chegar.

 

 

 

Dizem ser a oitava arte a que vende a sétima. A sétima, coisas, pessoas, principalmente o próprio. Arte invisível, não fossem os olhos miúdos que pingam manha e nalgum instante desliza manchando o discurso untuoso do vendedor da alma. Esta ao serviço de quem mais der. Ou parece dar, por maiores serem a longo prazo os logros dos vendilhões do que, à primeira vista, julgam surripiar.

 

 

 

O mundo está cheio deles. Descoberta a rede que lhes abriga a falsidade e o suor e o sebo e a manha e o rosto e as dívidas e a marginalidade, dela fazem galinha-dos-ovos-douro. Estejam puídas as defesas que ao indivíduo amarram ao cais, por descuido, inocência ou credulidade, as vítimas caem num ai. Daí a confiar vai um passo. Uma vez estilhaçada, a piedade ou o espírito redentor, são o maior perigo - é tornada vítima o morcego. Necrófago por necessidade, julgam almas pueris. Esquecida a vocação. Somente quando a gordura escorre e se acumula até o cheiro nauseabundo impedir a respiração, a vítima esbraceja. Levanta a cabeça para sobreviver. Olha o lodaçal, o buraco escuso e o bolor e os fungos. Foge a sete-pés.

 

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2013

FRANCIS BACON, LUCIAN FREUD, EDWARD MUNCH E A DINHEIRAMA NOS LEILÕES

 

Francis Bacon – Three Studies for a Portrait of  Lucian Freud

 

Do ontem tardio, costumo saber pela alvorada. Bebericando chá verde, vigio o amanhecer e ouço as primeiras atrasadas. Intervalo o estado de sentinela com café doméstico ao abrir-me para as novas do mundo. E soube. Entre muitas que de repetidas cansam. O tríptico “Três estudos de Lucian Freud” do pintor irlandês Francis Bacon mantido em privado durante 45 anos fora arrematado no leilão da Christie's, em Nova Iorque, por 142,4 milhões de dólares (106 milhões de euros). Após seis minutos de licitação emotiva que deitaria a perder transmontana pacífica, ultrapassou o recorde atingido pelo “Grito de Munch” (119 milhões de euros). Lembrei o meu naufrágio nos sentimentos contraditórios na exposição de Bacon em Serralves correndo o ano de 2003.

 

Francis Bacon, descendente colateral de Francis Bacon, filósofo que deu brado no período «Elisabetano», na infância, era garoto asmático brutalmente educado(?) por um pai que entendia enxertos de chicote como método pedagógico para do petiz ‘fazer homem’. Não surpreende o desprezo que desenvolveria pela Irlanda onde nasceu em Dublin, a 28 de outubro de 1909. Neste desdém, muito bem acompanhado por Oscar Wilde e James Joyce. A brutalidade de que foi vítima e própria do mundo da época, conferiria ao seu trabalho rápida passagem da influência de Rembrandt para uma pesquisa grotesca, audaz, austera. Tendo a mania de destruir muitos das suas obras primeiras, pouco exemplares existem, maioritariamente em museus americanos e europeus.

 

Parte substantiva das pinturas de Bacon exibem figuras desoladas, enredadas em construções geométricas e cores violentas, sugerindo na fluidez dos óleos sentimentos exacerbados como a raiva, o horror, a degradação. Nos últimos retratos, alivia o colorido, se bem que extremos de distorção persistam.

 

Informa uma «Wiki»: “A sua primeira exposição individual na Lefevre Gallery, em 1945, provocou um choque e não foi bem recebida. Toda a gente estava farta de guerra e de horrores, só se falava da "construção da paz" e as imagens de entranhas dos quadros de Bacon, com os seus tons sanguíneos, provocaram mais repulsa do que admiração. Como homem do seu tempo, Bacon transmitiu a ideia de que o ser humano, ao conquistar e fazer uso da sua própria liberdade, também liberta a besta que existe dentro de si. Pouca diferença faz dos animais irracionais, tanto na vida - ao levar a cabo as funções essenciais da existência como o sexo ou a defecação - como na solidão da morte; representando o homem como um pedaço de carne.”

 

Bacon, finado em 1992, e Lucien Freud eram amigos e cúmplices. Poucos eram os dias em que se não viam, ora jogando, bebendo no Soho ou pintando-se mutuamente.

 

Neste leilão, porque superado o valor de “O Grito de Munch”, apetece saber além da pintura mais vezes roubada no mundo (...)

 

Nota: texto publicado na íntegra aqui

 

CAFÉ DA MANHÃ

  

publicado por Maria Brojo às 11:01
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